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Fim do Ano 2017 – o que falta?

por Magda L Pais, em 06.11.17

Roubei esta tag – criada pela Ariel Bissett – à Sandra, sendo que a Cláudia  e a Sónia  já responderam. Quem a quiser roubar daqui, faça de conta que está em casa que nenhuma de nós irá chamar a polícia.

Ora então vamos lá: 

Um livro que começaste este ano e que precisas terminar?

Winston Churchill: Uma vida de Martin Gilbert. Não é tanto o preciso é mais o quero. O problema deste livro é que são 958 páginas, tamanho quase A4 e capa muito grossa. Não é exactamente o tipo de livro que se leva para a praia ou que anda connosco nos transportes públicos. A menos que o queiramos usar como arma de arremesso ou queiramos ficar de baixa médica por causa dos ombros. Estou a gostar bastante de o ler, ao fim de semana, em casa. Só que, de vez em quando, estou tão embrenhada no livro que anda comigo durante a semana que acabo por me esquecer deste.

Tens algum livro outonal para fazer a transição para o final do ano?

Não tenho livros para cada estação do ano. Para mim todos os livros podem – e devem – ser lidos em qualquer altura do ano, seja na praia ou ao pé da lareira, com calor ou com frio, enquanto lanchamos ou almoçamos. Em vez duma ida ao cinema ou enquanto se anda nos transportes públicos.

Existe uma nova edição / lançamento que ainda estás à espera? 

Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho. Será editado no dia 21 de Novembro e vai ser a minha prenda de aniversário para mim própria. Não que eu precise de desculpas para comprar livros mas como faço anos a dia 26 do mesmo mês, calha mesmo bem.

Quais os três livros que queres muito ler antes do fim do ano?

Obviamente Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho. Mulheres Perigosas, uma coletânea de contos que foi organizada por George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, e que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson.

Para além destes dois, descobri ontem que me emprestaram um livro em Junho (vejam lá que estava ainda no envelope em que me mandaram o livro. Abri o envelope para tirar o livro que me estavam a devolver mas, estupidamente, não reparei que vinha outro que tínhamos combinado que me iam emprestar) e ainda tenho mais cinco livros que me foram emprestados. Quero lê-los a todos antes do ano terminar. Para além dos livros que me vão chegando às mãos através da segunda edição do livro secreto, claro.

Existe algum livro que ainda pode surpreender e vir a ser um favorito do ano? 

2017 está a ser um ano de excelentes colheitas. Tenho lido livros fabulosos, sem dúvida. E espero sempre que o próximo livro seja ainda melhor que o anterior. Não quero, por isso, fazer previsões. Vou esperar continuar a ser surpreendida pelos livros que vou lendo.

Já começaste a fazer planos de leitura para 2018?

O meu plano de leitura para 2018 é exactamente o mesmo que tive para 2017, 2016 e todos os outros anteriores. O meu único plano é manter a minha participação no livro secreto e ir lendo livros conforme me apetece, onde me apetece, dos autores que me apetece e dos géneros que me apetecem. Não traço metas, não faço concursos e não leio por causa dos números. Leio para meu prazer e porque gosto.

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Lei & Corrupção

por Magda L Pais, em 05.11.17

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Lei & Corrupção de Mike Papantonio

ISBN: 9789897243868

Editado em 2017 pelo Clube do Autor

Sinopse

Escrita por um dos mais reputados advogados dos Estados Unidos, é uma história reveladora sobre os meandros do sistema judicial e as manobras, lícitas e menos lícitas, que podem definir o desfecho de um julgamento.

O impetuoso advogado Nicholas Deketomis construiu uma carreira de sucesso a proteger os direitos dos inocentes, enfrentando grandes empresas. Deke tem agora em mãos um caso polémico e milionário, defendendo uma jovem de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva da Bekmeyer, uma grande farmacêutica. Numa audiência prévia, o advogado pretende que seja aceite como prova um exame de toxicologia. Pouco depois de o juiz anunciar que não aceita a conclusão do relatório, a jovem desfalece e morre, vítima de um grande coágulo de sangue.

Ao procurar justiça para Annica, Deke vê-se de repente do outro lado da lei e descobre que tem mais inimigos do que imaginava, dispostos a tudo para proteger os seus segredos e interesses. Decididos a afastar o advogado incómodo, um pregador fundamentalista, o procurador distrital e os donos de uma das maiores petrolíferas juntam-se numa conspiração infame. Falsamente acusado de homicídio, Deke enfrenta o julgamento da sua vida. Mas este homem que não tem medo de dizer o que pensa não vai desistir sem dar luta.

A minha opinião

Já iniciei várias vezes esta minha opinião mas não sei bem por onde começar. Podia começar por dizer que sou apaixonada por livros que retratem casos de advogados, livros em que aprendemos enquanto estamos entretidos. Ou que adoro livros que me prendem, que nos fazem torcer pelos bons e desejar que os maus sejam apanhados. Ou que sou fã incondicional de John Grisham. Só que depois teria a resposta habitual: tu és apaixonada por livros e pronto, escusas de dizer mais. E é verdade, totalmente verdade.

A questão é que, realmente, gosto de livros que se passam nos tribunais (pena não haver livros destes passados em Portugal, com a nossa realidade judicial), que nos fazem ter fé que a justiça realmente funciona (vá, pronto, a maior parte das vezes funciona) e que nos fazem acreditar que, às vezes, as formigas podem incomodar os elefantes (nem que seja só na ficção).

Lei & Corrupção fala-nos precisamente nisso. Na capacidade de se vencer batalhas judiciais sem que se tenha de ser um elefante. É um livro escrito por alguém que percebe bem o sistema judicial americano, e que o retrata de forma muito próxima - ou não fosse o autor um advogado conhecidíssima nas terras do tio Sam.

Sem entrar demasiado em linguagem técnica - um erro comum quando os autores são especialistas em alguma matéria - Mike Papantonio leva-nos (quase ao colo) por uma série de acontecimentos interligados na vida de Deke, um advogado sem medos, enquanto prepara três julgamentos, sendo um deles o dele próprio, por ter assassinado uma pessoa.

Tive alguma dificuldade em largar este livro (mesmo enquanto estava a fazer a manicura), quer pela estrutura das histórias, da forma brilhante como os três casos se intercalaram mas também pelas personagens - as boas e as vilãs - que estavam muito bem construidas e consistentes com o que seria expectável de cada uma delas.

Agora, terminado o livro, restam-me duas perguntas: para quando um livro deste género passado em Portugal e, mais importante ainda, para quando mais livros deste autor para eu ler?

Leia aqui as primeiras páginas

Classificação:

(este livro foi-me oferecido pelo Clube do Autor em troca duma opinião honesta e sincera)

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A Filha do Pântano

por Magda L Pais, em 03.11.17

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A Filha do Pântano de Karen Dionne

ISBN: 9788491391340

Editado em 2017 pela Harper Collins

Sinopse

Finalmente, Helena tem a vida que merece. Um marido dedicado, duas filhas lindas, um negócio que preenche os seus dias. Mas, quando um presidiário se evade violentamente de uma prisão vizinha, apercebe-se de que foi ingénua ao pensar que poderia deixar para trás os seus piores momentos. Helena tem um segredo: é o resultado de um rapto. O seu pai sequestrou a sua mãe quando esta era adolescente e manteve-a em cativeiro numa cabana remota nos pântanos da Península Superior do Michigan. Sem electricidade, sem aquecimento, sem água canalizada, Helena, nascida dois anos depois do rapto, adorava a sua infância. E, apesar do comportamento por vezes brutal do pai, amava-o... até descobrir exactamente até que ponto uma pessoa podia ser selvagem.

Vinte anos depois, enterrou o passado tão profundamente que nem sequer o marido sabe a verdade. Mas, agora, o seu pai matou dois guardas prisionais e desapareceu num pântano que conhece melhor do que ninguém. A polícia começa a caça ao homem, mas Helena sabe que os agentes não têm qualquer hipótese de o apanhar. Sabe que há apenas uma pessoa que conta com as estratégias necessárias para encontrar alguém preparado para sobreviver a uma catástrofe e a quem o mundo chama «o rei do pântano»... porque há apenas uma pessoa que ele próprio treinou: a sua filha.

A minha opinião

Tenho alguma dificuldade - eu, que sou uma fala barato - em dizer alguma coisa de jeito sobre este livro que mexeu comigo na qualidade de mãe, filha ou mulher. Este é um livro intenso - pouco mais de 24 horas em cerca de 320 páginas, lidas quase de uma penada. Comecei ontem de manhã, acabei hoje ao almoço. Violei a minha regra sagrada de não ler depois de jantar para evitar ficar agarrada ao livro até o acabar. Este é um dos poucos livros que me fez quebrar essa regra com quase 20 anos de existência.

A intensidade deste livro não se mede apenas pelo presente - quando o pai de Helena foge da cadeia e Helena tem de o caçar para não ser, ela própria, a caça. Mede-se também pelas pesadas recordações duma infância diferente, e de um despertar de consciência, quando Helena se apercebe que a sua situação familiar é atípica e fruto dum pai violento e duma mãe forçada.

A Filha do Pântano é também um livro sobre sobrevivência, sobre violência - física e psicológica - sem ser demasiado gráfica, que nos mostra o pior que um ser humano é capaz de fazer a outro, ainda que em nome do amor.

É Helena que narra este livro, a história dela e do pai - porque a história da mãe é dela própria - o que nos ajuda a entrar na mente da personagem, acompanhando as suas dúvidas, o seu crescimento, as dificuldades que teve na integração da sociedade após sair do pântano, enquanto vamos, também, tentando caçar Jacob, o perigoso prisioneiro que é também o pai que Helena amou na infância, que ainda ama, e que, ao mesmo tempo, odeia por tudo o que descobriu que o seu pai fez.

A Filha do Pântano é um livro negro - mas em bom. Em muito bom. Um livro que não se larga sem chegar ao fim, que nos deixa a pensar muito para lá da leitura. Em bom. Em muito bom. 

 

Classificação:

(este livro foi-me oferecido pela Harper Collins em troca duma opinião honesta e sincera)

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Cartas de Profecia

por Magda L Pais, em 02.11.17

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Cartas de Profecia de Anne Bishop

Série Os Outros Nº: 5

Editado em 2017 pela Saida de Emergência

ISBN: 9789897730863

Sinopse

Anne Bishop regressa ao mundo de Os Outros, enquanto os humanos lutam para sobreviver na sombra de criaturas poderosas.

Depois de uma insurreição humana ter sido brutalmente abortada pelos Anciãos – uma forma primitiva e letal de Os Outros –, as poucas cidades que os humanos controlam estão dispersas. Os seus habitantes conhecem apenas o medo e a escuridão da terra de ninguém.

À medida que algumas dessas comunidades lutam para se reconstruir, Simon Wolfgard, o líder lobo metamorfo, e Meg Corbyn, a profetisa de sangue, trabalham com os humanos para manter a frágil paz. Mas todos os seus esforços são ameaçados quando uma misteriosa figura humana aparece.

Com os humanos desconfiados em relação a um dos seus, a tensão aumenta, atraindo a atenção dos Anciãos, curiosos sobre o efeito que este predador terá na matilha. Mas Meg já conhece o perigo, pois viu nas cartas de profecia como tudo terminará: com ela ao lado de uma campa.

A minha opinião

No dia do Festival Bang este livro (e a autora) estavam à minha espera. Pronto, não estavam só à minha espera mas isso agora não interessa nada. Depois de mais de uma hora na fila consegui trazer este exemplar autografado

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(este e mais cinco...)

Obviamente, logo que terminei Espada de Vidro a escolha teria de recair sobre este livro. Afinal ler um livro de Anne Bishop é quase como regressar a casa, é como viajar para novos mundos, conhecer novas criaturas, viver aventuras sem igual e, em Namid, é também tentar sobreviver aos Outros e não me transformar em carne especial.

Sim, porque é isso - carne especial - que os humanos são neste novo mundo que Anne Bishop criou com a sua capacidade extraordinária de o fazer. Novos mundos, novas geografias, novos relacionamentos e novas personagens. Umas boas, outras más, uns que tem mais influência e outros - normalmente mulheres - que se superam, que, apesar de serem diferentes (como Meg), conseguem ser a Catalisadora.

Jaenelle (na série As Jóias Negras) e Meg. Duas mulheres fortes, com personalidades vincadas e inspiradoras. A mãe de Monty que consegue assustar Lobos e Vampiros, que os obriga a fazer o que ela quer - mesmo que eles nem se apercebam do quanto ela pode ser assustadora. Anne Bishop, além de ser eximia na criação de novos mundos também o é na criação de personagens marcantes, que nos transmitem força.

Cartas de Profecia marca o fim do nosso relacionamento com Meg e Simon. Mas também com Vlad, Tess (que tem um cabelo que daria jeito a qualquer um), com Sam e Skippy. E tudo está bem quando acaba bem, não é o que se costuma dizer? Só que não. Não porque, ao fim de cinco livros, todos eles já são da casa. Rio-me com eles, alegro-me com as suas vitórias e entristece-me que alguém lhes queira mal. Troço por eles e amaldiçoo os seus inimigos. É esta uma das grandes capacidades desta autora que me deixa sempre maravilhada. Faz-me sentir que recebo, em casa, todas as personagens dos seus livros - as boas e as más. Faz-me sentir que estão sentados ao meu lado, enquanto lemos, em conjunto, as suas aventuras e desventuras (na verdade, Simon podia ter vindo na forma humana em vez da forma de lobo. Está calor a mais para ter pelo à minha volta).

E que dizer das Elementais? dei comigo a conversar com Inverno para lhe pedir que nos traga chuva. Sem excessos, aos poucos, mas que nos traga o que mais nos faz falta neste momento - a chuva.

Resta-me agora esperar pela segunda metade de 2018, altura em que sairá (espero!) o sexto volume desta série, com uma história passada noutra localidade de Namid, com outras personagens mas sempre com carne especial. E a ameaça velada:

ainda se verifica uma tolerância atenta de um lado (Outros) e um profundo receio pelos que vivem na noite no outro (Humanos), mas, se tiverem cuidado, os seres humanos sobrevivem.

Quase sempre sobrevivem.

Classificação:

 

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Anne Bishop & Festival Bang

por Magda L Pais, em 30.10.17

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Neste caso não era a Igreja que estava toda iluminada mas sim o Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa que se vestiu a rigor para este primeiro Festival Bang organizado pela Saída de Emergência. Um festival que juntou fãs entusiastas do fantástico com jogadores de jogos de tabuleiro (ainda estou a digerir as quatro derrotas que me foram infligidas pela minha filha nos cinco jogos que jogamos... bah!), modelismo e cosplay. Dois momentos altos. A presença de Anne Bishop e dos Moonspell (pronto, eu não sou fã deles e nem sequer fui a essa parte do evento mas estava na segunda fila para a apresentação de Anne Bishop).

Normalmente quando é a primeira vez, há falhas aqui e ali, coisas que funcionam menos bem, lições a aprender para as versões seguintes. Confesso que este sábado a única coisa que me parece que falhou foi o ar condicionado. Mas a verdade é que ninguém esperaria 30 graus em Lisboa no ultimo sábado de Outubro. Claro que há sempre espaço para melhorar, e creio que a Saída de Emergência, no próximo ano, vai realizar um festival Bang ainda melhor que o primeiro. Não teremos Anne Bishop mas a convidada também é de peso (aliás, quando foi anunciada, os vivas e as palmas que se ouviram na sala mostraram isso mesmo).

Mas já lá vamos.

A minha gaiata acedeu (depois de muita pressão) acompanhar-me. E lá fomos as duas, em passeio mãe e filha, acompanhadas de cinco livros de Anne Bishop (a Saída de Emergência impôs - e muito bem - um limite de 3 livros por pessoa para a sessão de autógrafos. Ora como o último volume da série Os Outros estava em pré venda no festival, levei apenas cinco para que o sexto fosse esse último volume, onde me vou despedir de Meg e Simon). Logo à entrada trocamos os bilhetes por dois vales de cinco euros cada (o valor do bilhete era de cinco euros) que seriam descontados na banca de livros. Obviamente Cartas de Profecia (o dito último volume de Anne Bishop) saltou logo para o meu saco mas como já andava a namorar Os Melhores Contos de Edgar Allan Poe (Pedro Brito, um dos ilustradores, é meu primo) acabei por o comprar também.

Depois das compras fomos ver os jogos de tabuleiro. Dois jogos, cinco jogadas, quatro derrotas da minha parte. Qual orgulho de mãe, qual quê! derrotada assim, sem apelo nem agravo por uma gaiata de 16 anos? ninguém merece.

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Ainda por cima trouxe um enigma para eu tentar resolver no carro... não consegui, o que ainda aumentou mais a minha frustração!

Mas entretanto (e antes que perdesse mais algum jogo) fomos andando para a sala porque estava a chegar a hora Anne Bishop e eu queria estar nas primeiras filas. Ainda assistimos à demonstração de cosplay:

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 Finalmente, às 16h30 (mais minuto menos minuto) a sala estava cheia

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A mesa vazia

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E todos prontos para receber a nossa autora favorita:

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Anne Bishop é muito mais do que possamos pensar. Conversadora, brincalhona, bem disposta, sempre com um sorriso. Soube pedir desculpa a um rapaz por ter criado Daemon Sadi - a sua personagem favorita - um homem que actor algum poderá alguma vez interpretar na televisão ou cinema por ficar sempre aquém do nosso imaginário. Falou-nos na série Jóias Negras e em como o primeiro volume foi recusado por várias editoras por não saberem muito bem como editar um livro de fantasia que é, ao mesmo tempo, sensual, violento e erótico. Filha do Sangue foi escrito, primeiro, apenas pelo prazer de escrever. Vinte anos depois, sai, em Portugal, o quinto volume da saga Os Outros (nos Estados Unidos saiu agora o sexto volume que a autora trouxe para vermos).

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Falou-nos também no fabuloso processo de criação dos mundos. Anne Bishop cria mundos como ninguém. E cria-os desta forma porque vive neles. Umas vezes como interveniente, outras como mera espectadora. Tem dois compromissos de honra. Com as suas personagens em contar sempre a história deles de forma honesta e com os leitores, de lhes contar a verdade.

Apesar de terem passado vinte anos desde a edição do primeiro volume da série As Jóias Negras e depois do final - esperado mas não desejado de Jaenelle - os fãs de Anne Bishop continuam a querer saber mais desse universo. Uma boa parte da conversa versou precisamente Kaeleer (Jóias Negras) e Namid (Os Outros). Éfemera e Sylvalan também foram falados, mas talvez por serem apenas trilogias, menos que os primeiros.

Ficamos também a saber que é possível que, em breve, regressemos todos a Kaeleer para rever Lucifar, Surreal e Daemon mas que é uma história que ainda está muito embrionária.

Percebemos também que Anne Bishop não rotula os seus livros. Questionada sobre as diferenças entre escrever dark fantasy e urban fantasy, a autora explicou que isso são rótulos que o marketing e as editoras colocam. Ela limita-se a escrever livros que espera que os leitores gostem (e se gostamos!)

Depois de uma hora e meia (aproximadamente) de perguntas e respostas, quer por parte da editora quer por parte dos fãs, passou-se à sessão de autógrafos. Uma fila a perder de vista, cada um de nós com três livros e o coração cheio de ter ouvido uma autora extraordinária.

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que nem depois de uma hora e meia a assinar livros deixou de sorrir e de dar um dedo de conversa com os seus fãs (até se lembrou que a minha pergunta tinha sido feita em português por não me sentir à vontade em falar inglês e, por isso, quando cheguei ao pé dela disse um bom olá em vez dum hello).

Por fim, a novidade. No próximo ano o Festival Bang vai contar com outra autora de peso. Se quiserem saber quem é, vejam o vídeo neste link. Pela minha parte já estou na fila para comprar o bilhete!

Enquanto tal não acontece... fiquem com estas fotos enquanto eu me vou ali deliciar com Cartas de Profecia. E parabéns à Saída de Emergência pela organização e por uns momentos maravilhosos que me irei lembrar para sempre.

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