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O Talentoso Mr. Ripley

por Magda L Pais, em 04.04.17

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O Talentoso Mr. Ripley de Patricia Highsmith

Editado em 2009 pela Biblioteca Sábado

Sinopse

Tom Ripley, um jovem desempregado que se dedica a pequenas burlas, é contactado pelo pai de um velho conhecido, que lhe oferece uma viagem a Itália com todas as despesas pagas para tentar convencer o seu filho Dickie a voltar para casa e encarregar-se da empresa familiar. Na Itália, Tom afeiçoa-se a Dickie e conhece uma existência despreocupada e luxuosa a que nunca tinha tido possibilidade de aceder. Quando Dickie começa a suspeitar das boas intenções do seu novo amigo, Tom fica desesperado, chegando a extremos impensáveis para poder manter o acesso àquele estilo de vida.

A minha opinião

Este livro já andava aqui na prateleira desde 2009 à espera de vez para ser lido. Foi precisa a segunda ronda do livro secreto para que pegasse nele.

Tenho de confessar que fiquei um pouco desiludida com o livro. Não que tenha visto o filme (terei sido a única?) mas por achar que é um livro parado, com pouca acção, em que a única coisa que acontece é Tom Ripley enganar este mundo e o outro e nós, leitores, o acompanharmos nessas vigarices. Admito que esta minha opinião pode estar condicionada pelo facto de ter lido alguns excelentes livros de seguida, livros de acção, em que a cadência de acontecimentos é vertiginosa.

O Talentoso Mr. Ripley é capaz de resultar, na perfeição, em filme, precisamente por isso. Porque não há muita hipótese de estragar um livro como este.

Ripley está muito bem caracterizado e acabamos - mesmo sabendo que estamos a falar dum vigarista e dum assassino - por até simpatizar por ele. Mas, ao mesmo tempo, pensamos "quando é que isto dá uma volta e ele é apanhado para dar mais animo ao livro?"

Enfim, não dou o tempo totalmente como perdido, fiquei a gostar da forma como a autora nos "mete" nos pensamentos de Ripley mas não gostei do marasmo ao longo do livro. Muitas expectativas, lá está.

 

 

(leia aqui as primeiras páginas)

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O Herói das Eras I & II

por Magda L Pais, em 03.04.17

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O Herói das Eras - Parte I de Brandon Sanderson

Saga Mistborn - Nascida nas Brumas nº 3

Editado em 2015 pela Saida de Emergência

ISBN: 9789896378400

O Herói das Eras - Parte II de Brandon Sanderson

Saga Mistborn - Nascida nas Brumas nº 4

Editado em 2016 pela Saida de Emergência

ISBN: 9789896379285

Sinopses

Parte I - Para pôr fim ao Império Final e restaurar a harmonia e a liberdade, Vin matou o Senhor Soberano. Mas, infelizmente, isso não significou que o equilíbrio fosse restituído às terras de Luthadel. A sombra simplesmente tomou outras formas, e a Humanidade parece amaldiçoada para sempre.

O poder divino escondido no mítico Poço da Ascensão foi libertado após Elend e Vin terem sido ludibriados. As correntes que aprisionavam essa força destrutiva foram quebradas e as brumas, agora mais do que nunca, envolvem o mundo, assassinando pessoas na escuridão. Cinzas caem constantemente do céu e terramotos brutais abalam o mundo. O espírito maléfico libertado infiltra-se subtilmente no exército do Imperador Elend e os seus oponentes. Cabe à alomante Vin e a Elend descobrir uma forma de o destruir e assim salvar o mundo. Que escolhas irão ser ambos forçados a tomar para sobreviver?

Parte II - O mundo aproxima-se do fim, esmagado pela força imparável de Ruína. Vin, Elend e os companheiros procuram desesperadamente opor-se-lhe, mas nada do que fazem parece ter algum efeito ou, quando o tem, é o oposto do que pretendem. De que serve a mera alomância contra um deus?

Especialmente quando não parece haver nada além dela, pois até as misteriosas brumas, em tempos aliadas, parecem ter-se tornado malignas. Mas será que desistir é uma opção? Terá chegado o momento de baixar os braços e aceitar o fim de tudo o que se ama?

Num mundo sufocado pela cinza e abalado por erupções contínuas e violentas convulsões sociais que afectam até a sociedade pacífica dos kandra, são estes os dilemas com que os sobreviventes do velho bando de Kelsier vão ser confrontados neste derradeiro volume da saga.

A minha opinião

Chegou ao fim aquela que, para mim, é uma saga que ameaça seriamente o lugar da melhor saga de fantasia que já li (que pertence à série Os Outros de Anne Bishop). É, sem sombra de dúvida, uma série com o factor Uau Uau (sim, sim, em dobro) e que merecia que, no goodreads, se pudesse dar uma estrela extra.

Optei por juntar a opinião dos dois últimos volumes numa só por duas razões. Primeiro porque, inicialmente (e na versão original) estes dois volumes são apenas um livro (obrigado Saída de Emergência por terem pensado nos meus ombros) e depois porque o segundo volume foi lido em apenas um dia, fruto das quase 13 horas que passei num hospital à espera que o marido fizesse uma intervenção (que acabou por acontecer apenas no dia a seguir mas isso é outra história e para outro blog).

Nestes dois volumes todas as pontas soltas, as dúvidas e questões que foram sendo deixadas em suspenso, tudo é resolvido. Entendemos o que aconteceu a Vin, porque é que o Senhor Soberano era como era (e que, afinal, talvez não fosse tão mau assim). Tudo passa a fazer sentido duma forma como só um mestre o consegue fazer - e creiam-me, Brandon Sanderson é, efectivamente, um mestre nesta arte de escrever fantasia, tornando-a credível, deixando-nos antever um pouco do nosso próprio mundo num mundo criado à sua imagem e onde cada peça tem o seu lugar.

As comparações, para mim, são inevitáveis. Anne Bishop é o meu expoente máximo na fantasia, Brandon Sanderson anda lá muito perto (e eu que achava que nunca iria encontrar alguem tão bom como ela). Tal como Anne Bishop, Brandon Sanderson cria um mundo com tudo o que isso implica - a geografia, personagens, religiões, lendas e regras. Tudo, mas mesmo tudo, explicado ao pormenor para que o leitor não se perca.

Ambos os livros tem intensidade e a tensão sempre presentes, em crescendo se é que isso é possível, até aquele final que, se surpreende ao mesmo tempo que é esperado, por ser o único que faz sentido.

Brandon Sanderson leva-nos, ao colo, numa viagem alucinante, nestes dois volumes sem tempos mortos, com diálogos fortes e bem desenvolvidos, com as personagens a manterem o seu nível de complexidade, bem criadas e caracterizadas.

Uma série a ser lida por todos aqueles que gostam minimamente de fantasia. E, quem sabe, mesmo por quem não gosta porque tenho a certeza que esta leitura cativará muitos dos cépticos em relação a este género literário.

A Saída de Emergência tem a série Mistborn em promoção. Aproveitem que vale a pena

Leia aqui as páginas iniciais do primeiro volume e aqui as do segundo volume

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Um Homem Chamado Ove - o filme

por Magda L Pais, em 02.04.17

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Fui ao cinema. Aos anos que não ia a uma sala de cinema mas quando vi que este filme estava nas salas (vá, em duas salas!) não resisti e lá fui.

E antes que perguntem porque é que estou a falar dum filme num blog dedicado a livros, deixem-me dizer-vos que Um Homem Chamado Ove é um livro excepcional, que li em 2016, por recomendação duma boa amiga dos livros, a Sara. Um Homem Chamado Ove é dos livros mais ternurentos que já li, um livro que nos deixa - com humor q.b. - a pensar no dia a dia, nas coisas realmente importantes, em como mudamos - às vezes sem querer - a vida de quem nos rodeia e na importância que - mais uma vez, às vezes sem querer - que temos na vida dos outros. E que os outros tem na nossa vida.

Foi por isso que fui ver este filme. A medo, confesso, já que, no binómio Livros vs Filmes, os filmes saem sempre a perder, com as pessoas irritadas comigo (as que se atrevem a ver os filmes comigo!) porque passo o filme a resmungar que está mal feito, que a história não é assim, que as personagens isto ou aquilo (aliás, normalmente nota-se imenso as diferenças nas personagens). Acreditem, se eu tiver lido o livro primeiro, não é fácil ver um filme comigo. Eu própria não gosto de o ver comigo...

Ia, dizia eu, com medo para o cinema. E até comentei com quem foi comigo - a Joana - qualquer coisa como: vamos lá a ver se não me estragaram o Ove.

Não estragaram e isso deixou-me tão feliz.

As personagens estão bem caracterizadas e respeitam a ideia com que ficamos após a leitura do livro. A evolução de Ove e a sua interacção com os outros está fantástica. E até a frase que adorei no livro é dita, exactamente com a mesma expressão que imaginei enquanto lia:

Ove não tem jeitinho ABSOLUTAMENTE NENHUM para morrer!

Faltam, naturalmente, algumas cenas hilariantes, nomeadamente a compra do ipad, mas até eu percebo que é impossível, num filme, mostrar tudo ao pormenor como num livro.

Ainda assim, uma adaptação fabulosa, vencedora, para mim, do Óscar de melhor adaptação de sempre, ali bem pertinho da adaptação para filme do livro A Rapariga que Roubava Livros.

Fiquei com vontade de reler o livro. Infelizmente para mim (e felizmente para quem pertence à iniciativa), Um Homem Chamado Ove está a circular no âmbito do segundo round do livro secreto.

Mas quando regressar, é certinho. Vou reler. Quanto a vós, se ainda não viram o filme ou leram o livro... façam a vocês próprios um grande favor. Leiam o livro e vejam o filme. Não se vão arrepender.

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D Teresa

por Magda L Pais, em 22.03.17

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D Teresa de Isabel Stilwell

Editado em 2015 pela Manuscrito Editora

ISBN: 9789898818027

Lido em 2015


Sinopse

Esta é a história de Teresa, uma mulher de armas, à frente do seu tempo, que governou num mundo de homens e de conspirações.

Filha de Ximena Moniz do Bierzo, de quem herdou os olhos verdes e a astúcia, e de Afonso VI de Leão e Castela. Viúva aos 25 anos do Conde D. Henrique de Borgonha regeu com pulso de ferro o que era seu por direito. Em 1116, o Papa Pascoal II reconhecia-a como Rainha.

Pelo Condado Portucalense confrontou a meia-irmã e rival Rainha Urraca de Castela, o pai, a igreja Católica, os nobres portucalenses e até mesmo o seu próprio filho D. Afonso Henriques, na lendária Batalha de São Mamede. Trinta e três anos depois de ter chegado ao condado, via-se obrigada a fugir, derrotada e traída. Restava-lhe o consolo de ter a seu lado o seu amado, Fernão Peres de Trava, e a certeza de que Alberto, seu fiel amigo, escreveria, com verdade, a sua história.

Isabel Stilwell é a autora de romances históricos mais lida em Portugal. D. Teresa - Uma Mulher que Não Abriu Mão do Poder é um romance emocionante sobre esta personagem fundamental da nossa história - mãe de D.Afonso Henriques, amante de Fernão Trava e Rainha de Portugal.

A minha opinião

Caramba! Se tivesse de resumir este livro numa só palavra, Caramba seria a palavra escolhida. Aprendi mais sobre o nascimento desta nossa pátria neste livro do que em vários anos na escola. E isso é fantástico.
Desconhecia que o primeiro rei de Portugal era o filho mais novo de D Teresa e D Henrique e que tinha tido três irmãs e um irmão (que morreu com pouco mais de dois anos). E, por isso, terei, provavelmente, feito figura de parva quando, esta tarde, do nada, gritei - ah, até que enfim que ele nasce. Porque, sempre que D Teresa estava grávida eu achava que era ele. Mal sabia eu, quando dei esse grito aqui em casa, que ainda iriam nascer mais duas crianças, fruto da relação adúltera de D Teresa com Fernão Trava.
Aliás, é precisamente essa relação com Fernão Trava e o facto de D Teresa não renegar as filhas nascidas dessa relação (como poderia, se ela própria sabia o que era ser filha ilegítima), dizia eu então que foi essa relação adultera que despoletou a fúria de D Afonso Henriques, apoiado por muitos nobres que não viam, com bons olhos, uma mulher a governar o condado e muito menos uma mulher que vivia uma relação pecaminosa com um homem casado.
Outro dos detalhes que me era desconhecido era a quantidade de Urracas e Teresas que existiam na altura. Não sei se era falta de originalidade mas a verdade é que são nomes que se repetem na história do nascimento de Portugal. Ao ponto de ter tido necessidade, várias vezes, de consultar a arvore genealógica que a autora disponibiliza no inicio do livro.
E, senhores, que família disfuncional... Portugal e Espanha nasceram dos conflitos duma família disfuncional, em que pais e filhos, irmãos e irmãs, tios e sobrinhos, marido e mulher lutam entre si, traem-se mutuamente para, logo a seguir, fazer uma aliança que, seguramente, seria precária. Tirando as relações de D Teresa com a sua mãe, Ximema ou com o seu primeiro marido, D Henrique (pai de D Afonso Henriques e das irmãs mais velhas), nenhuma das outras estava a salvo de uma traição. Amavam-se entre si, mas à sua maneira.
Resumindo, estou seguidora fiel desta autora. Demorei a decidir-me a ler os livros dela (obrigado, mais uma vez, M.J. por me teres quase forçado a fazê-lo) mas agora que a descobri, terei de os ler todos).

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A Avó e a Neve Russa

por Magda L Pais, em 14.03.17

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A Avó e a Neve Russa de João Reis

ISBN: 9789898843654

Editado em 2017 pela Elsinore

Sinopse

As folhas caídas das árvores giram à minha volta com o vento, mas aperto mais o casaco, porque nem o vento nem as folhas-bailarinas me alegram com a melancolia, só me deixam ensopado em tristeza, como a chuva nos faz por vezes. Os homens não choram. Avanço. Os catos que vejo alinhados na rua voltam a ser árvores e a Babushka, deitada na cama de hospital, é uma criança que aumentou e encolheu.

Babushka está doente. Esta russa idosa, emigrante no Canadá, sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl. Esconde no peito a doença que a obriga a respirar a contratempo e lhe impõe uma tosse longa e larga e comprida e sem fim — um mal que a faz viver mergulhada nas memórias do seu passado luminoso, a neve pura da Rússia, recordação sob recordação.

Na fronteira com a realidade caminha o seu neto mais novo, de dez anos, um menino que não desiste de puxar o fio à meada e de tentar devolver a avó ao presente. Para ajudar Babushka, precisa de encontrar uma solução para os seus pulmões destruídos, sacos rasgados e quase vazios — mesmo que isso o obrigue a crescer de repente e partir em busca de uma planta milagrosa, o segredo que poderá salvar a família e completar a matrioska que só ele vê.

Narrado na primeira pessoa e escrito a partir da perspetiva de uma criança, A Avó e a Neve Russa é um livro feito da inocência e da coragem com que se veste o deslumbramento das infâncias. Romance simples e emotivo sobre a força da memória e da abnegação, relata a peregrinação de um neto através da esperança, do Canadá ao México, para encontrar a possibilidade de um final feliz.

 

A minha opinião

A alma da Babushka era então muito leve; e eu percebi que ela deixou de ser quem era quando não viu, no branco que caía no exterior, a neve russa da sua infância.

Termina, assim, um dos livros mais ternurentos que li nos últimos tempos (por culpa exclusiva da Márcia - a dar cabo da minha carteira desde há uns meses largos!).

Tal como em Uma vida à sua frente, A Avó e a Neve Russa tem, como narrador, uma criança, com toda a sua inocência e visão prática das coisas. Nunca sabemos o nome nem a idade da criança mas sabemos, com toda a certeza, que ama a sua avó e que, por ela, se dispõe a todos os sacrifícios.

Amplo de ternura - como já vos disse - mas também da inocência própria duma criança, A Avó e a Neve Russa é também um livro de esperança. Porque é apenas isso que o narrador pretende - que a sua avó se cure e que possa continuar a cuidar dele e do seu irmão.

Confesso que, influenciada já pela opinião da Márcia (já lá foram ler?), sabia que o autor não se iria descuidar na escrita. Os bons escritores são assim e, pelos vistos, João Reis caminha nessa direcção (mais um autor a conhecer melhor, seguramente!). O que não esperava, de todo, era ver alguns dos meus pensamentos enquanto criança expressos duma forma tão deliciosa. Ora leiam:

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Quantos de vós não pensaram o mesmo, quando eram crianças, e vos diziam que iam ao estrangeiro? Eu sim! Tal como me fazia confusão passar o ano e continuar tudo igual.

A ternura e a inocência duma criança a nu num livro que todos deviam ler. Sem excepção.

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