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Nem Todas as Baleias Voam

por Magda L Pais, em 10.06.17

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Nem Todas as Baleias Voam de Afonso Cruz

ISBN: 9789896651275

Editado em 2016 pela Companhia das Letras

Sinopse

Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. A ideia era organizar concertos com grandes nomes do jazz para lá das fronteiras do Muro e, assim, derrubar barreiras e preconceitos anti-americanos, seduzir o inimigo com a música e ganhar terra.

É neste pano de fundo que conhecemos Alex Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro, sem deixar rasto, sem deixar uma carta de despedida.

Erik Gould tentará de tudo para a reencontrar, mas não lhe restando mais esperança do que o acaso. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria..

A minha opinião

Dizem os entendidos que uma regra, para o ser, tem de ter uma excepção já que é ela - a excepção - que confirma a regra.

Para mim este livro é a excepção que confirma a regra. Tenho adorado (uns mais que outros) todos os livros que li de Afonso Cruz, sendo que, para mim, Para onde vão os guarda-chuvas é o melhor dos três que li.

Infelizmente este Nem Todas as Baleias Voam fica exactamente no oposto. A tal excepção que confirma a regra. Apesar de ter achado interessante (o suficiente para o ler até ao fim), a verdade é que me apaixonei, não me prendeu, não me trouxe o factor UAU que os outros livros deste autor me trouxeram. Talvez por ser uma escrita totalmente diferente dos outros livros, talvez pelo timing da leitura, talvez ... nem sei bem explicar porque, a história é fabulosa (foi o que mais gostei) mas a escrita, desta vez, não me prendeu como das outras vezes.

Pode ser (acredito que seja) problema meu. Para termos a certeza, leiam vocês também e digam-me o que acham. Conversemos sobre isto e, quem sabe, eu mudo de opinião.

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O Quarto de Jack

por Magda L Pais, em 04.06.17

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O Quarto de Jack de Emma Donoghue

ISBN: 978-972-0-04343-6

Editado em 2016 pela Porto Editora

Sinopse

Original, poderoso e soberbo, Jack é inesquecível: a coragem e o imenso amor numa história perturbante contada pela voz da inocência.

Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.

O quarto é um lugar que nunca vai esquecer; o mundo é um sítio que nunca mais olhará da mesma maneira.

A minha opinião

Se quisesse definir este livro numa única palavra, seria angustia. Este é, sem dúvida alguma, um livro angustiante. Porque Jack é uma criança de cinco anos que não sabe o que sentir o sol na cara, o vento, que há outras crianças como ele. Não sabe o que é correr ou molhar-se à chuva. Nunca viu um escorrega ou um baloiço. Nunca subiu ou desceu umas escadas. Não conhece outras pessoas sem ser a sua mãe. E o Nick Mafarrico que aparece, no quarto onde Jack vive, de vez em quando, mas, mesmo assim, a ele só lhe conhece a voz porque tem de ficar fechado no Guarda Fato quando ele aparece. Para Jack, o mundo reduz-se a um pequeno quarto com uma pequena clarabóia, onde a única visão do resto do mundo é através da televisão. Para Jack, o mundo é aquele quarto.

Através dos olhos de Jack, vamos percebendo como o quarto - apesar de muito pequeno - é enorme. E como o mundo - fora do quarto - pode ser assustador para quem nunca o viu.

Angustiante.

Mas também ternurento porque a história é-nos narrada por uma criança, com toda a sua inocência e ternura, sem maldade ou malícia.

E depois, quando Jack e a mãe saem, finalmente, do quarto, a mesma ternura e inocência no relato do mundo lá fora. Que assusta mas, ao mesmo tempo, atrai.

Este é um livro que - tirando a parte da fuga - se degusta devagarinho, sem a ânsia de querer saber o fim, que pode ser lido calmamente, sem aquela necessidade de se chegar ao fim para saber como acaba. E é, acima de tudo, um livro que recomendo a todos, principalmente aos que se queixam do pouco que tem, para que percebam como se consegue, do pouco, fazer muito.

(leia aqui as primeiras páginas)

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O Assassino do Bobo

por Magda L Pais, em 02.06.17

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O Assassino do Bobo de Robin Hobb

Saga Assassino e o Bobo nº 1

ISBN: 9789897730528

Editado em 2017 pela Saída de Emergência

Sinopse

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…

A minha opinião

Uau! Uau! Uau! FitzCavalaria Visionário está de volta e eu, logo que soube que ele voltar, parecia uma adolescente idiota a festejar o regresso do Amado (creio que, quem conhece esta saga irá perceber a razão desta palavra. Quem não conhecer, vai só achar que estou a precisar urgente de cuidados. Se assim for, saia uma cura pelo Talento para mim).

Divagações à parte (até porque, se é para divagar, que seja sobre qual a magia que eu preferia. Manha - a capacidade de nos unirmos mentalmente a um animal - ou Talento - demasiado complexa. Por mim seria a Manha que o Talento parece-me necessitar de mais trabalho)

Dizia eu, divagações à parte, a verdade é que, na última semana, regressei a Torre do Cedro e a Floresta Mirrada na companhia de FitzCavalaria Visionário, Don Breu, Urtiga e Moli. Faltou-me Olhos-de-Noite, o Lobo de Tomé Texugo e o Bobo. Mas, em compensação, uma nova personagem (fulcral nesta nova trama) encheu-me de alegria.

Leio sempre nos transportes públicos, enquanto almoço ou janto. Na casa de banho ou ao domingo à tarde, enquanto vegeto no sofá. Raramente leio nos elevadores ou me sento no sofá, depois de jantar a ler (excepto em período de férias) mas O Assassino do Bobo fez-me ler nesses momentos mais raros. Ou enquanto esperava na fila para pagar o pequeno almoço. Ou enquanto esperava pelo autocarro. Eu tinha de saber mais, tinha de ler mais aquela página, mais aquele capitulo, mais o livro todo. Mas, ao mesmo tempo, e enquanto sentia que o fim deste livro estava a chegar (e FitzCavalaria - estupidamente - não percebia a enigmática mensagem que recebe do seu Amado), sentia também angustia por perceber que vou estar uns meses à espera da continuação desta fantástica história. Conhecem essa sensação? a de querermos acabar um livro mas não o queremos acabar?

Agora resta-me esperar. Esperar que saia o segundo volume desta saga (que espero e desejo que não demore muito que me parece que o meu coração não aguenta). A menos que, pelo meio, saia algum livro de Anne Bishop...

 

 

(delicie-se aqui com as primeiras páginas)

 

 

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Por Treze Razões

por Magda L Pais, em 22.05.17

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Por Treze Razões de Jay Asher 

ISBN: 9789722360517

Editado em 2017 pela Editorial Presença

Sinopse

Ao regressar das aulas, Clay Jensen encontrou à porta de casa uma estranha encomenda com o seu nome escrito, mas sem remetente. Ao abri-la descobriu sete cassetes com os lados numerados de um a treze. Graças a um velho leitor de cassetes, Clay é surpreendido pela voz de Hannah Baker, uma adolescente de dezasseis anos que se suicidara duas semanas antes e por quem estivera apaixonado. Na gravação, Hannah explica os treze motivos que a levaram a pôr fim à vida. Guiado pela voz de Hannah, Clay testemunha em primeira mão o seu sofrimento e descobre que os treze motivos correspondem a treze pessoas…

A minha opinião

Por norma não gosto de ler o livro da moda nem ver a série da moda. Prefiro que a poeira assente e que eu possa desfrutar do livro ou da série sem ruído de fundo, sem ouvir isto ou aquilo. Mas atendendo ao tema e ao enorme mediatismo que este livro/série tem tido cedi a violar esta norma.

Antes de passar ao livro, deixem-me apenas contar-vos que, quando a minha Maggie viu que eu o ia começar a ler me perguntou: mas porque vais ler essa porcaria? (não foi bem porcaria que ela disse mas vamos lá manter o nível aqui no blog). Quis, claro, perceber porque é que ela dizia isso ao que ela me respondeu: mãe, é uma série estúpida, o livro não vai ser melhor de certeza. Mas já viste? não, nem preciso. Não tenho paciência para vitimas.

Bom, não aprofundei mais a conversa porque ainda não tinha lido o livro, pelo que deixei o resto da conversa para quando o acabasse. (e sim, já falamos as duas sobre o assunto).

Não sou psicóloga, sou mãe. Já fui adolescente. Tenho dois adolescentes em casa. E, em 2014, por acidente, encontrei várias páginas de incentivo à automutilação e ao suicídio no facebook. Não se falava, na altura, na Baleia Azul nem nas treze razoes que levaram a que Hannah se suicidasse. E eu li essas páginas...

E, enquanto lia este livro, vieram-me à memória todas as barbaridades que li nessas mesmas páginas. Porque este livro pode ser resumido numa frase que li na altura: Quando morreres, todos vão gostar de ti.

(de notar que esta frase estava numa imagem dum caixão com pessoas a chorar à volta)

Sim, porque, para mim, é o que se passa neste livro. Hannah - uma adolescente deprimida, que se vitimiza em excesso, que mete na cabeça que se quer suicidar, que os pais não se apercebem do que se passa, que tem várias hipóteses de falar com professores e amigos (com o Clay, por exemplo) e não faz nada para pedir ajuda - suicida-se. E ao fazê-lo, todos aqueles que a prejudicaram se arrependem e dizem que até gostavam dela...

Além de todos passarem a gostar dela, Hannah, ao deixar as treze razões - que correspondem a treze pessoas que a influenciaram a tal - está também a vingar-se, ao desmascarar os outros adolescentes. A vingança... Se morreres podes vingar-te do mal que te fizeram.

Portanto, está classificado como juvenil um livro que pode ser entendido (quanto a mim, reforço) como um incentivo ao suicídio com dois bónus: passam a gostar de ti e tens a oportunidade de te vingares.

Muito muito perigoso. Perigoso porque o público alvo deste livro - os jovens - são influenciáveis, podem estar com sérios problemas de depressão (a depressão juvenil existe, não é um mito nem é uma moda) e um simples livro pode funcionar como gatilho para o suicídio. Acredito, honestamente acredito, que não foi essa a intenção do autor mas é a sensação que me passa.

Pode - eventualmente e em alguns casos - funcionar como alerta. Quem sabe algum adolescente mais consciencioso, mais atento, depois de ler este livro pode detectar, nalgum colega, os sintomas que Hannah mostrava antes de se matar e, quem sabe, salvar uma vida.

Não quero, com isto, dizer que não devem ler o livro ou que não o devem dar a ler aos vossos filhos. Acima de tudo acho - mas reforço que é a minha opinião - que tanto o livro como a série devem ser lidos ou vistos em família, pais e filhos, de modo a não romancear demasiado o suicídio e para que se fala - em família - de cada uma das razões, do que Hannah devia ter feito ou o que fez, de como os amigos podiam ter ajudado.

Lido o livro, não tenho, de momento, qualquer interesse na série. Pode ser que um dia a veja...

 

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Imitação Mortal

por Magda L Pais, em 18.05.17

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Imitação Mortal de J. D. Robb

Editado pela Chá das Cinco em 2017

ISBN: 9789897102943

Sinopse

Num jogo letal de gato e rato, Eve Dallas irá enfrentar um admirador de um dos mais infames assassinos de todos os tempos…

Um homem de capa e cartola aproxima-se de uma prostituta numa viela escura de Nova Iorque. Minutos depois, ela surge morta. No cenário do crime, um bilhete é endereçado à Tenente Eve Dallas, convidando-a a juntar-se a um jogo que irá revelar a identidade do criminoso. A carta contém apenas a assinatura de “Jack”.

Dallas é forçada a ir em perseguição de um assassino que sabe tanto de serial-killers quanto ela, um homem que estudou alguns dos homicídios mais infames de sempre. E não só é um especialista como quer deixar a sua própria marca.

Ele já escolheu a sua próxima vítima: Eve Dallas. E a única coisa que ela sabe é que o assassino planeia imitar o mais famoso assassino de sempre: Jack, o Estripador.

A minha opinião

Os cinco. Os sete. As minhas primeiras paixões literárias. Livros policiais para jovens. Mais tarde a minha paixão literária passou a ser ficção cientifica. Livros que se passariam no futuro tinham a minha preferência. Lembro-me de alguns que li e reli tantas vezes que me lembro, volvidos quase 30 anos, de quase todas as histórias.

Mais tarde passei a fase Agatha Christie. Li todos os policiais desta autora, também várias vezes (e ainda me lembro do nó no estômago sempre que lia o livro “cai o pano”).

Passei, como quase todos passamos, por aquela fase da leitura de romances. Não de cordel mas romances com qualidade. Com partes mais eróticas, com outras mais românticas. Claro que, nesta fase, Nora Roberts era a minha autora favorita.

Hoje só leio Nora Roberts, quando algum dos seus livros se aventura na fantasia como foi o caso da trilogia do Circulo. Mas leio, sempre com redobrado prazer, J. D. Robb. Sim, é parvo, eu sei, já que J. D. Robb é um pseudónimo de Nora Roberts mas, para mim, é como se fossem dois autores diferentes.

E porque esta introdução sobre as algumas das minhas fases literárias? Porque a série “mortal”, escrita de forma magistral por J.D. Robb mistura, num só livro, a ficção cientifica (os livros passam-se algures em 2059) os policiais, o romance (com umas pequenas pitadas de erotismo) e o mistério. Mas não só. J.D. Robb consegue, apesar dos temas habitualmente pesados, alguns momentos bem dispostos, com ironia, bem enquadrados. E tão bem que sabe ler um livro que faz tudo isto em versão Muito Bom!

Livros assim – como este Imitação Mortal – demoram pouco tempo a ler. Porque não os consigo largar enquanto não sei quem é o criminoso. E mesmo sabendo quem é o criminoso, quero perceber como é que ele é apanhado.

Este é o 17º livro desta série. Confesso que já li uns quantos (curiosamente ainda não li o primeiro) e, neste 17º faltou-me um ingrediente. Summerset, o empertigado mordomo de Roarke tirou férias e só aparece nas últimas páginas, o que me roubou algumas gargalhadas já que a relação que Summerset tem com Eve, a personagem principal e esposa de Roarke, é tão atribulada que nos dá direito a umas gargalhadas extras. Mas pronto, suponho que o rapaz tenha direito a férias também...

Neste livro – mais uma vez – a maldade humana vem ao de cima, com um assassino que mata por prazer, que usa e abusa do poder que detém sobre a vitima. Uma mente retorcida que mata com requintes de malvadez, cabendo a Eve descobrir quem é o criminoso a tempo de evitar mais assassinatos.

Um livro a ler, uma série a acompanhar. E não temam comprar este livro sem ter lido os restantes. Apesar de haver um fio condutor – as relações pessoais de Eve, Roarke, Peabody, Feeney, Mira, Commander Jack Whitney, Mavis, Nadine Furst e Summerset, que naturalmente, vão evoluindo de livro para livro –, cada um dos livros pode ser lido de forma independentemente porque a história principal começa e acaba.

Portanto, e em suma, se gostam de livros que misturam humor e mistério com romance e investigação policial com algumas pitadas de erotismo, este livro é o livro certo para ler. Se pensam que não gostam... bem, só posso acreditar que pensam isso porque ainda não leram nenhum desta série e, portanto, está na altura de o fazerem.

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