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A Mão do Diabo

por Magda L Pais, em 14.09.16

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A Mão do Diabo de José Rodrigues dos Santos

Publicado em 2012 pela Gradiva

ISBN: 978-989-616-494-2

Lido em 2012 

Sinopse

A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo do liceu perseguido por desconhecidos.

O fugitivo escondeu um DVD escaldante que compromete os responsáveis pela crise, mas para o encontrar Tomás terá de decifrar um criptograma enigmático.

O Tribunal Penal Internacional instaurou um processo aos autores da crise por crimes contra a humanidade. Para que este processo seja bem-sucedido, e apesar da perseguição implacável montada por um bando de assassinos, é imperativo que Tomás decifre o criptograma e localize o DVD com o mais perigoso segredo do mundo.

Numa aventura vertiginosa que nos transporta ao coração mais tenebroso da alta política e finança, José Rodrigues dos Santos volta a impor-se como o grande mestre do mistério. Além de ser um romance de cortar o fôlego, A Mão do Diabo divulga informação verdadeira e revela-se um precioso guia para entender a crise, conhecer os seus autores e compreender o que nos reserva o futuro.

 

A minha opinião

Tomás Noronha é despedido da faculdade onde lecciona e, como tal, vai-se inscrever no Centro de Emprego para receber o subsídio de desemprego. É Alexandre, um outro desempregado que conhece no Centro de Emprego, que lhe explica como deve proceder. Alexandre, que se espera que tenha um comportamento atípico dos restantes desempregados, mostra-lhe também como se engana o Estado para se continuar a receber o subsídio sem fazer coisa alguma. Começa aqui a nossa viagem pelos meandros da economia nacional e mundial. JRS explica, numa linguagem acessível a todos, como é que chegamos à Segunda Grande Depressão, começando na Primeira Grande Depressão, em 1929. Neste livro encontramos a ligação entre as notícias económicas que vemos neste ou naquele jornal e que, aparentemente, não teriam qualquer ligação.

É o próprio JRS que diz, na nota final, que, por causa deste livro, pode ser apelidado de neoliberalista radical ou esquerdista irresponsável. Na verdade, o que este livro faz é “chamar os bois pelos nomes”. Aliás, é precisamente por isso que elejo a seguinte frase como a principal do livro

...os eleitores têm tendência a votar em políticos que lhes vendam ilusões e prometam facilidades, subsídios, pensões e salários mais altos que a produtividade...

e é por isso que chegámos ao ponto em que chegámos.

No fulcro da “mão do diabo” está um DVD que Filipe, amigo de infância de Tomás Noronha, gravou. JRS esclarece, na mesma nota final, que o conteúdo desse DVD é “ficção”. Assim mesmo, entre aspas.

Como romance, a Mão do Diabo, está, no meu entender, ao excelente nível que JRS já nos habituou. Como manual para entender a actual crise económica, devia ser de leitura obrigatória por todos.

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14 comentários

De A rapariga do autocarro a 14.09.2016 às 14:08

O que me irrita mesmo é vir aqui, ler os posts e depois confirmar que não tenho tempo para ler tudo o que quero!!! O JRS é aquele escritor que escreve livros mais rápido do que consigo ler!!!

De Maria Flor a 14.09.2016 às 14:16

Podes crer, ele chega a escrever dois "calhamaços" daqueles num ano. Até me faz confusão como é que ele tem tempo para tanta coisa, deve ser outro Marcelo Rebelo de Sousa, "O homem que nunca dorme"!

De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:38

ahahahahah deixa lá, tenho a mesma sensação cada vez que abro o email da Wook ou da Saida de Emergência

De Maria Flor a 14.09.2016 às 14:13

Já o li e gostei muito, aliás como tenho gostado de todas as obras que tenho lido dele que, diga-se, só não li ainda os dois últimos!

De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:39

tás como eu. Os dois últimos estão a aguardar que saia o terceiro para ler todos de seguida

De edite a 14.09.2016 às 14:29

Eu gosto de alguns dos  livros dele ("Anjo Branco", "A Filha do Capitão", "A Vida num Sopro, etc.), porém, todos os que têm o personagem Tomás de Noronha me aborrecem, em especial na parte em que as suas "falas" são longas, técnicas e maçadoras. Em situações de perigo, não imagino ninguém a explicar o quer que seja e muito menos com detalhes. 
O JRS deveria pensar mais nos seus leitores. Falo por mim, acho que os diálogos mais pequenos agradariam a todos, com a vantagem de que os livros se tornariam mais pequenos e, qui ça, mais baratos.



De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:39

também tens razão sim, há alturas que penso no mesmo. há dialogos que não fazem sentido 

De edite a 20.09.2016 às 20:12

Eu tenho colegas que não conseguiram ler a mão do  por causa dos diálogos secantes!

De the book keeper a 15.09.2016 às 14:53

Este não é um livro para ingénuos. É preciso querer abrir os olhos e ter consciência que depois disto, já não há como ignorar a corrupção e falta de carácter das instituições e atores políticos no nosso país. Aproveito para recomendar o livro do Michael Lewis - Big Short - que explica de forma hilariante, simples e directa as razões que estão na base da crise económica nos EUA, que no fundo despoletou todas as outras. Beijinhos :)

De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:42

este livro é, efectivamente, um grande abre olhos para muita gente. É verdade que tem algumas partes mais técnicas e que se podem tornar chatas mas acho que explica tudo de forma a que se perceba. Pena que nem toda a gente se aperceba disso (e ainda ache que o homem andou a inventar)

De Catarina a 17.09.2016 às 13:43

Eu gostei imenso de ler esse livro. Depois de ler JRS, Dan Brown deixou de ser interessante.
Gosto imenso do modo como ele liga a realidade à ficção. Ainda gosto mais da pesquisa que ele faz em torno de cada livro, especialmente quando mete física lá pelo meio (Fórmula de Deus, O Último Selo, A Chave de Salomão). Para mim, esses são os melhores livros dele, mas isso deve-se ao meu interesse pela física.
Sei que muita gente acha que os livros de JRS são uma espécie de lavagem cerebral, mas no meio de tanto mau livro que tem sido publicado, acho que podiam mudar o alvo de críticas. Os livros deles ajudam as pessoas a entender mais facilmente o que se passa em nosso redor. 
Se são fáceis de ler? São. Mas nem toda a gente tem vontade de ler sempre livros complexos. Eu, por exemplo, estou a ler um livro para jovens adolescentes. E estou a adorá-lo

De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:43

tal e qual. Eu gosto de variar entre livros complexos e livros de leitura fácil. Há espaço para todos e o fundamental é que se gosto. No caso dos livros de JRS há a grande vantagem de se aprender imenso (desde que se queira, naturalmente)

De Isaura Pereira a 19.09.2016 às 17:01

Este é dos pouco do JRS que ainda não li, mas é dos que tenho mais curiosidade.
Quando foi lançado ouvi uma entrevista sobre o livro e gostei.
Quero ler.
Beijinhos e boas leituras

De Magda L Pais a 20.09.2016 às 09:44

é um excelente livro. Para entreter e para aprender. Vais ver que não te arrependes de o ler

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