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A Tragédia da Rua das Flores

por Magda L Pais, em 22.08.16

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A Tragédia da Rua das Flores de Eça de Queirós

 

Sinopse

Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva.
Ao saber que era amante do seu próprio filho, Genoveva atira-se da varanda de sua casa, na presença de Vítor, que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.

 

A minha opinião

E, aos 46 (ou será 47?) tenho a minha primeira experiência com Eça. Uma tragédia. Ou teria sido uma tragédia se eu não tivesse adorado ler A Tragédia da Rua das Flores. Percebi, com esta leitura, que afinal a minha impressão da adolescência, de quando somos obrigados a ler Os Maias, de que não iria gostar de ler Eça de Queiroz, era completamente errada e, com isto, fiquei com vontade de ler mais deste autor português. Talvez não Os Maias, para já, uma vez que este livro é o primeiro esboço do autor daquele livro e, por isso, estaria a ler a mesma história. Com mais escrita, talvez melhor, mas a mesma história.

A Tragédia chegou às minhas mãos, pela primeira vez, no âmbito do livro secreto. Aliás, ao que parece, e nas palavras da MJ

lembro-me que pensei na coisa quando percebi que havia alguém que ainda não tinha lido eça. na minha cabeça não se ler eça, lendo-se outros mil autores, mesmo aqueles muita fraquitos, é mais ou menos como adorar porco, comer-se até os tintins do dito em cebolada, mas nunca se ter provado leitão à bairrada.

Sim, era eu. Eu, aquela que lê imenso e nunca tinha lido Eça.

Mas acontece que o livro que chegou às minhas mãos era uma das primeiras edições (de 1980) dos Livros do Brasil, com um grafismo péssimo, folhas demasiado finas, letras mal impressas... E eu lia uma ou duas páginas e ficava com dores de cabeça intensas. Acabei por não o ler mas comprometi-me - comigo e com as outras participantes - que iria procurar uma edição melhor que me permitisse cumprir o objectivo. Ler o meu primeiro Eça. Ler a Tragédia da Rua das Flores.

Foi o que fiz. E em boa hora o fiz.

A escrita de Eça é sedutora e habilidosa. As figuras de estilo e as descrições (algumas demasiado extensas, é verdade) são fabulosas e levam-nos numa viagem pelo tempo, a uma Lisboa do século XIX, com intrigas e paixões, numa sociedade hipócrita e fútil. Aliás, este livro é uma crítica social acérrima a essa mesma sociedade (e até, em parte, à actual sociedade).

É também este o encanto de Eça. Apesar de ter vivido há mais de 100 anos, as suas críticas sociais são intemporais, assim como as paixões e intrigas. E, se hoje choca que uma mãe e um filho se apaixonem (apesar de não se conhecerem como tal), imaginem em 1877 (data em que este livro terá sido escrito). Avançado para a época em que viveu, ainda actual mais de 100 anos depois.

Não vos quero obrigar a ler este ou outro livro de Eça. Não me parece que ler por obrigação seja o melhor. Mas que vos aconselho vivamente a experimentar este autor, sem dúvida. Comecem pela Tragédia da Rua das Flores. É mais pequeno que Os Maias e lê muito bem. Vão ver que não se arrependem. Eu não me arrependi!

 

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10 comentários

De Maria das Palavras a 22.08.2016 às 10:27

Sugiro que sigas com a Relíquia que acho que te vai fazer rir (não é a mais apreciada pelos grandes fãs de Eça - eu sou fã, mas mais das suas maravilhosas figuras de estilo do que das histórias todas - , mas acho que é a tua cara). Também tens o Crime do Padro Amaro, maravilhoso, ou o Primo Basílio, que ainda não li, porque conheço sobejamente a história, logo vou sempre adiando, mas quero muito ler.

De Magda L Pais a 22.08.2016 às 11:54

Conheço mais a história do Padre Amaro do que O Primo Basílio :p mas já pedi que me emprestassem a Reliquia. Quem me vai emprestar, o meu colega da secretária ao lado, diz a mesma coisa. Que a Reliquia é a minha cara

De Pandora a 22.08.2016 às 11:58

Esse é um dos poucos de Eça que ainda não li. 
Quanto ao enredo, é um clássico da mitologia grega, eternizado pela tragédia de Sófocles: a história do Rei Édipo, que casa com a própria mãe, Jocasta, sem o saber.
Eça vale pela sátira de costumes, pela ironia, pelas personagens que desfilam perante os nossos olhos cheias de realismo e traços que identificamos e reconhecemos nos dias de hoje. 
Agora fiquei com vontade de reler Eça. Ahhhh!

De Magda L Pais a 22.08.2016 às 12:19

Diz quem leu os dois (Os Maias e A Tragédia) que a história é a mesma. Aliás, ao que parece A Tragédia foi uma espécie de esboço para Os Maias. Mas vale a pena, até como introdução à obra de Eça de Queiroz para quem nunca leu.

De Pandora a 22.08.2016 às 14:48

Há temas em Eça que são transversais na sua obra. Eu adoro-o pelas personagens e pela sátira de costumes. Boa incursão ao mundo queirosiano. Deste lado despertaste as saudades do bom Eça 

De Magda L Pais a 22.08.2016 às 21:42

Sim, tambem acho que foi um bom principio! a seguir virá a Reliquia

De As Minhas Quixotadas a 22.08.2016 às 15:45

Acredite em mim: com Os Maias não estará de todo a ler a mesma história. Já li A Tragédia da Rua das Flores e já li Os Maias e são muito diferentes. N’Os Maias, além a acção principal que tem que ver com os amores incestuosos de Carlos e Maria Eduarda, existe uma acção secundária que é riquíssima e não menos cativante que a outra: a que representa os “episódios da vida romântica” referidos no subtítulo da obra. Até hoje, Os Maias foi o único livro capaz de tirar-me o sono de tão envolventes que são o enredo e as personagens.

Para continuar com Eça, num registo mais ligeiro, sugiro O Primo Basílio. Se pretender algo escandaloso e mesmo muito queirosiano, O Crime do Padre Amaro é uma boa escolha. Mas depois atire-se a Os Maias que é do melhor!

Boas leituras. :)

De Magda L Pais a 22.08.2016 às 21:50

Para já vou ler a Relíquia, quando me trouxerem. E sim, irei ler Os Maias mas não já :D

De edite a 23.08.2016 às 10:03

Adoro Eça de Queiroz Fiquei com vontade de reler os livros dele. 
A propósito, já leste o  livro do trineto de Eça?


  

De Magda L Pais a 06.09.2016 às 11:42

Por acaso não. Nunca li o trineto mas é um dos autores que quero ler em 2017

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