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Escritor vs Pessoa

por Magda L Pais, em 19.01.16

escritores-dinamo.jpg

A discussão começou aqui e depois passou para aqui. Começa por ser um caso isolado, o de Marion Zimmer Bladley, acusada pelos filhos – após a sua morte – de ser pedófila mas, na verdade, pode ser aplicado a qualquer escritor.

Devemos, ou não, julgar a obra pela pessoa? Ou o inverso?

Posso estar errada, admito que sim, mas creio que ambas devem ser dissociadas. Não podemos, ou não devemos, julgar um livro pelo seu escritor. Se há casos em que um texto é um livro aberto para a personalidade do seu escritor, noutros casos é o oposto que se passa. E não podemos ter a veleidade de achar que conhecemos, ao pormenor, a vida de todos os escritores.

Sabemos lá nós, por exemplo, quem foram ou o que fizeram, na sua vida privada, Jane Austen, Thomas Mann, Victor Hugo ou Alexandre Dumas. Quem nos garante que, no seu tempo, não cometeram crimes de alguma espécie e, no entanto, são escritores reconhecidos? Homero, Virgílio e Platão viveram numa época em que a pedofilia e a homossexualidade eram aceites (na verdade esses conceitos nem sequer existiam) mas as suas obras continuam a ser lidas e estudadas.

Será que, e voltando ao caso que deu origem a esta reflexão, As Brumas de Avalon perdem o seu valor literário por a autora ser – alegadamente – pedófila? Creio que não. Um livro ou está bem escrito ou está mal escrito. Ou gostamos ou não gostamos. Não passa dum lado ao outro da barreira porque a autora cometeu um crime sexual (apesar de, obviamente, este ser o pior tipo de crime que se pode cometer).

Dou ainda outro exemplo. Não suporto Miguel Sousa Tavares. Acho-o execrável e arrogante. Uma besta, em suma. No entanto adoro os seus livros. São fabulosos e muito bem escritos. Equador é um excelente exemplo.

Quando compro um livro, não olho apenas para o seu autor. Olho para a sinopse, para a capa, tento ler algum excerto e consulto no goodreads a opinião de quem já o leu. É história que está no livro que me interessa, não a vida do seu autor. Separo as águas e usufruo da leitura. Não direi que é a atitude correcta mas é a que me parece melhor.

E vocês, são influenciados pela vida do autor ou pela sua obra?

 

Nota final: Para quem quiser ler mais sobre as acusações feitas a Marion Zimmer Bladley, recomendo os seguintes links

Autores vs os seus livros, uma reflexão sobre Marion Zimmer Bradley

Transcrição do depoimento da autora aquando do julgamento do marido

Noticia on line do jornal The Guardian

Email de Moira Greyland (filha da autora)

Autoria e outros dados (tags, etc)


54 comentários

De Sofia Almeida a 19.01.2016 às 12:16

Eu não fazia ideia das acusações sobre Marion Zimmer Bradley, acabo de descobrir agora. Os livros d'As Brumas de Avalon são também dos meus favoritos de todos os tempos. Não sei assim tanto sobre a autora como pessoa, talvez seja por isso que não esteja tão chocada como se calhar outras pessoas, mas não sei como vou encarar os livros a partir de agora...

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 12:24

mas, lá está, achas que os livros vão perder qualidades porque ela fez o que fez?

De Sofia Almeida a 19.01.2016 às 12:41

Não necessariamente, mas uma das coisas que gostava nos livros é que, de uma maneira retorcida, humanizava o incesto (bem como a homossexualidade de certa forma, embora seja diferente). Saber agora que ela abusava da própria filha vai mexer com isso...


Eu, de qualquer forma, estou um bocadinho de pé atrás nestas alegações só porque a acusada já morreu e não se pode defender. Não que eu esteja a acusar a filha de estar a inventar, mas respeito a máxima de "inocente até prova em contrário".

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 12:48

bom, eu concordo plenamente contigo na segunda parte. Não querendo desculpar o eventual comportamento, a verdade é que a acusada não se pode defender e por isso nunca vamos saber o que realmente se passou. Só estamos a ouvir uma parte da história e não a totalidade.


Quanto à primeira parte... o incesto cometido no livro (sem querer abrir demasiado a história que pode haver quem leia isto sem ter lido o livro) e a homosexualidade que por lá paira são diferentes da pedofilia. Além disso o livro passa-se numa altura em que os casamentos aconteciam muito cedo, aos 14/15 anos das mulheres - o que, na verdade, hoje em dia é considerado pedofilia mas na altura não era atendendo a que a maior parte morria muito jovem

De Sara a 19.01.2016 às 12:56

Neste caso pesa: pelos vistos a senhora pautava-se por um comportamento moral (era até feminista tanto quanto li) que não passava de um embuste - se isto era algo que "transpirava" para os seus livros, então é difícil não encara-los também dessa forma. Além disso se os livros contêm cenas sexuais...É difícil não imaginar. Muitas pessoas irão continuar a ler, mas acho que vão mesmo haver algumas que não mais vão pegar num livro dela - é um crime horrível e grotesco, pessoalmente é das coisas que mais me custa a engolir. Se o autor era um bêbedo ou fez um desfalque ainda se consegue...Não são coisas que me choquem logo passo bem à frente. Há casos e casos e depende da sensibilidade de cada um (tb pesa o facto de a senhora estar morta...Nunca estando viva eu iria gastar dinheiro nos seus livros)


Também não me espanta que o caso só tenha vindo a lume agora: o trauma causado por este tipo de abusos dura a vida inteira - muita gente nunca chega a conseguir falar. Quanto mais se o agressor é vivo e famoso. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 13:11

Repara, concordo plenamente contigo quando dizes que os crimes sexuais com crianças são os mais horrendos, grotescos e difíceis de engolir. Totalmente e a 200% (se tal fosse possível) de acordo. Mas... (e atenção que são dos livros que li mais vezes e que sei quase de cor), nos quatro livros das Brumas de Avalon tens uma cena de incesto, tens homossexualidade e algumas - poucas - cenas de sexo consesual entre adultos e nenhuma cena que se possa considerar minimanente pedófila (aliás, as descrições das cenas de sexo - qualquer uma delas - é minima)
Não sei se ela foi pedofila ou não, mas sei que os livros dela não o mostram. 
E, como eu disse no texto... que garantias temos (precisamente porque as vitimas raramente falam no assunto) que não há mais casos entre outros escritores dos quais continuamos a gostar?

De Sara a 19.01.2016 às 13:15

Não temos nenhuma, mas isso seria sofrer por antecipação e não vale a pena...Isto são casos concretos. Se acontecer com outro autor: se estiver morto logo se vê, se estiver vivo não compro mais livro nenhum. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 14:03

não consigo misturar as duas coisas - obra e autor. Na maior parte dos casos nem sequer conheco o autor ou a sua história de vida. Sei apenas que gosto do que escreve

De Sara a 19.01.2016 às 14:22

Se o autor estiver vivo isso não é estar a contribuir para que continue a sua vidinha? Se já estiveram mortos pelo menos não vão beneficiar e ai já entra a sensibilidade de cada um...

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 14:25

não exactamente se, por exemplo, comprares o livro em segunda mão, o leres emprestado ou fores buscar a uma biblioteca...

De Sara a 19.01.2016 às 14:37

Isso são casos pontuais - a maioria das pessoas chega a uma livraria e compra, mesmo que não compre mais nada o resto do ano...É um autor famoso. Vais continuar a ir ao cinema ver esses filmes?

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 14:45

Deixa de ser bom actor? perde capacidades?


Ok, ver um  filme em que um actor é declaramente e confirmadamente pedófilo, talvez evite ver. Mas ler? é um livro, papel. Não estou a olhar para a pessoa em sim, mas sim para a sua obra

De Sara a 19.01.2016 às 15:18

Estás a apoiá-los...Papel ou tela de cinema é o mesmo. Há infelizmente muita gente que se safa de acusações de abuso apenas porque são ricas - as vitima passam um inferno e eles continuam a engordar a conta...Nem é preciso citar exemplos. É um situação repugnante e não quero fazer parte dela - esta cultura que usa desculpas para situações de abuso. Agora se está morto...Depende. A maioria dos autores são apenas pessoas irritantes, não necessariamente criminosos. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 15:24

não concordo quando dizes que os estou a apoiar. Eu separo a obra do autor. Ler um livro não é apoiar o autor e dizer - vá, abuse  lá das criancinhas todas ao seu redor. Ler um livro é ler um livro. Os livros não são as pessoas. Eu defendo e defenderei sempre que tem de se separar as águas - uma coisa é a obra, outra coisa é a pessoa. 

De Sara a 19.01.2016 às 16:09

Não vejo assim: por alguma razão se diz "compre livros em português, dê apoio aos autores nacionais" ou "faço like neste mini-filme e ajude o criador" - a partir do momento em que alguém comete um crime grave e continua como se nada fosse - é isso que estamos a dizer. Continuo a achar-te maravilhoso, ok a tua filha diz que abusaste dela mas deixa lá...Tudo o que envolva crimes sexuais faz-me logo ficar de pé atrás - é a minha sensibilidade particular. Alguém que escreve um livro com uma personagem feminina fantástica, por exemplo, e por trás abusa da filha ou de crianças ou de quem quer que seja - é do mais contraditório que pode haver. Claro que isto são situações muito específicas...

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 16:14

Desculpa, continuo a não concordar. Quando compro um livro em português estou a apoiar o livro e não o crime que o autor tenha cometido. Quando vejo um filme estou a apoiar o filme e não o realizador e/ou actor que tenha cometido um crime. Quando ouço uma música do Michael Jackson não estou a apoiar os crimes que ele cometeu

De Sara a 19.01.2016 às 17:49

O autor escreve, tu compras, o fulano também compra, o autor recebe parte do dinheiro, escreve outro livro, com sorte pode até vir a viver só do que escreve...O mesmo para os realizadores. Quando eles morrerem toda a gente vai chorar e todos contribuímos, mas ninguém vai chorar as vítimas - para mim é revoltante. Falo de autores vivos, não falecidos...Concordo que temos de separar uma coisa e outra e em muitos casos até é relativamente simples, mas não é possível um distanciamento total e completamente imparcial - há muitos factores complicados envolvidos, sensibilidades e experiências. Para mim é perfeitamente compreensível que alguém não queira ler livros dessa autora, como acho que muita gente vai continuar a faze-lo na boa. Tudo depende do que estás disposta a "engolir". 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 18:32

não considero que esteja a engolir alguma coisa pelo facto de a continuar a ler.... Como já disse, dessasocio completamente a obra da pessoa.
Dou outro exemplo. Mein Kampf foi editado há umas semanas e oferecido com a revista Sábado. Esgotou em todo o lado em segundos (salvo o exagero). A revista foi deixada nas bancas, o livro levado para casa. De acordo com o que defendes, quem o comprou apoia o seu autor - Hilter. Achas mesmo que foi por isso que a revista esgotou?
Outro exemplo. Michael Jackson continua a vender. Achas que, quem compra as suas músicas está a apoiar a sua pedofilia?

De Sara a 19.01.2016 às 18:51

Mas eu estava a falar de autores que ainda estão vivos e não de autores que já morreram :)







De Magda L Pais a 19.01.2016 às 18:53

A Marion Zimmer Bradley morreu em 1999...

De Sara a 19.01.2016 às 19:00

Exacta - a minha posição, se se pode chamar assim, aplica-se a quem estava vivo e beneficia do dinheiro e falatório dos outros. Quem está morto, pelo menos não vai beneficiar e como eu disse algures - isso fica ao critério de cada um. Uns vão continuar a ler outros não. Total separação não acho possível - o que me choca a mim pode não chocar a outra pessoa, por isso em principio não vou querer ler tais títulos. Às vezes é preciso engolir certas coisas por certos autores....c'est la vie.  

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 19:01

concordemos em discordar... :D

De Sara a 19.01.2016 às 19:32

Eheheh...Mas tava a ser giro. É um assunto em que já tinha pensado, mas nunca tinha debatido xD

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 19:49

a ideia era mesmo debater esta questão, precisamente por ser polémica. Como disse lá muito acima, no texto, a minha opinião vale tanto como a tua apesar de serem opostas. Não me parece que seja um caso "chapa 5". é mais um caso de: cada cabeça sua sentença

De Sara a 19.01.2016 às 22:20

É complicado...Ainda por cima o acontecimento está "quente"

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 22:26

pois. Acredito. Eu confesso que soube esta semana...

De Just_Smile a 19.01.2016 às 13:42

Partilho da tua opinião, um livro não é necessariamente um reflexo do seu escritor e ser uma besta no dia-a-dia não ser dizer que os seus livros sejam horríveis ou tenham menos valor. A verdade é que se for a falar do autor em vez do livro não consigo desligar-me de tais acusações, mas isso não me impede de continuar a gostar dos livros. Olha o Paulo Coelho, só gosto de dois livros do homem, os outros odeio e nem sequer gosto do homem, demasiado filosófico e pouco prático, mas não é por isso que vou deixar de gostar daqueles dois livros...

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 14:06

acho que são coisas completamente diferentes. Como disse mais acima, na maior parte dos casos nem sequer conheço a vida do autor. Claro que há casos e casos mas nunca deixo que uma coisa afecte a outra porque posso perder a oportunidade de ler livros fantásticos

De Just_Smile a 19.01.2016 às 14:10

Exactamente, não podemos confundir as duas coisas :)

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 14:18

é o que eu acho!

De Ana Rita 🌼 a 19.01.2016 às 15:36

Gostei bastante deste post.
Sou franca já li muitos livros mas, nunca li as Brumas de Avalon. 
Normalmente quando vou a uma livraria comprar um livro, mais que o autor, aquilo que me cativa a adquiri-lo ou não é o resumo do mesmo.
Sou uma fã confessa de romances, e tenho as minhas preferências, mas quando apanho aquelas feiras de livros que têm livros de autores desconhecidos tenho sempre a tendência a arriscar.
A micro biografia de autor é a ultima coisa que leio.
Ás vezes mesmo depois de acabar de ler o livro.


Não podemos desvalorizar a obra em prol das acções do autor, até porque, este livro data do ano de 1979 e desde aí até ao momento que se soube dessa acusação, foi lida e relida por milhões de pessoas.

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 15:47

Obrigado Rita


Há autores que - confesso - nem sei se são vivos ou mortos, brancos, pretos ou azuis ou às bolinhas ou a nacionalidade. Gosto dos livros e pronto (olha, a titulo de exemplo, só vi quem era  para ai dois ou três anos depois de ter lido o primeiro livro dele e depois de ter lido vários livros).
 

De Ana Rita 🌼 a 19.01.2016 às 16:57

Acontece-me isso regularmente, se gosto do livro, nem vou pesquisar o autor.

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 17:08

pois, é como eu. Não me preocupo com o resto

De Maria das Palavras a 19.01.2016 às 16:09

Dizem que são as mentes mais retorcidas que produzem as maiores obras de arte...podemos dizer o mesmo do caráter duvidoso do génio de Hollywood Woody Allen ou do rei da pop Michael Jackson. 
Confesso que tenho vontade de gostar menos das músicas, dos filmes, dos livros em função da rés do seu autor. Mas em última instância não consigo. Que seja esse livro, ou música, ou filme, o bom fruto, o contributo positivo para o mundo de quem noutras áreas pecou - melhor ver assim.

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 16:13

olha, bem lembrado. O preto/branco é um bom exemplo. Todos sabemos o que ele fazia (e que foi acusado várias vezes) mas não deixamos de gostar da música. 

De Nathy ღ a 19.01.2016 às 16:48

Confesso que quando leio um livro a ultima coisa de que me lembro é de saber mais sobre o escritor. Aliás, apesar de ter o meu rol de escritores que adoro, pouco ou nada sei sobre eles. Vou sabendo uma coisa ou outra, e muitas das vezes só encontro pérolas sobre eles quando estou à procura de mais informação sobre os livros que foram publicados em Portugal.
Mas sabendo de ante mão de algo tão sórdido não voltaria a olhar com os mesmo olhos para o escritor. Acredito que seria uma porta que se fecharia.
Por acaso, de tanto falares sobre este livro achei que o mais certo seria ler esses livros. Agora acho que seria incapaz de lê-los...
Lido mal com violações, pedofilia e afins...

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 17:11

Mas Nathy, os livros não falam sobre isso nem sequer ao leve. Quanto muito tem uma cena de incesto e meia duzia de cenas mais sexuais consensuais entre adultos. Em nenhum momento a pedofilia é abordada. Se o livro fosse sobre esse tema ou se, de alguma forma, pudesse ter cenas assim ainda entendia. Mas a verdade é que não tem.
Vamos ver a coisa por outro prisma. Se descobrisses que a Jodi tinha cometido um crime destes. Que fazias?

(faço notar ainda que nada está provado. São acusações não provadas)

De Nathy ღ a 19.01.2016 às 17:24

Transmissão de pensamentos?!
Quando estava a comentar utilizei a Jodi (mentalmente) como exemplo. Sim, deixa de ler os livros dela. Não conseguiria voltar a olhar para os livros dela com bons olhos. Ainda para mais ela tem alguns livros sobre violação e sobre pedofilia (este tu já leste)... 
Sabes sou muito de extremos... feitio :)

Pois. Até pode não estar provado mas fica a duvida e por vezes a duvida é lixada.

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 18:34

E deixavas de gostar dos livros que tinhas adorado? os livros passam a estar mal escritos e não serem interessantes?

De Sofia Almeida a 19.01.2016 às 16:51

Tudo isto me faz recordar que muitas vezes pensamos que os pedófilos, os abusadores, são pessoas 100% más, antipáticas, doentes mentais, sinistras e tal quando, na verdade, são pessoas aparentemente normais, como todos nós, civilizadas, educadas, simpáticas, bem sucedidas, contribuintes para a sociedade. É por isso que, de resto, estes crimes permanecem no escuro durante tanto tempo. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 17:12

exactamente! na maior parte dos casos as pessoas nem se apercebem que o vizinho do lado, excelente pessoa e muito amiga, era pedófila. Ora imaginem só, ele que ajudava tanto...

De M.J. a 19.01.2016 às 18:40

sabes uma coisa? caindo eu nesse erro tantas vezes a questão é que detesto fundamentalismos idiotas! dá-me cabo do cérebro extremismos parvos. sinceramente quero literalmente que sa foda, mesmo, em português corrente, quem é o autor, o que faz, se bate em mulheres ou mata cãezinhos. se gostar do que ele escreve gosto do que ele escreve. não dele. 
achar que um livro é bom ou mau porque se julga quem o escreveu enquanto pessoa é tão ou mais ridículo que dizer que não se lê um livro por ser grande ou pequeno. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 18:41

dito de outra forma... é isso!

De M.J. a 19.01.2016 às 18:42

e já tinha dito que não suporto extremismos, não já? mesmo caindo eu nesse erro, não já?
acho que sim.

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 18:45

tenho a vaga ideia que sim... :)

De Cláudia Oliveira a 19.01.2016 às 19:15

Só deixo de fazer alguma coisa quando deixo de sentir vontade de continuar a fazer. Sou assim como leitora também. O facto da autora estar morta e não ter sido julgada não me permitiu fazer um juízo de valor. Portanto, vou continuar a ler as obras como estava planeado.

Ao contrário dos comentários deixados, eu interesso-me pela vida do autor, sobretudo o percurso profissional. E vou sempre à procura de mais dados. Onde vive, o que faz, o que escreveu, etc...

Deu uma bela discussão. Vários pontos de vista. :)

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 19:52

ora aqui está outro ponto de vista (a ideia foi mesmo ouvir, ou melhor, ler, os vários pontos de vista).
Pronto, no caso da Marion não te vai afectar, pelo que percebi porque ela não foi julgada. E se tivesse sido e tivéssemos todos a certeza que ela era pedófila? Ou imagina essa situação num caso dum autor/autora do qual gostes bastante e que acabes por descobrir uma coisa destas. Como achas que agirias?

De Cláudia Oliveira a 19.01.2016 às 20:31

Se tivesse a certeza, se tivesse sido condenada pelo crime, tenho a certeza que ia sentir nojo pela autora assim como tenho por todos os pedófilos. Não sei se ia perder a vontade de ler os livros, acho que não, pois quero ler o livro escrito pelo Hitler.  Só depois do julgamento e do meu juízo de valor ia perceber se a vontade de ler os seus livros ia continuar. Se descobrisse que um autor vivo que adoro era pedófilo deixava de o adorar. A ele. Ia ficar tão desiludida... 

Se já tivesse lido... A minha opinião ia manter-se em relação à qualidade. O livro não perde a qualidade por nenhum dos motivos do mundo, excepto se  for plágio ou escrito por um escritor-fantasma. Ia continuar a gostar dos seus livros. 


Para ler um livro preciso de sentir vontade, curiosidade. 

De Magda L Pais a 19.01.2016 às 20:38

Ora ai está. Estou plenamente de acordo. Eu condeno veementemente os pedófilos. Metem-me nojo, é o crime mais hediondo de todos os crimes. Mas não julgo um livro pelos actos do autor. O exemplo do Hitler é um excelente exemplo - até o dei ai mais acima em resposta à Sara. É um livro que tenho curiosidade em ler mas isso não faz de mim nazi nem faz com que aprove o que ele representa

De Nay a 20.01.2016 às 11:35

Agora é que fiquei de queixo caído, ainda não sabia nada disso da Marion Zimmer Bladley!!!
Mas respondendo à questão, em principio não me interessa muito o que escritor faz ou deixa de fazer com a sua vida, no entanto em caso de ser um criminoso coloco algumas reticências.... então vamos estar a colaborar para o enriquecimento de um pedófiloassassino ou algo do género!?
Provoca-me algum dilema moral!

De Magda L Pais a 20.01.2016 às 11:58

eu percebo o dilema moral, obviamente. Mas pergunto. Um bom livro deixa de ser um bom livro? Repara. Pensa no livro que mais gostaste de ler até hoje. E agora imagina que, depois de acabares de o ler e de ficar maravilhada com ele, descobrias que a pessoa que o tinha escrito era pedófilo(a). O livro perdeu qualidades por causa disso?

De Nay a 20.01.2016 às 12:05

Sim exactamente... mas acho que me ia deixar a pensar uns dias.
Não pelo livro ou história mas bolas ter dado dinheiro a um criminoso!!!

De Magda L Pais a 20.01.2016 às 12:07

neste caso, o autor até está morto...

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