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Mataram o Sidónio

por Magda L Pais, em 04.08.16

Mataram o Sidónio.jpg

Mataram o Sidónio de Francisco Moita Flores

Editado em 2010 pela Casa das Letras

ISBN: 9789724619705

Lido em 2014

Sinopse

O assassínio do Presidente da República Sidónio Pais, ocorrido em 1918, é um mistério. Apesar de a polícia ter prendido um suspeito, este nunca foi julgado. A tragédia ocorreu quando Lisboa estava a braços com a pneumónica, a mais mortífera epidemia que atravessou o séc. XX e, ainda, na ressaca da Primeira Guerra Mundial. A cidade estava exaurida de fome e sofrimento. É neste ambiente magoado e receoso que Sidónio Pais é assassinado na estação do Rossio em Dezembro de 1918.

Francisco Moita Flores constrói um romance de amor e morte. Fundamentado em documentos da época, reconstrui o homicídio do Presidente-Rei, utilizando as técnicas forenses e que, de certa forma, continuam a ser reproduzidas em séries televisivas de grande divulgação sobre as virtualidades da polícia científica.

Os resultados são inesperados e Mataram o Sidónio é um verdadeiro confronto com esse tempo e as verdades históricas que ao longo de décadas foram divulgadas, onde o leitor percorre os medos e as esperanças mais fascinantes dessa Lisboa republicana que despertava para a cidade que hoje vivemos. E sendo polémico, é terno, protagonizado por personagens que poucos escritores sabem criar. Considerado um dos mestres da técnica de diálogo, Moita Flores provoca no leitor as mais desencontradas emoções que vão da gargalhada hilariante ao intenso sofrimento. Um romance que vem da História. Uma história única para um belo romance.

A minha opinião

Este é o segundo livro que leio de Francisco Moita Flores. O primeiro, A Fúria das Vinhas, deixou-me com vontade de ler mais deste autor e agora tive essa oportunidade. Em menos de 24 horas “devorei” este livro e fiquei a conhecer mais da época que ele retrata.

Estamos em Dezembro de 1918 e Portugal está a braços com duas desgraças. A “espanhola” – hoje conhecida por H1N1 – e o fim da I Guerra Mundial. Lisboa é uma cidade em sofrimento, quer pelas mortes que se acumulam (cerca de 50% da população mundial à época perdeu a vida por culpa da “espanhola”) quer pela fome. Asdrúbal d’Aguiar é o director interino do Instituto de Medicina Legal, criado, pouco tempo antes, por Sidónio Pais a pedido do seu secretário de Estado do Comércio, Azevedo Neves – que era o director da Morge de Lisboa antes da sua passagem a Instituto de Medicina Legal.

Todas as famílias perdem alguém para a “espanhola” e Asdrúbal não é excepção – primeiro a empregada e depois a mulher perdem a vida enquanto a doença não dá mostras de abrandar.

Quem também perde a vida é o presidente – Sidónio Pais – assassinado na estação do Rossio, aparentemente com dois tiros. A polícia, na tentativa de apanhar os meliantes, mata várias pessoas, e prende José Júlio da Costa, um dos presumíveis assassinos.

Autopsiar o corpo de um presidente ou de um rei, na época, era proibido e, por isso, Asdrúbal apenas vê o corpo de Sidónio Pais de relance, sendo, posteriormente, embalsamado pelo seu grande amigo Monteiro.

No final de 1918 a ciência forense está a dar os primeiros passos, sendo pouco aceite nos tribunais que aplicam a justiça com base em confissões arrancadas à base da tortura dos presos. José Júlio da Costa, torturado, faz várias confissões, nenhuma igual à anterior e, pior, nenhuma coincidente com os ferimentos que Asdrúbal e Monteiro viram no corpo de Sidónio Pais. Felizmente um juiz, homem de convicções fortes e com uma mentalidade avançada, desconfia destas falsas confissões e pede a Asdrúbal e Monteiro que façam a autópsia do corpo do presidente de modo a poder perceber, efectivamente, como é que Sidónio Pais é morto.

As conclusões dessa autópsia são surpreendentes e inesperadas e levam a que José Júlio da Costa nunca chegue a ser julgado, acabando por morrer, 28 anos depois, no Hospital Júlio de Matos. Asdrúbal torna-se num dos melhores médicos legistas da época, reconhecido mundialmente.

Uma das personagens secundárias deste livro – Monteiro –, o melhor amigo de Asdrúbal, acaba por ser quem nos traz a pitada de humor que fica sempre bem em qualquer livro. É simplesmente hilariante, quer o testemunho deste médico num julgamento em que é convidado a depor sobre uma violação, quer as respostas que dá ao Governador Civil de Lisboa enquanto a autópsia de Sidónio Pais decorre.

Com este livro, fiquei ainda mais fã de Francisco Moita Flores.

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18 comentários

De Gaffe a 04.08.2016 às 11:56

Irrita-me o Moita Flores. 

De Magda L Pais a 04.08.2016 às 12:15

não sendo o melhor escritor português da actualidade, também não está mal. Pior é o Domingos Amaral. Acho eu

De Gaffe a 04.08.2016 às 12:30

Ou o Pedro Paixão. 
Creio que os três são uns totós. 

De Magda L Pais a 04.08.2016 às 12:31

ahahahaha pensei que ias falar do Pedro Chagas. Mas este nem sequer considero como escritor

De Gaffe a 04.08.2016 às 12:35

Era o Pedro Chagas! 
Paixão - Chagas. 
Isto dos martírios confunde imenso. 

De Magda L Pais a 05.08.2016 às 09:48

oh meu Deus (aqui aplica-se que nem uma luva!). É que há um escritor tambem chamado Pedro Paixão ahahahahahahahah 

De Gaffe a 05.08.2016 às 15:42

Sabias que Pedro Paixão é bipolar?
Não estou a inventar. Foi o próprio que o revelou. É durante os surtos mais negativos que se encerra dias inteiros num quarto de hotel e escreve um livro.


Interessante, não é?
Quando leres Pedro Paixão, já sabes, o homem estava esgrouviado. 


De Magda L Pais a 06.08.2016 às 12:48

Confesso que nunca li Pedro Paixão. Nem sei se devo....
ontem tive de "fugir" de ouvir o Domingos Amaral. Lembrei-me logo desta nossa conversa :p

De Sr. Solitário a 04.08.2016 às 12:25

Eu já li este livro também

De Sr. Solitário a 04.08.2016 às 12:27

Não gosto muito deste escritor...

De Magda L Pais a 04.08.2016 às 12:28

mas olha que há piores ahahahhaha

De edite a 04.08.2016 às 22:37

Já li mas não cheguei ao fim. Estava de férias e comecei a ler outro
Não entrei no «crime» e o psicológico não ajudou

De Magda L Pais a 05.08.2016 às 09:51

conheço várias pessoas que não o conseguem ler eheheheheheh

De sarabudja a 05.08.2016 às 14:52

Também o li num ápice. 
Acarinho a Ana Rosa. 

De Magda L Pais a 05.08.2016 às 14:54

ah, mais alguem que gostou! 
Acho que sim, que se lê bem e rapidinho.




De sarabudja a 05.08.2016 às 16:06

Sou uma simples das letras. :)

De Magda L Pais a 06.08.2016 às 12:48

às vezes, quanto mais simples melhor

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