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Não vai deixar saudades

por Magda L Pais, em 09.02.17

Aqui há coisa dum ano e pouco a M.J. lançou um desafio que considerei, desde o início, interessante e – vá-se lá saber porquê, desafiador.

A ideia: deixarmos de receber apenas contas na caixa de correio física e passarmos a receber, todos os meses um livro para ler. Nunca saberíamos que livro nos calharia nesse mês e teríamos o prazo de um mês para o ler até o enviarmos para o destino seguinte.

Na verdade, à minha caixa de correio, chegam muitas vezes livros. Mais do que a minha família gostaria e bastante menos do que eu gostaria mas pronto, a vida é assim mesmo, não se pode agradar a todos (pronto, tá bem, a família nem diz nada e até se ri quando chegam mais livros. Apesar do espaço estar a começar a escassear…)

14 alminhas aderiram ao desafio. 14 livros, 14 gostos literários diferentes, 14 timmings de leitura diferentes, 14 personalidades. Uma única coisa em comum – o gosto pela leitura.

Criou-se um grupo no facebook para organizar melhor, foram-se alinhavando regras, adaptando prazos e tudo correu pelo melhor.

Recebi o primeiro livro em Dezembro de 2015 e, deixem-me dizer-vos que A sombra do vento não só foi o melhor livro que li no âmbito do Livro Secreto mas é um dos melhores livros que li na vida. Já o tinha em casa à espera de vez – que, estupidamente, nunca mais chegava – mas foi preciso esta iniciativa para o ler. 

Seguiram-se outros 12 livros (o 14º foi o que eu enviei). E se uns se leram bem, outros leram-se melhor. Um dos que li foi o piorzinho que alguma vez li (Adultério) e dois nem sequer comecei (porque estava embrenhada em trabalho e noutras leituras. Falo do Novíssimo Testamento e Uma Mulher Não Chora.

Alguns foram a minha primeira experiência com os autores. Eça de Queiroz foi um deles (e, ainda por cima, a iniciativa foi pensada também porque alguém – eu! – nunca tinha lido Eça na vida). A versão da Tragédia da Rua das Flores que circulou tinha problemas gráficos e não a consegui ler (é o que faz ser pitosga) mas fiz questão de arranjar uma nova versão para a poder ler.

Arrependi-me do livro que enviei. Cloud Atlas não é um livro fácil (como qualquer um dos livros de David Mitchell) e que não serve para qualquer pessoa.

Estou agora a ler o último livro da iniciativa. Plano Infinito de Isabel Allende. Curiosamente, mais um livro que estava na minha estante a aguardar pela vez dele, pelo que, terminado o prazo de envio deste livro à sua dona original, mesmo que não o tenha acabado, posso fazê-lo com todo o tempo do mundo.

Receberei, nos próximos dias, o meu livro. Escrito, rescrito (a iniciativa previa isso mesmo – cada um podia/devia assinalar, de alguma forma, as suas partes favoritas do livro) e viajado. Termina assim esta iniciativa que me levou a viajar por livros nunca antes pensados.

Não vai deixar saudades.

Ainda não tinha terminado a primeira volta, já estavam abertas as inscrições para o segundo round, com as mesmas regras.

Uma grande diferença: deixamos de ser 14 almas. Somos 27, dos quais 13 são repetentes. O que implica 27 livros, 26 novas experiências literárias para mim (e esta é, sem dúvida, a parte mais interessante), dois anos e pouco a trocar livros, a não saber que livro me vai calhar em sorte no mês seguinte. Gostos e vontades diferentes. Feitios e tempos de leitura diferentes.

E vai ser tão bom!

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17 comentários

De As Minhas Quixotadas a 11.02.2017 às 00:54

A iniciativa tem piada pelo «suspense» da coisa. Nunca se sabe o que calhará a seguir e esse mistério é interessante para um leitor. Também é bom porque podem cruzar-se com autores e obras que nunca pensariam ler. Imagino alguém a receber um livro de poesia sem nunca ter lido nenhum na vida (não sei se pelas vossas regras apenas se cingiam à ficção e à prosa, pelo que estou apenas a imaginar). Parece até uma estratégia engraçada para aplicar em escolas ou em outras instituições. Contudo, acho que comigo não resultaria. Sou muito esquisita com os livros, fujo de bestsellers como quem foge da cruz. Livros com historietas de amor tipo Sparks, Steel e afins são para vomitar. Prefiro coisas com profundidade e por isso, se me chegasse algum do género, acho que saltava a leitura e passava ao próximo. Mas são sempre de louvar as iniciativas que ponham as pessoas a ler, hábito tão mal amado, ainda que tão maravilhoso.

De Magda L Pais a 15.02.2017 às 16:11

essa é uma das grandes vantagens. Ninguem é obrigado a ler. na iniciativa anterior não li o da Rita Ferro porque sei que não é, de todo, a minha praia

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