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Original ou traduzido?

por Magda L Pais, em 08.03.17

Não obstante saber relativamente bem inglês (ou, pelo menos, o suficiente para poder ler um livro ou ver um filme/série sem legendas), a verdade é que não me sinto confortável quando o faço, ficando sempre com a sensação (errada, eu sei) de que me está a escapar alguma coisa.

Foquemos na questão dos livros que é o tema deste blog e por conseguinte deste post.

Apesar do meu desconforto, aceito e assumo que a maioria das traduções é mal conseguida. Um dos meus testes favoritos à tradução é perceber se a palavra eventually foi traduzida como deve ser. Infelizmente são muitos os casos em que a tradução é de tal modo que a frase fica sem sentido. Por exemplo, se a frase original for “Maggie eventually arrived home” o correcto seria, por exemplo, “Maggie finalmente chegou a casa” e nunca “eventualmente chegou a casa” como aparece em imensos livros. Este é um bom teste à qualidade da tradução (ou pelo menos eu acho que é).

Ainda assim, ou melhor, mesmo assim, continuo a preferir os livros em português de Portugal (preferia que fossem sem o polémico acordo ortográfico mas não se pode ter tudo). Por preguiça, por achar que me escapa qualquer coisa mas também por respeito às editoras portuguesas (é estúpido mas a verdade é que também penso nisto). É claro que, depois, os preços dos livros acabam por ser quase proibitivos mas a verdade é que há, da parte da maioria das editoras, uma tentativa de nos trazer bons livros e bons autores e, caso deixemos de os comprar, claramente as editoras deixaram de os publicar por cá.

Original ou tradução? Qual é a vossa opção e porquê?

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42 comentários

De A rapariga do autocarro a 08.03.2017 às 11:54

Em anos que já lá vão estudei técnicas de tradução de Francês, língua que noutra vida já falei, e digo, traduzir não é para meninos. Como não tenho conhecimento para ler senão em Português acredito que ande por aí muita coisa traduzida via google!!!

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:29

e mesmo assim olha que há traduções em que o Google é melhor :p

De Alexandra a 08.03.2017 às 14:54

Eu pensava que era a única pessoa que tinha tido TTF (Técnicas de Tradução de Francês) e até tinha jeito para a coisa. Tive 18, se não estou em erro. ;)

De A rapariga do autocarro a 08.03.2017 às 15:02

 Eu era baldas, trocava os acentos todos!!!

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 15:05

e eu que odeio francês!

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 15:22

santinho! espirraste, certo?

De Me, myself and I a 08.03.2017 às 11:55

Eu tenho que ler em português pois não me safo a ler em inglês...é como nas séries e nos filmes....para me concentrar a ouvir e a entender perco o decorrer da ação!

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:30

acho que me acontece o mesmo mas desconfio que será falta de prática

De Just_Smile a 08.03.2017 às 12:10

Ambos. Ultimamente tenho lido mais livros em inglês por duas razões: o preço e preciso de treinar o inglês. Acabei por comprar na Amazon e em vez dos 50€ em livros traduzidos, gastei 20€, por outro lado, como no trabalho falo muito ao telefone em inglês senti-me bastante enferrujada e ler em inglês tornou-me mais confortável e fluente no inglês.
No entanto, imagino que haja livros que são impossíveis de ler em inglês. Os romances são fáceis, sabes sempre o estilo do livro e sendo actual é fácil o vocabulário e não há frases incompreensíveis, contudo tenho receio de ler livros de época por causa dos verbos e thrillers. Acho que não tenho vocabulário suficiente sobre assassinatos... :P Por isso a resposta é ambos, e admito, ler o original tem muitas diferenças comparando com a tradução...

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:31

"não tenho vocabulário suficiente para assassinatos" 
tenho de dizer que esta frase é das melhores que li nos últimos tempos. ahaahahahahahaahahahahaahahahahahaahah

De Just_Smile a 08.03.2017 às 14:51

Oh é verdade, não sei os termos ingleses para esfaqueia, esquarteja e nomes de armas e afins :P ahahahah

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:53

enquanto não souberes os termos, estamos bem. Pior será se além dos termos quiseres saber como se faz

De Just_Smile a 08.03.2017 às 14:57

Não vou dizer nunca, não sei o futuro 

De Just_Smile a 08.03.2017 às 15:25

Tu tem medo, muiiiiito medo 

De Sara a 08.03.2017 às 12:30

Com os livros no original não há o problema das traduções e costumam ser mais baratos. Se eu por exemplo tiver na mão um livro todo pinpin em português, mas a 25 euros e tiver a edição de bolso em inglês a metade ou menos a escolha está feita em principio. Comprei o 1Q84 do Murakami para aí a 18 euros - em português só o primeiro volume já é esse preço. 

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:32

verdade. Mas por outro lado, não comprando livros em português, as editoras acabam por ter menos razões para apostar na edição...

De Sara a 08.03.2017 às 15:06

Talvez...Mas não posso ir contra ao facto de não ter 60 euros para dar por três livros. Se me fosse a guiar por estes preços já teria falido à muito xD

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 15:22

ahahahaha nisso dou-te toda a razão

De Fatia Mor a 08.03.2017 às 12:45

Depende. O esforço da leitura em Inglês nem sempre compensa. Tem que ser um livro ou um autor que eu goste muito. Por exemplo, adorei ler os Harry Potter na sua língua original. Eram claramente menos infantilizados que as traduções que, na pressa de os mandar "cá para fora", deixavam muito a desejar.
Mas se não sentir necessidade disso, prefiro ler em Português. Envolvo-me mais na leitura, por não ter que fazer o esforço cognitivo da compreensão (e atenção que sou uma leitora proficiente em Inglês e passo a vida a ler e a escrever nessa Língua). 
Agora, quanto à qualidade das traduções, um dos livros mais bem traduzidos que já vi foi o Memórias das minhas putas tristes, do Gabriel García Marques, em que o tradutor fez o esforço de não usar um único advérbio de modo, porque o autor desprezava-os e considerava que empobreciam a escrita.
Traduzir não é para qualquer um. Vai além de substituir palavras de uma língua para outra. Eu que o diga que tenho uma tia que é uma excelente tradutora e sempre me explicou o que diferenciava uma tradução de uma substituição de palavras.

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:36

traduzir não é, de todo, só substituir palavras embora haja quem pense assim. é precisamente por isso que a tal palavra que falo aparece tantas vezes mal traduzida.


(gostei tanto das memórias das putas tristes... um dia destes tenho de o reler)

De Andy Bloig a 08.03.2017 às 12:59

O traduzir depende do tradutor e da forma do livro. 
Um romance/drama é "fácil" de traduzir pois acaba por ser simples apanhar as expressões e usar expressões em Português que signifiquem o mesmo. O problema actual é que as traduções são feitas a correr... muitas vezes o mesmo tradutor tem 1 mês para traduzir 500 páginas, pois tem de ter traduzidos e entregues 13 traduções anuais de livros que chegam ao mercado. 
E existe os livros mais técnicos onde se nota uma divergência gigantesca, pois as traduções seguem a linha de drama, deixando de lado aquelas expressões mais específicas da área. Adoro livros de ficção ciêntifica e notam-se tantos "pontapés e cabeçadas" na traduções mais recentes que fariam vergonha a qualquer tradutor dos anos 70-80. Só que são livros que são para um público muito específico e, em Portugal, são cada vez menos os que chegam ao mercado traduzidos por falta de interesse dos leitores. 
Talvez seja por isso que já ultrapassei os 100 livros ingleses cá em casa, sem contar com os mais simplistas... como comédias e dramas ou clássicos. Quando há 10 anos atrás nem 20 tinha... e 7 eram do Harry Potter.

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:39

acaba por ser uma pescadinha de rabo na boca. Há menos investimento na tradução que resulta em menos livros (ou livros mal traduzidos). Por isso os leitores não compram os livros. Não havendo compra, não há lucro, logo não pode haver investimento na tradução.


Em relação aos livros técnicos subscrevo completamente que é preferivel ler o original uma vez que se pode perder demasiado na tradução

De Inês a 08.03.2017 às 13:31

Para mim, depende. Se for um livro escrito originalmente em inglês e for recente, prefiro comprar em inglês. Mas não consigo ler, por exemplo, Jane Austen na versão inglesa, demoro demasiado tempo e acabo por perder a paciência e deixar o livro de lado. A verdade é que ler em inglês tem a vantagem dos livros serem muito mais baratos, de os podermos ler quando ainda nem sequer foram traduzidos para português (e muitos nunca chegam a sê-lo) e de ficarmos mais próximos das ideias originais do autor. Há algumas traduções muito bem feitas, mas a grande maioria deixa muito a desejar, principalmente quando se trata de livros que fizeram muito sucesso lá fora e as editoras querem começar a vendê-los cá antes que passe o frenesim. Quanto às editoras, prefiro poupar algum dinheiro comprando livros em inglês e depois gastar em livros de autores portugueses.

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:41

nem consigo imaginar a dificuldade que seria ler Jane Austen em inglês... 
Eu percebo a questão monetária, claro que sim. Mas penso tambem no outro lado - se as pessoas não compram os livros, como é que as editoras vão ter verbas para apostar noutros?

De Alexandra a 08.03.2017 às 14:49

Eu penso em Português, sinto em Português, era impossível ler em Inglês (ou outra língua qualquer). Eu até entendo e há sempre o dicionário para ajudar, mas não me seria transmitido as mesmas sensações. Alguém que sente "love" não é, definitivamente, o mesmo que alguém que sente "amor", se é que me faço entender. O mesmo vale para os outros sentimentos.

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 14:54

acho que também é isso. Sentimos mais na nossa lingua, não é?

De Alexandra a 08.03.2017 às 15:00

Por exemplo, "O Principezinho", a primeira vez que li foi em Francês e não achei piada nenhuma. Em Português é que ele fez sentido

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 15:06

Bem, eu acho que O Principezinho fará sentido em todas as linguas mas como só li em Portugues posso ser suspeita

De Alexandra a 08.03.2017 às 15:22

Faz, se não me tivesse deixado qualquer coisa não o teria lido em Português, mas "Tu deviens responsable por toujours de ce que tu as apprivoisé", não é o mesmo que "És eternamente responsável por aquilo que cativas". 
Sendo mais ternurenta a expressão em Português tem muito mais força.
"apprivoisé" é domar, dominar... cativar faz mais sentido (na minha interpretação).

Claro que estou a traduzir "à letra" e agora já, mesmo que leia em Francês, na minha cabeça "ouço" cativar... mas lá está, leio uma coisa e "ouço" outra na cabeça... pareço (ainda mais) maluquinha. É melhor ler logo diretamente em Português ;)

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 15:58

pois, há palavras portuguesas que, querendo dizer o mesmo (ou quase) soam muito melhor :)

De Marta a 08.03.2017 às 16:31

Esta é uma ótima questão sobre a qual também quero escrever no blog por me ter acontecido uma situação há pouco tempo em que tive que me fazer esta mesma pergunta. Queria comprar a colectânea de contos do Edgar Allan Poe, que em português (a mesmíssima edição) custava mais 15 euros do que a versão em inglês. Acabei por trazer o original. Desta vez só porque causa do preço, que ainda me deu para comprar um segundo livro, mas a verdade é que nestes textos clássicos, sempre me habituei à ideia de que só lendo o original é que vamos realmente captar a intenção do autor. No entanto, também me custa mais ler noutro idioma que não o português e essa é a única razão que me faz achar que prefiro a nossa língua. 

É sem dúvida um ótimo tema de discussão!

De Magda L Pais a 08.03.2017 às 23:22

eu percebo a parte financeira que é, realmente importante. Mas confesso que fico com a sensação que, ao não comprar livros em português corro o risco de um dia não haver apostas editoriais

De Daniela a 09.03.2017 às 22:26

Nunca li nenhum livro em inglês, penso não ter a fluência necessária.
Se conseguisse acho que optava por isso. Para além do preço dos livros, também se perde sempre qualquer coisa na tradução :)


Beijinhos*

De Magda L Pais a 10.03.2017 às 11:42

é possível que sim. Mas também há quem defenda que há livros que são melhores traduzidos do que os originais

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