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O Vendedor de Passados

por Magda L Pais, em 05.10.17

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O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa 

Editado em 2017 pela Quetzal Editores

ISBN: 9789897223686

Sinopse

Félix Ventura escolheu um estranho ofício: vende passados falsos. Os seus clientes - prósperos empresários, políticos, generais, enfim, a emergente burguesia angolana - têm o futuro assegurado. Falta-lhes, porém, um bom passado. Félix fabrica-lhes uma genealogia de luxo e memórias felizes, e consegue-lhes os retratos dos ancestrais ilustres.

A vida corre-lhe bem. Uma noite entra-lhe em casa, em Luanda, um misterioso estrangeiro à procura de uma identidade angolana. Então, numa vertigem, o passado irrompe pelo presente e o impossível começa a acontecer. Sátira feroz, mas divertida e bem-humorada, à atual sociedade angolana, O Vendedor de Passados é também (ou principalmente) uma reflexão sobre a construção da memória e os seus equívocos.

A minha opinião

Depois de ler O Lugar do Morto e A Sociedade dos Sonhadores Involuntários alguém me sugeriu a leitura deste livro, por considerarem que O Vendedor de Passados era o melhor que Agualusa escreveu. Tenho de confessar que não me lembro que me disse isto mas lembro-me que, quando vi que este livro estava a circular no âmbito do livro secreto, fiquei ansiosa para que me chegasse às mãos para que pudesse comprovar o que me disseram.

Bem... é verdade. Pelo menos comparando com os outros dois que li, Agualusa, neste Vendedor de Passados encantou-me.

Primeiro encanto do livro, o narrador. Entre os narradores dos livros que li, temos um narrado pela Morte, outro narrado pelo próprio Livro, e este, entra para esse top de narradores diferentes com uma Osga...

Ao chegar-mos a velhos apenas nos resta a certeza de que em breve seremos ainda mais velhos. Dizer a alguém que é jovem não me parece uma expressão correcta.

Agualusa, também neste livro, faz uma critica acérrima à sociedade angolana, do presente e do passado, um povo à procura da sua identidade, do seu passado. Félix, um negro albino, vende exactamente isso. Passados a quem deles precisa por alguma razão.

Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.

Uma história original, sem dúvida, numa escrita própria (que, eventualmente, nem toda a gente gostará) mas que, sem dúvida se aprende a apreciar aos poucos. Ainda bem que optei por não desistir da leitura de Agualusa porque este Vendedor de Passados conquistou-me por inteiro.

(leia aqui as primeiras páginas)

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O Lugar do Morto

por Magda L Pais, em 14.08.17

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O Lugar do Morto de José Eduardo Agualusa

ISBN: 9789896710729

Editado em 2011 pela Tinta da China

Sinopse

Se fosse possível pedir a Eça de Queirós uma crónica sobre a situação de Portugal nos dias de hoje, o que escreveria ele? O que pensa Machado de Assis acerca do presente Acordo Ortográfico? O que é que Vladimir Nabokov sempre quis que soubéssemos sobre Barack Obama?

José Eduardo Agualusa psicografou 24 escritores já falecidos - entre os quais Eça de Queirós, Vladimir Nabokov, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Jorge Luís Borges, Vinicius de Moraes, Sophia de Mello Breyner, Saint-Exupéry, Clarice Lispector, Padre António Vieira, João Cabral de Melo Neto e Camilo Castelo Branco - revelando as suas opiniões sobre assuntos importantes, ou não tão importantes, do nosso quotidiano. Vozes do Além, agora neste mundo. Escute-as

Num exercício de simbiose literária absolutamente original, Agualusa dá voz a grandes escritores, levando-os a comentar o mundo e a actualidade:

Jorge Luís Borges comenta a concentração dos grandes grupos editoriais.

Fernando Pessoa conversa com a fadista Ana Moura.

Machado de Assis discursa sobre o novo Acordo Ortográfico, Portugal e o Brasil.

Sir Richard Burton, escritor poliglota, indigna-se contra fronteiras e perseguições de imigrantes.

Jorge Amado rasteira os patrulheiros do politicamente correcto.

Vinicius de Moraes louva o músico e escritor Chico Buarque.

Sophia de Mello Breyner aprecia Mia Couto e fala do amor.

Saint-Exupéry está convicto da superior taxa de sucesso dos escritores-aviadores.

Padre António Vieira defende o futuro do português e a criação de uma Academia da Língua Portuguesa.

Camilo Castelo Branco delicia-se com as leituras públicas e abomina os e-books...

A minha opinião

O Lugar do Morto foi-me sugerido pela M João Covas quando estivemos juntas na apresentação do livro A Sociedade dos Sonhadores Involuntários na Feira do Livro de Sesimbra este ano. Ambas "virgens" em livros de Agualusa mas ela com a vantagem de já ter lido estas crónicas.

Gosto de livros de crónicas. De pedaços que nos permitem ser lidos um de cada de vez, sem seguimento, leituras leves que não obrigam a grande ginástica mental. São bons para os intervalos entre leituras mais intensas, para desanuviar.

O Lugar do Morto cumpre todos os esses requisitos e, por isso, foi uma boa companhia por estes dias, antes de me lançar na leitura do livro secreto deste mês.

Para além de cumprir os requisitos para um bom livro de crónicas, é engraçada a forma escolhida. Autores falecidos a comentar assuntos da actualidade como se estivessem a escrever lá do céu

(presumo que alguns dos meus clientes que me pedem para mandar cartas registadas a mortos tenham lido este livro e achado que era mesmo verdade)

Para quem gosta do género, como eu, é, sem dúvida, a ler.

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A Sociedade dos Sonhadores Involuntários

por Magda L Pais, em 11.08.17

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A Sociedade dos Sonhadores Involuntários de José Eduardo Agualusa

ISBN: 9789897223327

Editado em 2017 pela Quetzal Editores

Sinopse

O jornalista angolano Daniel Benchimol sonha com pessoas que não conhece. Moira Fernandes, artista plástica moçambicana, radicada em Cape Town, encena e fotografa os próprios sonhos. Hélio de Castro, neurocientista brasileiro, filma-os. Hossi Kaley, hoteleiro, antigo guerrilheiro, com um passado obscuro e violento, tem com os sonhos uma relação ainda mais estranha e misteriosa. Os sonhos juntam estas quatro personagens num país dominado por um regime totalitário à beira da completa desagregação.

A Sociedade dos Sonhadores Involuntários é uma fábula política, satírica e divertida, que desafia e questiona a natureza da realidade, ao mesmo tempo que defende a reabilitação do sonho enquanto instrumento da consciência e da transformação.

A minha opinião

Nesta minha primeira experiência com Agualusa, quero, para começar, destacar a coragem de escrever este livro. A Sociedade dos Sonhadores Involuntários é, sem qualquer margem de dúvidas, uma critica acérrima à situação política de Angola (que se espera que mude brevemente). Confesso que, aliás, foi essa a parte que mais me atraiu, que me fez quer ler até ao fim (tendo ficado a saber a pouco).

Cheguei ao fim do livro sem ter decidido se fiquei fã ou se é mais um escritor que me agrada. Alturas houve, enquanto lia, que a escrita era magistral e outras que me custou a ler. Agualusa tem um estilo muito próprio que se começa por estranhar mas que também se entranha. Creio que, para mim, o que falhou, foi a parte mística do livro (sou um bocado alérgica a misticismos), porque a parte mais "real" me agradou sobremaneira.

De notar ainda que, quanto a mim, há partes do livro que se tornam confusas, nomeadamente quando o narrador é outro sem que tal esteja indicado claramente. Defeito meu, acredito mas creio que o livro ganharia outro animo se se percebesse bem quando outro narrador toma o lugar de Daniel (mesmo que isso se subentenda dos diálogos).

No entanto não penso por Agualusa de parte (tanto que estou a começar a ler O Lugar do Morto). É, certamente, um um autor a quem irei dar mais oportunidades porque, no geral, este foi um livro muito agradável e que me deu prazer ler. 

(leia aqui as primeiras páginas)

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