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Leituras de praia 2017

por Magda L Pais, em 10.07.17

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As férias estão quase a começar pelo que chegou a altura do ano em que tenho de escolher os livros que me irão acompanhar até à praia em Sesimbra.

Este ano não penso reler nenhum, preferindo ler livros novos - para mim. A escolha não foi fácil mas recaiu sobre:

Os Miseráveis, Vol. I Os Miseráveis Vol. II  de Victor Hugo - há anos que ando para ler este clássico de 1857 mas, infelizmente, apenas encontrava as versões das operetas. Na última feira do livro lá estavam dois volumes prontinhos para eu trazer para casa, cortesia da Relógio d'Agua, por um preço bastante aceitável. Não resisti ao chamamento, trouxe-os comigo para ler nestas férias.

Winston Churchill: Uma vida de Martin Gilbert - na verdade este livro não me vai acompanhar à praia. Vai ficar em casa para o ler no intervalo das idas à praia. É que são 958 páginas sobre a vida deste estadista e acho (só acho) que era coisa para me dar cabo do ombro. Ou então teria de arranjar um carrinho de mão. Pelo sim pelo não, leio em casa.

22/11/63 de Stephen King - muito provavelmente vou-me arrepender de ter visto a série agora que vou ler o livro porque, naturalmente, o livro deve ser bem melhor que a série. Se bem que também gostei muito da série. A ver vamos.

Anel Oculto, Teias de Sonhos, Jóia Perdida, A Senhora de Shalador e Despertar do Crepúsculo, todos de Anne Bishop - os volumes que me faltavam da minha autora favorita, passados no universo das Jóias Negras, onde os homens são criados e educados a servir as mulheres. Descobri que me faltavam estes volumes, já os fui buscar e agora é altura de os ler. Em todo o lado...

A Vidente de Lars Kepler - dizem-me que este é o melhor de todos os livros da série Joona Linna, vamos ver se é verdade. Gostei de ler os outros dois, veremos o que me reserva este terceiro.

A Filha da Minha Melhor Amiga de Dorothy Koomson - a minha estreia com esta autora que tanto me tem sido recomendada. As expectativas estão elevadas, espero não me desiludir.

A Rainha Branca de Philippa Gregory - mais uma estreia nestas férias. Ouço falar muito bem desta autora e desta série, veremos o que vou achar.

A Firma de John Grisham - é, seguramente, um dos meus autores favoritos. Já me enganei na paragem em que queria sair do metro por causa dum livro dele. Esta é uma leitura segura, que sei que irei gostar.

Durante as minhas férias - e como é habitual - irá decorrer a feira do livro de Sesimbra. Lá irei com pelo menos um livro em mente para comprar - O Covil dos Lobos, de Juliet Marillier, o último da série Blackthorn & Grim.

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Se não o tiverem lá, terei de o comprar depois, já que Juliet Marillier anda ali perto do podium dos meus autores favoritos em conjunto com Anne Bishop

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As Instruções da Pitonisa

por Magda L Pais, em 24.07.16

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As Instruções da Pitonisa de Erik Axl Sund

As Faces de Victoria Bergman - Livro III

ISBN: 9789722528825

Editado em 2015 pela Bertrand Editora 
 
Sinopse
Um carro é devorado pelas chamas em Tantoberget. No interior, estão os corpos carbonizados de duas mulheres, as principais suspeitas dos assassínios em série das antigas alunas do internato de Sigtuna que Victoria Bergman frequentou. Na posse de uma delas, a polícia encontrou várias polaroides dos assassinados rodeados por túlipas amarelas. A detetive Jeanette Kihlberg compreende que, sob a aparência de suicídio a loucura mortífera prossegue o seu caminho. Sofia Zetterlund mantém as sessões de autoterapia para tentar, finalmente, compreender quem realmente é. Victoria Bergman recusa-se a ser dominada e ameaça continuar. Entretanto Madeleine, pensa na sua próxima vítima. É tempo de pagar.
 
A minha opinião
As faces de Victoria Bergman ficam, para mim, marcadas por serem a trilogia com a temática mais pesada que alguma vez li. Não que isso lhes tire crédito, antes pelo contrário. Sinto-me arrebatada, em completo, por estes livros sendo que este último nos traz algumas reviravoltas inesperadas, comprovando que nem sempre tudo o que parece é, e às vezes nem para os próprios envolvidos.
Já falei na temática da trilogia - a pedofilia e os seus efeitos a longo prazo nas crianças. A parte psicológica dos traumas. Acima de tudo são livros com uma forte componente psicológica e que, por isso, podem não agradar a toda a gente.
Mas a escrita? o que dizer da forma como estes livros estão escritos? bom, creio que o facto de ter lido os três em cinco dias demonstrará que, se a história é envolvente, a escrita também, tal como a estrutura. Entre viagens ao passado e ao presente, vários pontos de vista diferentes e locais distintos, é necessária alguma atenção para não nos perdermos. Mas no fim... no fim tudo se entende e as pontas que ficam soltas não são, de todo, fundamentais.
Termino com uma frase que aparece algures no final do livro retirada do romance de Hemingway, "Por quem os sinos dobram".
 
O mundo é um lugar esplêndido que merece que se lute por ele

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Fome de Fogo

por Magda L Pais, em 23.07.16

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Fome de Fogo de Erik Axl Sund;

As Faces de Victoria Bergman - Livro II

ISBN: 9789722528382

Editado em 2014 pela Bertrand Editora

Sinopse

Os esforços de Jeanette Kihlberg para solucionar os casos dos meninos mortos são cerceados quando um homem de negócios é assassinado em Estocolmo, naquilo que parece ser uma morte ritualista. Alguns pormenores sugerem um ato de vingança. Mas vingança de quê?
Entretanto, Jeanette continua à procura da desaparecida Victoria Bergman e as suas investigações levam-na a um colégio interno de elite, bem como à Dinamarca e a acontecimentos do seu próprio passado. Por seu turno, a psicoterapeuta Sofia Zetterlund tenta encontrar-se a si própria. À semelhança do primeiro livro desta trilogia, somos confrontados com voltas e reviravoltas e um final absolutamente inesperado.

A minha opinião

Pesado. Negro. Profundamente marcante. Estas são as palavras que podem descrever esta trilogia. O lado mais obscuro da mente humana, o crime mais hediondo que se pode cometer - a pedofilia - contado pelas crianças que o sofrem. Mas contado também pelos adultos que um dia foram crianças abusadas sexualmente pelos pais e pelos amigos dos pais. Vendidas, exploradas até ao âmago, obrigadas a dar para adopção as crianças nascidas desses abusos que, por sua vez, são abusadas pelos adoptantes. 

Assustador. 

Este é um dos thrillers mais pesado e mais negro que li nos últimos tempos. Mas, ao mesmo tempo, viciante. Sem grandes surpresas, confesso. Mas, ao mesmo tempo, é essa ausência de surpresas ao longo do livro que nos levam a ser ainda mais surpreendidos pelo final deste segundo volume. Creio que os autores quiseram chamar a atenção para as consequências psicológicas da pedofilia, nos danos permanentes (alguns deles físicos) que ficam nas crianças que foram abusadas. E conseguem-no. Conseguem-no de tal modo que damos connosco a olhar à volta e a pensar nas crianças que nos rodeiam e esperamos, desejamos, que nunca sintam o mesmo.

Recomendo, vivamente, a leitura. A todos. 

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A Rapariga-Corvo

por Magda L Pais, em 22.07.16

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A Rapariga-Corvo de Erik Axl Sund

As faces de Victoria Bergman Volume I

ISBN: 9789722526159

Editado em 2014 pela Bertrand Editora

Sinopse

A psicoterapeuta Sofia Zetterlund está a tratar dois pacientes fascinantes: Samuel Bai, um menino-soldado da Serra Leoa, e Victoria Bergman, uma mulher que tenta lidar com uma mágoa profunda da infância. Ambos sofrem de transtorno dissociativo de personalidade.
A agente Jeanette Kihlberg, por seu lado, investiga uma série de macabros homicídios de meninos em Estocolmo. O caso está a abalar a investigadora, mas não tem tido grande destaque devido à dificuldade em identificar os meninos, aparentemente de origem estrangeira.
Tanto Jeanette como Sofia são confrontadas com a mesma pergunta: quanto sofrimento pode um ser humano suportar antes de se tornar ele próprio um monstro?
À medida que as duas mulheres se vão aproximando cada vez mais uma da outra, intensificam-se os segredos, as ameaças e os horrores à sua volta.

A minha opinião

Confesso-me agradavelmente surpreendida por este livro apesar do tema bastante pesado que aborda - a pedofilia e o tráfico de crianças para fins sexuais. Sim, porque é disso que este thriller trata. Crianças abusadas sexualmente pelos seus pais e amigos deles, desde tenra idade, com o beneplácito das mães que fingem ignorar o que se passa nas suas próprias casas.

Apesar de, a determinada altura, ter percebido quem era quem, a verdade é que este livro não pretende, em momento algum, esconder as faces de Victoria, mas antes dar a conhecer os danos psicológicos e permanentes a que estão sujeitas as crianças violentadas.

Não é de leitura fácil e muito menos de leitura leve. Mais que os abusos às crianças, há a vertente psicológica das personagens, acima de tudo, Sofia e Jeanette, duas personagens fortes, muito bem construídas, elas próprias em crescimento ao longo do livro.

Creio que a estrutura poderá ser, ao inicio, confusa mas, com a continuação, a leitura torna-se tão intensa, tão envolvente, que nem nos apercebemos sequer de que a narrativa salta entre o passado de Victoria Bergman, abusada sexualmente pelo pai desde os três anos de idade e o presente (de Sofia e Jeanette).

Estou absolutamente rendida a esta trilogia e já comecei o segundo volume. E é para lá que vou de seguida.

 

(leiam aqui as primeiras páginas)

 

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As Serviçais

por Magda L Pais, em 18.07.16

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As Serviçais de Kathryn Stockett

Editado em 2011 pela Saída de Emergência

ISBN: 9789896372545

Sinopse

Um romance que vai fazer de si uma pessoa diferente. Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo. Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego... até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade. Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza. Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

 

A minha opinião

Li quase todo o livro na praia enquanto, ao lado, uma família negra brincava na areia e na água. Confesso que, de vez em quando, olhava para eles e pensava que ainda bem que vivem em pleno século XXI e não estão tão limitados como Aibileen e Minny e como outros tantos que viviam em 1962, destinados a trabalhos menores, mal pagos e com "direito" a uma casa de banho própria porque:

- 99% de todas as doenças dos negros são transmitidas pela urina

- os brancos podem ficar permanentemente incapacitados por quase todas essas doenças, porque nos faltam as imunidades que os negros possuem na sua pigmentação mais escura

- alguns germes dos brancos também podem ser prejudiciais aos negros

protegei-vos. protegei os vossos filhos

(e depois lembro-me que, afinal, em algumas zonas do globo, ainda existe escravatura e fico feliz por aquela família poder estar na praia sem preocupações desse género, desejando, ao mesmo tempo, que todas as famílias de todas as cores, pudessem fazer o mesmo)

Ao mesmo tempo que é ternurento, pela amizade que une três mulheres tão diferentes entre si, este é também um livro que nos leva a pensar na forma como muitos negros - seres humanos - foram tratados durante anos e anos. Findou a escravatura oficialmente mas os negros continuaram impedidos de andar nas mesmas escolas que os brancos, de votar, ou até de andar nos mesmos transportes públicos. Os filhos dos brancos eram criados pelas empregadas pretas mas acabavam por, um dia, também eles serem patrões de negros, eternizando as regras que os separavam. Felizmente nem todos eram assim e acabavam por criar verdadeiros laços fraternais com as suas amas, nalguns casos mais do que com as próprias mães. De notar ainda que, muitas vezes, os patrões tentavam quebrar as regras racistas e alguns negros ficavam incomodados com isso, como se eles próprios achassem que assim era melhor.

Apesar de se tratar duma obra de ficção, a verdade é que a história de Aibileen e Minny podia ser uma história real. E é assim que a sentimos ao longo de todo o livro. A simplicidade com que está escrito torna-o ainda mais acessível, mais fácil de ler e dá-nos vontade de o continuar a ler. De saber mais sobre as suas personagens, sobre o seu futuro após o livro. Poucos são os livros que nos deixam com essa vontade e este é, seguramente, um deles.

 

 

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já participaram no Passatempo Visão de Prata/Anne Bishop?

 

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