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A Outra Metade de Mim (Mischling)

por Magda L Pais, em 16.10.17

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A Outra Metade de Mim (Mischling) de Affinity Konar

ISBN: 9789722532730

Editado em 2016 pela Bertrand Editora

 

Sinopse

Pearl tem a seu cargo o triste, o bom, o passado. Stasha fica com o divertido, o future, o mau. Corre o ano de 1944 quando as gémeas chegam a Auschwitz com a mãe e o avô. No seu novo mundo, Pearl e Stasha Zamorski refugiam-se nas suas naturezas idênticas, encontrando conforto na linguagem privada e nas brincadeiras partilhadas da infância. As meninas fazem parte da população de gémeos para experiências conhecida como o Zoo de Mengele e, como tal, conhecem privilégios e horrores desconhecidos dos outros. Começam a mudar, a ver-se extirpadas das personalidades que em tempos partilharam, as suas identidades são alteradas pelo peso da culpa e da dor. Nesse inverno, num concerto orquestrado por Mengele, Pearl desaparece.

Stasha sofre a perda da irmã, mas agarra-se à possibilidade de que ela continue viva. Quando o campo é libertado pelo Exército Vermelho, ela e o companheiro Feliks - um rapaz que jurou vingança depois da morte do seu gémeo - atravessam a Polónia, um país agora destruído. Não os detêm a fome, os ferimentos e o caos que os rodeia, motivados como estão em igual medida pelo perigo e pela esperança. Encontram no seu caminho aldeões hostis, membros da resistência judaica e outros refugiados como eles, e continuam a sua viagem incentivados pela ideia de que Mengele pode ser apanhado e trazido à justiça. À medida que os jovens sobreviventes descobrem o que aconteceu ao mundo, tentam imaginar um futuro nele. Uma história extraordinária, contada numa voz que tem tanto de belo como de original, Mischling é um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança.

A minha opinião

Livros sobre a segunda guerra mundial exercem, sobre mim, sentimentos ambíguos. Se, por um lado, me levam a reflectir sobre a maldade, sobre a capacidade do homem se ultrapassar a si próprio pela negativa, no mal que faz aos seus semelhantes, por outro fico sempre maravilhada com a capacidade de se ultrapassar o pior que se pode imaginar. A Outra Metade de Mim é. acima de tudo, um livro sobre isso mesmo, a capacidade do ser humano de ultrapassar o pior, de encontrar a beleza e a esperança onde menos se pode esperar.

Mengele é, sem dúvida, o expoente máximo do horror que se passou na segunda guerra mundial. O seu Zoo de crianças, onde fazia experiências com gémeos (chegando ao extremo de cozer - a sangue frio - um gémeo ao outro) ou grávidas (chamando cesariana a acto de esventrar da mulher e à tortura do feto, enfiando-o, por exemplo, num balde de água a ferver enquanto a mãe assistia). Pelo meio as crianças eram torturadas física e psicologicamente, sujeitando-se, muitas vezes de forma voluntária, a tudo o que Mengele e os seus capangas quisessem, porque lhes era prometido que a família estaria a salvo (o que, obviamente, nunca acontecia).

Este é, sem dúvida e até agora, o meu livro preferido da segunda edição do livro secreto. Pelo tema mas também pela escrita. A Outra Metade de Mim é escrita a duas vozes, por Pearl e por Stasha, duas gémeas cativas e que acabam por ser separadas por Mengele. Apesar do tema ser pesado, acabamos por encontrar a ternura e o amor que une as duas irmãs e que, ao mesmo tempo, as une aos seus companheiros de infortúnio, principalmente a Peter e ao Paciente Azul.

Não é um livro que recomende de animo leve. Quem sofre com estes temas, quem sofre com as descrições feitas das atrocidades cometidas, deve ler este livro com contenção. Não pelo que é descrito - a autora teve alguns cuidados com as descrições - mas com o que fica subentendido. E, às vezes, isso é o pior...

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O Vendedor de Passados

por Magda L Pais, em 05.10.17

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O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa 

Editado em 2017 pela Quetzal Editores

ISBN: 9789897223686

Sinopse

Félix Ventura escolheu um estranho ofício: vende passados falsos. Os seus clientes - prósperos empresários, políticos, generais, enfim, a emergente burguesia angolana - têm o futuro assegurado. Falta-lhes, porém, um bom passado. Félix fabrica-lhes uma genealogia de luxo e memórias felizes, e consegue-lhes os retratos dos ancestrais ilustres.

A vida corre-lhe bem. Uma noite entra-lhe em casa, em Luanda, um misterioso estrangeiro à procura de uma identidade angolana. Então, numa vertigem, o passado irrompe pelo presente e o impossível começa a acontecer. Sátira feroz, mas divertida e bem-humorada, à atual sociedade angolana, O Vendedor de Passados é também (ou principalmente) uma reflexão sobre a construção da memória e os seus equívocos.

A minha opinião

Depois de ler O Lugar do Morto e A Sociedade dos Sonhadores Involuntários alguém me sugeriu a leitura deste livro, por considerarem que O Vendedor de Passados era o melhor que Agualusa escreveu. Tenho de confessar que não me lembro que me disse isto mas lembro-me que, quando vi que este livro estava a circular no âmbito do livro secreto, fiquei ansiosa para que me chegasse às mãos para que pudesse comprovar o que me disseram.

Bem... é verdade. Pelo menos comparando com os outros dois que li, Agualusa, neste Vendedor de Passados encantou-me.

Primeiro encanto do livro, o narrador. Entre os narradores dos livros que li, temos um narrado pela Morte, outro narrado pelo próprio Livro, e este, entra para esse top de narradores diferentes com uma Osga...

Ao chegar-mos a velhos apenas nos resta a certeza de que em breve seremos ainda mais velhos. Dizer a alguém que é jovem não me parece uma expressão correcta.

Agualusa, também neste livro, faz uma critica acérrima à sociedade angolana, do presente e do passado, um povo à procura da sua identidade, do seu passado. Félix, um negro albino, vende exactamente isso. Passados a quem deles precisa por alguma razão.

Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.

Uma história original, sem dúvida, numa escrita própria (que, eventualmente, nem toda a gente gostará) mas que, sem dúvida se aprende a apreciar aos poucos. Ainda bem que optei por não desistir da leitura de Agualusa porque este Vendedor de Passados conquistou-me por inteiro.

(leia aqui as primeiras páginas)

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Contigo para Sempre

por Magda L Pais, em 18.08.17

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Contigo Para Sempre de Takuji Ichikawa 

ISBN: 9789722345767

Editado em 2011 pela Editorial Presença

Sinopse

Quando Mio, de vinte e nove anos, morre de doença, deixa para trás Takumi, um marido problemático, e Yuji, o filho de cinco anos. Mas um dia, enquanto estes passeiam num bosque, eis que a reencontram, confusa e sem qualquer memória do que lhe aconteceu. Mio quer saber o que esqueceu, por isso o marido conta-lhe a sua história, à medida que procura respostas para a reaparição da mulher e tenta reconciliar-se com a perspectiva de a ir perder uma segunda vez… Um romance mágico e comovente sobre o poder redentor do tempo e das recordações.

Contigo Para Sempre é a história de amor mais lida no Japão e em Hong Kong, cujo enorme sucesso inspirou um filme, uma série para a televisão e uma banda desenhada.

A minha opinião

Mais uma vez, e mesmo correndo o risco da repetição, este é um livro que, não fora o livro Secreto e eu nunca olharia duas vezes para ele. E, no entanto, é um livro fabuloso, não só sobre o amor mas também, e principalmente, sobre as opções que tomamos no dia a dia, sobre a forma como encaramos algumas situações e sobre o que poderia ter sido.

Contigo para Sempre é um livro de degustação lenta, em jeito de quem ouve uma história que já conhece bem para adormecer. Uma história que começa pelo fim, sabemos exactamente o que vai acontecer, só não sabemos como se chega lá.

Esta é uma história doce, romântica sem que, ainda assim, haja grandes declarações de amor. Sem grandes altos e baixos, sem conflitos. Um amor puro relatado num livro puro.

Um excelente livro, sem sombra de alguma dúvida.

leiam aqui as primeiras páginas

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Ferrugem Americana

por Magda L Pais, em 08.07.17

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Ferrugem Americana de Philipp Meyer

ISBN: 9789722522830

Editado em 2011 pela Bertrand Editora

 

Sinopse

Passado na Pensilvânia, num cenário de grande beleza mas economicamente destruído, é um livro sobre a perda do sonho americano e do desespero – bem como da amizade, lealdade e amor – que dela advêm.

Esta é a história de dois rapazes ligados à cidade pela família, responsabilidade, inércia e beleza, que sonham com um futuro para além das fábricas e das casas abandonadas. Isaac English é deixado a tomar conta do pai depois do suicídio da mãe e de a irmã ter fugido para a universidade de Yale. Quando finalmente decide partir, acompanhado pelo seu melhor amigo, o temperamental Billy Poe, antiga estrela do futebol do liceu, são apanhados num terrível acto de violência que muda as suas vidas para sempre. Ferrugem Americana, evocativa dos romances de Steinbeck, leva-nos ao coração da América contemporânea num momento de profunda inquietação e incerteza quanto ao futuro. Trata-se de um romance negro mas lúcido e comovente, acerca da desolação que se bate com o nosso desejo de transcendência e acerca da capacidade salvadora do amor e da amizade.

A Minha Opinião

Mais uma colheita da segunda rodada do livro secreto. Um livro que, em condições normais não me chamaria a atenção mas que, no fim, acaba por ser do meu agrado.

Dividido em seis partes, contado a seis vozes – Harry, Poe, Isaac, Lee, Grace e Henry – este livro leva-nos à uma cidade destruída pela crise económica, com quase todas as fábricas fechadas e onde a pobreza se instala mas as amizades ainda valem por tudo, contando-nos uma história num timbre negro.

A escrita… bem, a escrita é simplesmente fantástica. Seis pessoas, seis narradores, seis escritas diferentes, como se estivéssemos, na verdade, na cabeça de cada personagem, o que acaba por tornar a história mais rica, mais envolvente, ainda mais interessante porque nos inclui nos pensamentos e sentimentos de cada um.

A insensatez da juventude, as atitudes irrefletidas, a inadaptação de quem se sente diferente – ainda que não seja – o espirito de entreajuda, tudo mas mesmo tudo o que define um ser humano, pode ser encontrado neste livro, num cenário trágico.

Sugiro, honestamente, a leitura deste livro. Não estranhem se as primeiras páginas não vos atraírem especialmente. Eu tenho de confessar que estive quase a desistir da leitura mas ainda bem que persisti, porque quando o acabei percebi que tinha lido um excelente livro.

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Obrigada Pelas Recordações

por Magda L Pais, em 20.04.17

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Obrigada Pelas Recordações de Cecelia Ahern

ISBN: 9789722344562

Editado em 2010 pela Editorial Presença

Sinopse

Quando Joyce Conway acorda no hospital depois de uma queda grave, sabe que a sua vida nunca mais será a mesma. Não só perdeu o filho que carregava no ventre, como se apercebe que o seu casamento chegou a um beco sem saída. Mas estas não são as únicas consequências. Joyce simplesmente já não é a mesma pessoa. De repente disserta sobre arte e arquitectura europeias, tem hábitos alimentares completamente diferentes, fala sobre ruas parisienses onde nunca esteve… e cruza-se amiúde com um homem a quem sente que está estranhamente ligada…

A minha opinião

Comecei este livro com algumas reservas, confesso, atendendo à classificação no Goodreads e às opiniões que ia lendo por ai. Não coloquei a leitura logo de parte porque, salvo raras excepções, gosto de experimentar antes de dizer que não gosto.

Este livro assenta numa premissa completamente inverosímil. Joyce recebe uma transfusão de sangue e, a partir dai, as suas recordações e o seu comportamento mudam por completo. De vegetariana convicta passa a comer carne com satisfação, começa a falar três línguas diferentes e começa a perceber de arte e monumentos. Justin, o professor de arte e curador dum museu, obrigado a dar sangue (confesso que percebo perfeitamente o medo de agulhas que ele tem) sente uma ligação estranha com Joyce, com quem se começa a cruzar constantemente.

Bom, não sendo um livro de fantasia, esta ideia do conhecimento e das memórias se transmitirem por uma doação de sangue e de que haja uma ligação entre ambos é extraordinariamente estapafúrdia. Mas pronto, deixemos isso de parte e foquemos no resto.

Não é, de todo, uma obra de arte da literatura, nem sequer é um livro memorável. É um livro mediano, com uma história razoável e que tem alguns momentos hilariantes que nos são proporcionados pelo pai de Joyce. Lê-se bem, desde que não tenhamos as expectativas demasiado elevadas, pelo que creio que não foi tempo totalmente perdido.

 

(leia aqui as primeiras páginas)

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