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O Poder

por Magda L Pais, em 21.05.18

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O Poder de Naomi Alderman

ISBN: 9789897731044

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

A minha opinião

E se o mundo fosse governado pelas mulheres e os homens fossem o sexo mais fraco? Seria um mundo mais ou menos violento? mais ou menos igualitário? O Poder parte precisamente dessa premissa. Um dia - na sociedade de hoje - as mulheres começam a ter uma meada eléctrica que lhes dá um poder nunca antes visto. E, num mundo de homens, elas começam a impor-se e a vingar-se de anos (séculos) em que foram consideradas as mais fracas, as que se tinham de vergar à vontade dos homens. E um dia, mais de 5000 anos depois das primeiras mulheres descobrirem que tinham a meada, como seria a nossa sociedade?

Intrigante... Creio que esta é a palavra que melhor descreve este livro que está com uma concepção muito interessante, como se fosse um manuscrito dum livro de história, enviado por um homem a uma mulher. Uma espécie de conversa entre amigos (as cartas entre ambos estão no inicio e no fim do livro). Curioso como, no fim, percebemos que a nova ordem da sociedade é totalmente inversa à actual, como a história seria reescrita (terão alguma vez as mulheres sido o sexo fraco e oprimido?).

Mas não podemos ficar por ai. Porque O Poder também é um livro que mexe com as nossas convicções. Não é uma leitura confortável nem sequer uma leitura aprazível. Está, seguramente, ao nível de 1984 ou Fahrenheit 451 como distopia e mostra como o poder pode corroer e destruir.

Porque O Poder também mostra como as relações de amizade, de amor ou familiares podem ser facilmente destruídas quando se é mais forte que os outros.

O Poder é, seguramente, dos livros que li recentemente, o mais perturbador, o mais violento (algumas descrições são de revoltar o estômago dos mais sensíveis), o mais intrigante e, ao mesmo tempo, um dos mais brilhantes. A reler certamente daqui a um ou dois anos para absorver melhor tudo o que nos transmite. 

(leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

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Rosa Brava

por Magda L Pais, em 17.05.18

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Rosa Brava de José Manuel Saraiva

ISBN: 9789897242632

Editado em 2016 pelo Clube do Autor

Sinopse

Em 1368, D. Leonor Teles de Menezes, a mulher mais desejada do Reino, casa com o morgado de Pombeiro, D. João Lourenço da Cunha. O matrimónio é imposto por seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mulher fora do tempo, aceita contrariada o casamento, que a melancolia da vida do campo não ajuda a ultrapassar. Por isso, decide abandonar o marido e parte para Lisboa, para gozar a vida de riqueza e luxúria que a Corte proporciona. Perversa e ambiciosa, não tem dificuldade em seduzir o jovem monarca, D. Fernando, alcançando, desse modo, o poder que sempre desejou. Mas a nobreza, o clero e o povo não veêm com bons olhos esta aliança de adultério com o Rei. E menos ainda quando a formosa Leonor Teles se envolve com o conde Andeiro... "Rosa Brava" é um romance baseado na investigação histórica que, por entre intrigas palacianas, traições, assassínios e guerras com Castela, reinventa, numa linguagem cativante, uma das personagens mais fascinantes da História de Portugal.

A minha opinião

Mix feelings. Esta é a frase que melhor explica o que senti na leitura deste livro que me veio parar às mãos no âmbito do livro secreto mas que já tinha sido namorado por mim em diversas ocasiões já que sou fã de romances históricos.

Se, por um lado, gostei de conhecer a história de mais uma rainha de Portugal (e desta vez sem ser igual às outras como acontece sempre que leio Isabel Stilwell), por outro houve momentos do livro que me senti numa aula de história com o manual à frente e o professor a debitar matéria. E não é bem isto que procuro num romance histórico.

Ainda por um terceiro lado, a escrita do autor, completamente fora de época (da nossa) e respeitando muito o modo de falar da época em que D Leonor viveu, deixou-me encantada com o livro. Mas, por um quarto lado, a personagem principal, D Leonor de Teles, deixou-me com vontade de lhe pregar dois tabefes na cara. Fria, maquiavélica, calculista, manipuladora, intriguista, para ser simpática. Porque, na realidade e como diria o outro, só me apetece comprar um dicionário cheio de nomes feios que é para lhe chamar todos até ter os ouvidos cheios. Gosto quando um livro me faz odiar tanto uma personagem (já de si odiada por todos os que, com ela, conviveram).

Mas há mais lados.

Parte do livro dá-nos a conhecer a fundo D Fernando e o desgoverno do seu reinado (já repararam que muitos reis o fizeram? E muitos governos? Até parece que é uma característica intrínseca de Portugal – não nos sabemos governar!) mas depois, a partir de determinada altura, o livro passa a ser muito superficial, sem entrar nos detalhes que nos são dados ao início.

No cômputo geral, valeu realmente a pena ler este livro.

(leia aqui as primeiras páginas)

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Justiça de Kushiel

por Magda L Pais, em 15.05.18

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Justiça de Kushiel de Jacqueline Carey

Kushiel #6

ISBN: 9789896375263

Editado em 2013 pela Saída de Emergência

Sinopse

Kushiel barra o caminho de Phèdre, severo e ameaçador. Numa mão, segura uma chave de bronze, e na outra… um diamante, enfiado num cordão de veludo. Phèdre nó Delaunay, a eleita dos deuses para suportar um indizível sofrimento com infinita compaixão é a vítima perfeita, a oferenda sem igual cuja profanação assegurará a ascendência de Angra Mainyu, O Senhor das Trevas. A morrer, pensa Phèdre, será às mãos do amor.

Mas o amor é uma força assombrosa, e amor há que desafia todas as probabilidades… E o Amor reina em força neste volume pungente, a encerrar a saga de Kushiel. O amor de Joscelin por Phèdre, seu Companheiro Perfeito que tudo dá por ela. O amor de Phèdre pela sua rainha, que quer Imriel de la Courcel de volta, o amor de Phèdre por Hyacinthe, seu único e verdadeiro amigo, por toda a eternidade condenado ao cativeiro como Senhor do Estreito.

O amor de Phèdre por Imriel, apenas amor simples e destituído de adornos. O Lungo Drom de Phèdre e Joscelin continua, por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome. Ousará Phèdre? Ousará Phèdre receber o Nome de Deus e com ele obrigar a que libertem Hyacinthe? "Para receber o Seu Nome", instruiu o místico yeshuíta Eleazar ben Enokh, "d’Ele nos deveremos acercar em perfeita confiança e amor, do nosso ser fazer um recetáculo onde o nosso ser não esteja." Logrará Phèdre fazê-lo?

A minha opinião

Definitivamente a saga Kushiel é uma das melhoras sagas que já tive o prazer de ler, ficando apenas atrás dos livros de Anne Bishop, especialmente, claro, das Jóias Negras. Aliás... Dark Fantasy é um conceito definido por estas duas sagas. Todas as outras - Guerra dos Tronos incluída - são meras aprendizes face à mestria com que Anne Bishop e Jacqueline Carey escrevem. Diferentes no estilo de escrita - Anne Bishop com uma escrita mais actual, Jacqueline Carey com uma escrita mais renascentista - mas iguais na fluidez, na qualidade, no envolvimento que criam com o leitor, na construção de personagens coerentes e fortes, arrebatando os leitores duma forma como poucos o conseguem fazer.

Justiça de Kushiel é o último volume desta primeira saga. Bem, primeira e única editada em português (INFELIZMENTE!) e, por isso, foi lido com um amargo de boca. Porque realmente queria chegar ao fim, queria saber como acabavam as aventuras de Phèdre e se realmente conseguia libertar Hyacinthe do seu degredo. E tudo terminaria bem, como convêm, não fosse dar-se o caso de que, depois deste, nada mais há desta autora.

Para perceberem bem o quanto gostei desta saga, estaria disposta a ler os outros livros (a história de Imriel) em inglês. E em ebook se fosse caso disso. Só não o faço porque tenho medo que, o que torna a escrita de Jacqueline Carey tão perfeita, seja para mim, um senão na leitura em inglês.

Não me canso de o repetir. Fãs de fantasia, leiam esta saga. Fãs da Guerra dos Tronos, leiam esta saga. Fãs das 50 Sombras, leiam esta saga (e aprendam o que é um bom livro). Fãs de Anne Bishop, leiam também.

E depois juntem-se a mim num abaixo assinado para que sejam editados mais livros desta autora em Portugal. E para que ela venha ao festival Bang de 2019! 

Enquanto isso... deliciem-se com as primeiras páginas desta volume.

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Avatar de Kushiel

por Magda L Pais, em 12.05.18

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Avatar de Kushiel de Jacqueline Carey

Kushiel #5 

ISBN: 9789896374051

Editado em 2012 pela Saída de Emergência

Sinopse

A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade.

Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir.

Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte.

A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.

A minha opinião

Quero acabar este livro. Mas não quero acabar este livro porque, se o acabo, fico mais perto do fim desta saga. Mas quero acabar este livro e saber como Phèdre e Joceline resolvem mais este imbróglio em que se meteram. Mas não quero acabar este livro porque a escrita de Jacqueline Carey é única, maravilhosa, intensa, fluida, sofisticada, extraordinária. Mas quero saber o que reserva o destino para Imriel e Hyacinthe. Mas não quero… e quero.

Conseguem perceber o meu dilema? Avatar de Kushiel é o penúltimo livro da saga Kushiel, únicos livros publicados em Portugal desta extraordinária autora. Lamentavelmente esta saga teve pouco sucesso em Portugal, contrariamente a outras que merecem muito menos ser conhecidas dos leitores. Muitos fãs de fantasia não a conhecem e nunca a leram (e nem sabem, honestamente, o que perdem).

Avatar de Kushiel é, talvez, o mais violento de todos os livros. Se, dos outros 4, apenas uma descrição me deixou com o estomago em vias de se revoltar (felizmente o meu estomago percebe o que é ficção e realidade e não se revolta com facilidade – apesar de andar lá perto), neste quinto volume foram duas ou três descrições que o fizeram. E que descrições. Quase que sentimos que nos acontece a nós ou que somos espectadores em primeira fila, tirando-nos o folego e deixa-nos arrebatados pela beleza ou pelo horror.

Violento. E intenso. E extraordinário. Uma saga que, seguramente, um dia voltarei a ler. Porque de certeza que lhe descobrirei, a cada leitura, mais razões para considerar esta saga como uma das melhores sagas de fantasia que já li, a par das Joias Negras de Anne Bishop. E nem se compara com A Guerra dos Tronos.

Pego, por fim, no sexto volume. Menos páginas (obrigado à Saída de Emergência por pensar nas minhas costas e nos meus ombros) logo será lido mais rapidamente. Mas será mesmo isso que quero? Ou quererei prolongar o prazer que me dá esta leitura?

A ver vamos…

Leia aqui as primeiras páginas

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A nossa casa é onde está o coração

por Magda L Pais, em 08.05.18

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A nossa casa é onde está o coração de Toni Morrison

ISBN: 9789722354967

Editado em 2015 pela Editorial Presença

Sinopse

Frank Money regressa da guerra da Coreia em luta com os seus fantasmas. É um homem perturbado por um profundo sentimento de culpa pelas atrocidades que se viu obrigado a cometer e pela relutância em voltar à sua cidade natal na Georgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã.

Mas quando recebe uma carta avisando-o de que Cee corre risco de vida, Frank regressa, atravessando uma América dividida pela segregação. Através desta viagem, e da viagem interior que o protagonista vai fazendo, a autora dá-nos a definição do que é o lar, o lugar onde estão os nossos afetos, numa combinação entre a realidade física e social e a subtileza psicológica e emocional.

A minha opinião

Sabem quando somos conquistados por um título, uma capa ou a sinopse e nem sequer nos lembramos de ver a classificação no goodreads? pois bem, A nossa casa é onde está o coração conquistou-me por tudo isso e, quando fechei o livro, depois de ler a última página, tinha-me conquistado também pela escrita, pelo livro, pela história.

A nossa casa é onde está o coração é uma conversa entre o leitor e as personagens. É fluido, simples e, ao mesmo tempo, intenso e profundo. Fala-nos de amor e de carinho. E fala-nos no lar, onde nos sentimos em casa - ainda que esse lar possa não ser a nossa casa.

Nunca tinha lado nada desta autora. Mais um lapso meu que pretendo corrigir. Logo que consiga reduzir o número de livros que tenho em fila de espera...

(leia aqui as primeiras páginas)

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