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A odisseia

por Magda L Pais, em 20.01.16

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Dizem as más-línguas que Homero escreveu este poema épico na Grécia antiga e que terá sido, algures no final do século VIII a.c. que foi fixada a sua forma por escrito.

Uns séculos mais tarde, ou mais exactamente no século XXI d.c. – coisa pouca portanto – e no ano da graça de 2014, a minha filha estava no sétimo ano e a professora pediu este livro para análise na disciplina de Português. Por acaso tinha A Odisseia lá em casa, numa colecção de clássicos que comprei há uns anos valentes e dei-lhe o livro.

Pois que não, não podia ser aquela versão, tinha de ser a versão XPTO do ano não sei das quantas. Bom, acedi na altura porque, efectivamente, o livro que eu tinha era a versão integral, sem análises ou adaptações e a versão que a professora queria estava preparada para a leitura por jovens. E lá compramos o livro.

Aproximadamente dois anos mais tarde, é a vez do meu filho estar no sétimo ano e foi feito o mesmo pedido – a Odisseia de Homero para análise na disciplina de português. Entreguei-lhe, sem hesitar, o livro comprado há dois anos.

Ontem ele teve a disciplina de português.

Já vos disse que a versão que ele levou dum poema escrito há mais de 30 séculos tem apenas dois anos?

E à noite diz-me o meu gaiato – mãe, este livro que levei não serve. Tem de ser a versão que saiu este ano! Se não for a deste ano levo falta de material.

Como diz que disse? O poema foi escrito na Grécia Antiga, há mais de 30 séculos e a versão com dois anos não serve?... Pois, não serve!

Isto sim é uma Odisseia…Qual Ulisses, qual Penelope, qual Zeus… Odisseia a sério é conseguir ter filhos a estudar e aproveitar livros duns anos para os outros. Mesmo que o seu conteúdo tenha séculos de existência!

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Escritor vs Pessoa

por Magda L Pais, em 19.01.16

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A discussão começou aqui e depois passou para aqui. Começa por ser um caso isolado, o de Marion Zimmer Bladley, acusada pelos filhos – após a sua morte – de ser pedófila mas, na verdade, pode ser aplicado a qualquer escritor.

Devemos, ou não, julgar a obra pela pessoa? Ou o inverso?

Posso estar errada, admito que sim, mas creio que ambas devem ser dissociadas. Não podemos, ou não devemos, julgar um livro pelo seu escritor. Se há casos em que um texto é um livro aberto para a personalidade do seu escritor, noutros casos é o oposto que se passa. E não podemos ter a veleidade de achar que conhecemos, ao pormenor, a vida de todos os escritores.

Sabemos lá nós, por exemplo, quem foram ou o que fizeram, na sua vida privada, Jane Austen, Thomas Mann, Victor Hugo ou Alexandre Dumas. Quem nos garante que, no seu tempo, não cometeram crimes de alguma espécie e, no entanto, são escritores reconhecidos? Homero, Virgílio e Platão viveram numa época em que a pedofilia e a homossexualidade eram aceites (na verdade esses conceitos nem sequer existiam) mas as suas obras continuam a ser lidas e estudadas.

Será que, e voltando ao caso que deu origem a esta reflexão, As Brumas de Avalon perdem o seu valor literário por a autora ser – alegadamente – pedófila? Creio que não. Um livro ou está bem escrito ou está mal escrito. Ou gostamos ou não gostamos. Não passa dum lado ao outro da barreira porque a autora cometeu um crime sexual (apesar de, obviamente, este ser o pior tipo de crime que se pode cometer).

Dou ainda outro exemplo. Não suporto Miguel Sousa Tavares. Acho-o execrável e arrogante. Uma besta, em suma. No entanto adoro os seus livros. São fabulosos e muito bem escritos. Equador é um excelente exemplo.

Quando compro um livro, não olho apenas para o seu autor. Olho para a sinopse, para a capa, tento ler algum excerto e consulto no goodreads a opinião de quem já o leu. É história que está no livro que me interessa, não a vida do seu autor. Separo as águas e usufruo da leitura. Não direi que é a atitude correcta mas é a que me parece melhor.

E vocês, são influenciados pela vida do autor ou pela sua obra?

 

Nota final: Para quem quiser ler mais sobre as acusações feitas a Marion Zimmer Bladley, recomendo os seguintes links

Autores vs os seus livros, uma reflexão sobre Marion Zimmer Bradley

Transcrição do depoimento da autora aquando do julgamento do marido

Noticia on line do jornal The Guardian

Email de Moira Greyland (filha da autora)

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A Biblioteca das Sombras

por Magda L Pais, em 18.01.16

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A Biblioteca das Sombras de Mikkel Birkegaard

Editado em 2011 pela Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04552-2
 
Sinopse
No coração de Copenhaga, a livraria Libri di Luca é mais do que uma simples loja de livros velhos e usados. Quando o proprietário Luca Campelli morre de forma inesperada, o seu filho Jon, um proeminente advogado, ver-se-á envolvido num mistério inquietante.
Jon não planeia trocar a sua carreira pela livraria, mas, após uma tentativa de fogo posto à Libri di Luca, descobre que o pai era o líder de uma sociedade secreta de leitores e amantes de livros, os Lectores, criada para preservar uma tradição oculta que remontava à época do esplendor da Biblioteca de Alexandria. Os Lectores eram pessoas dotadas de um misterioso poder, tão fantástico quanto perigoso, que lhes permitia seduzir o leitor com histórias extraordinárias, evocar mundos imaginados, mas também manipulá-lo e levá-lo a pensar exactamente aquilo que queriam. Quanto mais Jon descobre, mais fica com a certeza de que a morte do pai nada teve de natural. Haverá uma conspiração no seio dos Lectores? Após inúmeras questões que escapam à sua compreensão, o jovem advogado ver-se-á obrigado a investigar as suas raízes para salvar a própria vida.
Uma leitura fascinante e perigosa, repleta de reviravoltas e suspense, que conduzirá o leitor a fronteiras inimagináveis.
 
A minha opinião
Caramba! uma pessoa lê a sinopse dum livro que encontra na wook com 50% de desconto, consulta o Goodreads para ver a classificação e a opinião das outras pessoas, repara que, dos seus amigos nenhum leu o livro, e acaba por arriscar. E depois, em vez de despachar as coisas que tem para fazer num determinado domingo (ontem), fica no sofá umas horas seguidas a acabar de ler o livro simplesmente porque não o consegue largar. Sim, isto foi o que me aconteceu com este livro.
Vamos primeiro à história.
Quando Luca regressa a casa duma viagem, encontra um livro novo no seu santuário - a livraria Libri di Luca - e começa a le-lo. Mas, enquanto o lê, as emoções são demasiado fortes e acaba por morrer como sempre sonhou: no meio dos seus livros.
Jon, filho de Luca, é um advogado de sucesso cujas alegações finais são sempre acompanhadas com interesse por todos. Desde que a mãe se suicidou que a ligação de Jon com Luca é quase inexistente, e, por isso, quando Luca morre e Jon herda a Libri di Luca, o seu primeiro pensamento é entrega-la a Iversen que sempre trabalhou com Luca. Só que Iversen recusa e quer que Jon ocupe o lugar que é seu, por direito e herança, à frente da Livraria e começa a falar-lhe na Sociedade de Bibliófilos que reúne os Lectores - pessoas que conseguem influenciar os outros através da leitura de textos. Ao mesmo tempo, Jon descobre que, para além dos Lectores Transmissores (que lêem os textos e influenciam as pessoas) existem também os receptores - pessoas que conseguem - na sua mente - ouvir tudo o que as pessoas lêem ao seu redor, influenciando a forma como lêem ou como vivem a leitura.
Jon mantêm-se céptico em relação a todas estas novidades e sem vontade alguma de se juntar à sociedade e ocupar o seu lugar, até que alguém tenta pegar fogo à livraria, obrigando-o a viajar pela sua história onde acaba por descobrir quem era, na verdade, o seu pai bem como as suas raízes, mais não seja para salvar a sua própria vida.
Enquanto Jon se descobre e descobre toda a verdade, nós, os leitores, descobrimos que estamos perante um livro intenso, com reviravoltas, onde nem tudo o que parece, é. Suspense em doses elevadas, mistério e livros, muitos livros, tudo ingredientes que nos levam a percorrer as páginas deste livro desejosos de perceber quem está por detrás dos acontecimentos e o que pretendem de Jon e da Libri di Luca.
E quando chegamos ao fim, ficamos com aquela sensação de vazio, de que nos vai faltar qualquer coisa nos próximos dias porque um livro assim deixa marcas. Positivas mas, ainda assim, marcas.
Este é um livro diferente em que eles próprios - os livros - são o fulcro da questão e os seus leitores, os heróis.
De referir ainda um conceito que achei bastante interessante. A energia dos livros. Livros que nunca tenham sido lidos, manuseados, não tem qualquer energia enquanto que aqueles livros que já foram lidos e relidos várias vezes (independentemente de quem o leu) tem energia. E quanto mais vezes tiverem sido lidos, mais energia têm. Mas não é só a leitura que os carrega de energia - se são uma primeira edição ou se estão escritos na língua original do autor, são outros focos de energia num livro. E, confessem, quando pegam num livro já manuseado - seja porque vos emprestaram ou porque compraram um livro usado - não sentem essa energia? 
Tenho pena, confesso, que este seja o único livro editado em Portugal deste autor. Gostava bastante de ler mais dele.

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O problema...

por Magda L Pais, em 17.01.16

... se estar a ler um excelente livro é que as outras coisas que temos para fazer ficam para trás. Faltam menos de 100 páginas para o acabar e queria aproveitar este domingo para as fazer.

 

Após alguma discusão entre o livro e as coisas por fazer, ganha o livro. As coisas ficam para a próxima semana...

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A Voz

por Magda L Pais, em 15.01.16
A Voz de Juliet Marillier
Série Shadowfell - Livro III
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896575212
Lido em 2014
 
Sinopse
A surpreendente conclusão da trilogia que começou com Shadowfell, cheia de romance, intriga e magia.
Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. 
No entanto, para se preparar para a batalha sangrenta que a espera mais adiante, Neryn terá de procurar primeiro o ensinamento de mais dois Guardiães. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.
A confiança dissipa-se de dia para dia quando a notícia da existência de uma outra Voz chega aos ouvidos dos Rebeldes: uma Voz leal a Keldec, que possui todo o poder de Neryn e nenhuma da sua benevolência ou autoridade arduamente conquistada. Nas vésperas da insurreição, Neryn terá de descobrir uma forma de reconhecer - e explorar - a fragilidade do seu adversário.
Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.
 
A minha opinião
Mais uma triologia escrita por Juliet Marillier que me prendeu do principio ao fim. Neryn é uma Voz. Numa Alban livre, Neryn não teria de se esconder e teria aprendido, desde sempre a usar esse dom - dom esse que, na Alban em que vive, é considerado uma maldição. Flint, um dos homens do Rei, também tem um dom mas que é usado, pelo Rei, para praticar a Purga. Duas vezes por ano os homens do Rei passeam por Alba e purgam todos os que tenham um dom (ou sinais deles). Neryn acaba por ser salva dessa Purga por Flint, acabando por se apaixonar por ele.
Flint, além de homem do Rei é também um Rebelde - os Rebeldes querem que Alban volte a ser livre e que as pessoas que tenham dons concedidos pelos Guardiões não tenham de se esconder.
Nos três livros acompanhamos a aprendizagem de Neryn com os Guardiões e o seu crescimento enquanto Voz e pessoa. Neste último volume Neryn é confrontada com a existência duma segunda Voz ao serviço do Rei e que, com ele, está disposto a acabar com toda a magia.
Sabendo que, no dia da rebelião, irá perder muitos dos seus amigos, Neryn não pode facilitar e tem de o fazer em prol de um bem maior - uma Alban em que a sua avó e o seu irmão teriam orgulho em viver.

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