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Livros são um escape

por Magda L Pais, em 19.04.16

Sara estava convencida de que a maioria das pessoas que alguma vez pensava nela achava que os livros lhe serviam de escape.

E talvez fosse verdade. Logo no liceu, percebera que poucas pessoas prestavam atenção a quem tivesse o nariz enfiado num livro. De vez em quando, Sara tivera de levantar o olhar para se desviar de uma régua ou de um manual escolar que voava pelos ares, mas, habitualmente, não tinham sido atiradas para ela em particular, e não costumava ficar sem saber em que parte do livro ia. Enquanto os seus colegas martirizavam os outros ou eram, eles próprios, atazanados, inscreviam símbolos sem significado nos tampos das secretárias ou rabiscavam os cacifos uns dos outros, ela viver paixões avassaladoras, morte, gargalhadas, terras distantes, dias perdidos. Os ouros poderiam achar-se encalhados num velho liceu em Haninge, mas ela fora uma geisha no Japão, deambulara lado a lado com a última imperatriz da China entre as quatro paredes dos claustrofóbicos aposentos na Cidade Proibida, crescera com a Ana dos Cabelos Ruivos, cometera uma boa dose de homicídios e amara e sofrera uma e outra vez.

Os livros tinham constitutivo uma defesa, sim, mas não era só isso. Tinham protegido Sara do mundo à sua volta ,as também o tinham transformado num difuso pano de fundo para as verdadeiras aventuras existentes na sua vida.

in A Livraria dos Finais Felizes de Katarina Bivald

 

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