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A Menina dos Meus Olhos

por Magda L Pais, em 19.05.16

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A Menina dos Meus Olhos de Patrick Redmond

ISBN: 9789724151083

Editado em 2007 pela Edições Asa

Sinopse

Ronnie Sidney é uma criança perfeita - talentoso, bonito e carinhoso. Fruto de um romance ilícito em tempo de guerra, dá à mãe um amor incondicional quando tudo o que ela conhece é rejeição e desprezo. Aos seus olhos, ele é perfeito: um raio de sol na penumbra da sua existência. Mas à medida que as fendas se vão abrindo nessa fachada encantadora, um carácter bem diferente começa a vislumbrar-se.

Já para Susan Ramsey a vida é fácil. Amada e protegida pelos pais, nada sabe de privações e misérias. Até que uma súbita tragédia a empurra para um mundo obscuro e perturbador.

Quando Susan e Ronnie se encontram pela primeira vez, a atracção é imediata. Ambos reconhecem no outro a tão ansiada alma gémea. Ronnie sente-se capaz de tirar a sua máscara de perfeição - mas as consequências vão ser mais terríveis do que eles poderiam alguma vez imaginar… Com a sua envolvente exploração de jogos psicológicos, de poder, relações complexas e violência emocional, A Menina dos Meus Olhos é o fascinante terceiro romance do autor de Jogos Cruéis e Os Fantoches.

A minha opinião

Se me perguntarem porque raio comprei este livro, dir-vos-ei que não sei. Aliás, irei mais longe e direi que nem sequer me lembro de o ter feito. Sei apenas que, este domingo,

(cansada da tentativa de leitura da Tragédia da Rua das Flores, por questões meramente gráficas, aguardo uma versão com um grafismo melhor que não me faça dores de cabeça)

olhei para os livros para ler e, sem hesitar, peguei neste para o começar. 

Magnifico, brutal, pesado, forte. São quatro dos muitos adjectivos que podem ser usados para descrever este livro. Bom, muito muito bom. Com um enredo inesperado e surpreendente.

Vamos à história.

Aos 13 anos, Anna perde toda a sua família e acaba a viver com uma prima afastada. Mais tarde engravida dum soldado mas, contrariando todas as expectativas, acaba por não entregar Ronnie para adopção. Ronnie, o seu raio de sol, uma criança inteligente, carinhosa, bonita e obediente que acaba por crescer num ambiente onde é mal tratado pelos primos com quem reside. Mas, aos poucos, a sua faceta mais negra acaba por abrir caminho pelo meio da sua perfeição.

Susie, ao contrário de Ronnie, tem uma vida quase perfeita. É amada pelos pais, boa aluna e boa amiga. Um dia vai lanchar com o pai e a vida perfeita começa a desmoronar-se. E se o casamento da mãe com o Tio Andrew pode parecer, para todos, um casamento perfeito, para ela é um pesadelo do qual não consegue sair.

Mas tudo muda quando ambos se encontram. Sentem-se iguais, almas gémeas, sentem que, finalmente, encontraram alguém em quem confiar e que os entende sem perceberem que as consequências serão ainda mais graves do que aquilo que poderiam imaginar.

Ao ler este livro dei comigo, várias vezes, a pensar - mas será que ninguém se apercebe do que se passa? será que Anna não percebe o filho que tem? será que a mãe de Susie não se apercebe do que se passa debaixo do seu próprio tecto? E percebi que, tal como na vida real, algumas pessoas são cegas para aquilo que não querem ver. Até ao dia em que decidem que é preciso abrir os olhos e ver em vez de olhar.

Como mãe, marcou-me especialmente este diálogo:

- A culpa foi minha? Por ele ter feito as coisas que fez? Por ele... por ele ser como era?

- Não, nada disto foi culpa tua. Tu fizeste o que uma mãe podia ter feito por ele e ele amava-te por isso.

Leiam este livro. Encantem-se e reflictam.

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O Bicho-da-Seda

por Magda L Pais, em 16.05.16

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O Bicho-da-Seda de Robert Galbraith
Edição em 2015 pela Editorial Presença
ISBN: 9789722354479
Lido em 2015
 
Sinopse
Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detective privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa.
No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais.
Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...
Um policial de leitura compulsiva com um enredo que não dá tréguas ao leitor, O Bicho-da-Seda é o segundo livro desta aclamada série protagonizada por Cormoran Strike e pela sua jovem e determinada assistente Robin Ellacott.
 

A minha opinião

Poucas serão as pessoas que não sabem que Robert Galbraith é, na verdade,  J.K. Rowling, a aclamada autora da saga Harry Potter e que prova, com este pseudónimo, que a sua escrita é de valorizar e acompanhar.

O primeiro livro de RG foi Quando o Cuco Chama. Oportunamente falarei sobre ele. Neste segundo livro daquilo que se espera seja uma série – à semelhança de Hercule Poirot, Miss Marple ou Sherlock Holmes – vamos encontrar Strike, o detective e Robin, a sua assistente.

A vida profissional de Strike está em fase crescente com a resolução do caso do assassinato de Lula Landry (no primeiro livro) e isso reflecte-se na quantidade de clientes que agora recorrem aos seus serviços de detective.

Leonora, a mulher de Quine, depois de vários dias sem saber do marido, resolve ir ter com Strike para lhe pedir ajuda para encontrar o escritor desaparecido quer porque a filha, Orlando, precisa dele quer porque estão sem dinheiro. Na ideia de Leonora, Quine desapareceu, como fez tantas outras vezes, para estar com alguma amante ou para escrever algum livro mas como ninguém a ajuda, pensa que Strike será a melhor pessoa para o fazer.

Strike, ao contrário do que lhe é habitual, aceita este caso sem ter a certeza que chegue a receber pelo trabalho, porque acha Leonora uma pessoa simples, honesta e apaixonada pelo marido que não a respeita.

Strike e Robin, a sua secretária maravilha que ambiciona ser detective e colaborar ainda mais com Strike, iniciam a investigação, vindo a descobrir, aos poucos, que Quine é um crápula e que escreveu um livro onde retrata, de uma forma maldosa, todos os “amigos” e família.

Até que descobrem Quine morto, numa casa abandonada, da mesma forma em que é assassinada a personagem principal do livro, o que levanta diversas suspeitas, tanto à polícia como ao par principal – Strike e Robin – sendo que são eles que acabam por descobrir o verdadeiro culpado de tão hedionda morte.

Uma boa parte da trama deste livro passa-se no meio literário – editores, autores, bloguistas – o que lhe traz, quanto a mim, um gostinho especial.

Sempre gostei de policiais com bastante suspense, género do qual Agatha Christie é o expoente máximo, na minha opinião. Não vou dizer, de todo, que O Bicho-da-Seda tem a qualidade do Expresso da Meia-noite ou Cai o Pano (ambos com Hercule Poirot como detective) mas direi que anda lá perto. Nota-se, em relação a Quanto o Cuco Chama, uma marcada evolução na escrita da autora e estou em crer que, com a continuação, se superará a si própria num terceiro livro pelo qual ficarei á espera.

De referir ainda que é perfeitamente possível ler este livro sem ter lido o primeiro, que o pode fazer porque, apesar das personagens principais – Strike e Robin – serem as mesmas, as histórias são independentes. Por isso, que esperam? Leiam que não se vão arrepender.

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O Leitor de Cadáveres

por Magda L Pais, em 09.05.16

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O Leitor de Cadáveres de Antonio Garrido

Editado em 2013 pela Porto Editora

ISBN: 978-972-0-04387-0
 
Sinopse
Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.
Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.
Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.
 
A minha opinião
A primeira vez que ouvi falar n'O Leitor de Cadáveres foi pelo blog da Just. Fiquei com a pulga atrás da orelha e com vontade de o comprar para ler mas tentei refrear-me. Acabei por ceder aqui há umas semanas, aproveitando uma promoção da Wook. E esta semana, na dúvida sobre que livro haveria de ler, a Just lá me lembrou que ele estava à espera.
Valeu a pena!
Estamos na China Oriental, no ano 1206. Cí é um jovem chinês, de origem humilde mas que tem o sonho de ser Leitor de Cadáveres, uma espécie de juiz que, através da leitura dos cadáveres, tenta averiguar a causa da morte. Apesar de ser bastante inteligente e sagaz, são bastantes os entraves que se colocam aos seus estudos, começando pelo pai que, alegadamente, terá feito falcatruas enquanto estava vivo, desonrando a família. Cí é então obrigado, para poder pagar a medicação da irmã bem como a alimentação e estadia dos dois, a trabalhar num cemitério, onde é aproveitado pelo coveiro principal para fazer dinheiro com as análises aos corpos dos mortes para as famílias. Acaba então por chamar a atenção do imperador sendo convidado a investigar alguns crimes sem solução aparente e que colocam em risco a corte. A sua vida depende de descobrir quem está a matar antes dele próprio ser morto.
Violento, sangrento e muito envolvente, O Leitor de Cadáveres leva-nos a um mundo totalmente diferente do mundo ocidental, com as suas tradições (algumas das quais bastante estranhas) e formas peculiares de ser e de estar. E leva-nos, entre realidade e ficção, a conhecer a história do pai da medicina legista.
Confesso que, algumas vezes, me deu vontade de esbofetear Cí. Não serviria de nada, já que Cí sofre duma doença rara que não lhe permite sentir a dor. Mas ao menos descarregava a frustração por o ver cometer alguns erros básicos. 
Foi o meu primeiro contacto com este autor. Creio que irei procurar mais livros dele.
 

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Os Litigantes

por Magda L Pais, em 05.05.16
Os Litigantes de John Grisham
ISBN: 9789722528610
Editado pela Bertrand Editora
Lido em 2014
 
Sinopse:
Depois de vinte anos juntos, Oscar Finley e Wally Figg, os dois sócios da firma de advogados Finley & Figg, mais parecem um casal velho. Mas eis que chega a mudança. David Zinc, um advogado jovem, abandona a carreira acelerada numa elegante firma do centro, embebeda-se e vai literalmente parar-lhes à porta. 
Agora com um novo membro, a F&F está pronta para agarrar um grande caso, que os pode tornar muito ricos sem que tenham de trabalhar muito. Krayoxx, um medicamento muito popular para reduzir o colesterol em doentes obesos e produzido por um gigante da indústria farmacêutica, está sob fogo depois de vários casos de ataques cardíacos associados ao tratamento. A única coisa que a Finley & Figg tem de fazer é encontrar meia dúzia de pessoas que tenham tido ataques cardíacos enquanto tomavam Krayoxx, convencê-las a tornarem-se clientes e prepararem-se para a fama e a fortuna. 
Com um bocadinho de sorte, nem sequer terão de ir a tribunal! Parece quase bom de mais para ser verdade. 
E é.
 
A minha opinião
Por norma não ligo nenhuma às pseudorecomendações que aparecem de outros autores ou na contra capa, feitas por outros autores ou jornais. Neste livro diz assim "tenha cuidado se for a ler Os Litigantes no autocarro, pois poderá perder a sua paragem" - Independent. Bem, na verdade, não perdi a paragem do autocarro. Mas perdi a do Metro à conta deste livro.
Oscar é o sócio sénior duma firma de advogados, a Finley & Figg e Wally é o sócio júnior. A Finley & Figg é, segundo os dois sócios, uma firma boutique. E boutique porque? porque, explicam eles, na Finley & Figg cada caso é tratado de forma única e pessoalmente pelos sócios. O que é natural, dado que a firma são eles os dois. E Rochelle, a secretária judicial. E PA, o cão. Sim, a Finley & Figg orgulha-se de ter um cão. Um cão que, assim que ouve as ambulâncias ao longe ou se apercebe que algum carro derrapou ou bateu começa a rosnar para avisar os donos que houve um acidente e que eles se devem dirigir, rapidamente, ao local do acidente para poderem representar as vitimas. Ou os culpados. Ou quem quer que seja que lhes pague. Rochelle, a secretária, foi uma das clientes da F&F. O caso correu tão mal, mas tão mal, que Rochelle acabou por nunca sair do escritório. Primeiro para os obrigar a endireitar as coisas e depois para os ajudar. Esta firma é tão bem sucedida nos seus casos que, em determinada altura, conseguiram perder uma acção de divórcio por mútuo acordo...
David é um advogado jovem, formado em Harvard, que trabalha numa das maiores firmas de advogados da cidade. Um dia sai de casa para ir trabalhar mas acaba por desistir do emprego e vai parar, por acaso, à Finley & Figg.
Wally passa o seu tempo à procura do processo da sua vida, aquele que lhe permitirá passar a escolher clientes, comprar roupa de marca e, quem sabe, um jacto particular. Primeiro eram as fraldas para bebés, depois os painéis de gesso e a seguir as armas eléctricas. Até que tropeça no Krayoxx. E consegue convencer Oscar e David a embarcarem com ele na procura de clientes que sejam familiares de alguém que tenha morrido por ter tomado aquele medicamento. Todo o processo - procura de clientes, obtenção de provas, manipulação, etc - é feito de modo a que fica sempre a dúvida se a ética está a ser respeitada. Mas a verdade é que é de tal modo hilariante que, quando estamos a dois terços do livro, quase que desejamos que, apesar de tudo, Oscar, Wally e David consigam o seu intento.
Mais uma vez John Grisham consegue prender-nos do principio ao fim. Para mim é, sem dúvida, mais um autor a seguir.

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Escrava

por Magda L Pais, em 02.05.16

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Escrava de Damien Lewis e Mende Nazer

Editado em 2005 pela Dom Quixote
ISBN: 9789722028233
 
Sinopse
As memórias deMendeNazer, uma nubiana feita escrava.

A história desta corajosa e decidida mulher não é contudo uma história passada e remota. Tudo aconteceu em 1994 quando um grupo de mujahiddin atacou a sua aldeia. Os adultos foram mortos, as crianças levadas como escravas.
Durante sete anos ela serviu numa casa tendo depois sido passada a familiares que viviam em Londres. Na capital europeia conheceu outros sudaneses e com a ajuda do jornalista Damien Lewis conseguiu fugir. Este é o seu relato de denúncia. O seu grito por justiça e liberdade.

 

A minha opinião

Este não é, seguramente, um livro de leitura fácil. É um livro que é pesado, forte e um grande murro no estômago. Mas, ao mesmo tempo, é terno e apaixonante.

Aos 12 anos (pensa-se que teria 12 anos, uma vez que os Nuba não festejam os aniversários nem tem registo dos nascimentos), Mende é capturada na sua aldeia por um grupo de mujahiddin. É violada pelo seu captor e depois entregue a um comerciante de escravos que a vende a uma família sudanesa que a maltrata desde o primeiro dia. Mende, aos poucos, vai percebendo que deixou de ser livre e passou a ser uma coisa. Mais um objecto que aquela família tem em casa. Ao mesmo tempo que Mende nos conta o que sofre, partilha também connosco as recordações da infância, o seu sonho de estudar para ser médica e como era feliz e amada até à noite em que o pesadelo começou.

Uns anos mais tarde, Mende é enviada como se fosse uma mercadoria para uma família em Londres onde a violência, apesar de ser mais psicológica que física, a leva a pensar em por termo à vida. Um dia, ajudada por outro nubiano e um jornalista inglês, Mende consegue fugir e pede asilo. Que não lhe é concedido de imediato porque... pasmem-se, a escravatura não era reconhecida como violência... 

Os relatos da violência cometida contra Mende tornam este livro pesadíssimo. Mas confesso que a parte que mais me impressionou e que quase me levou a vomitar o pequeno almoço foi o relato da circuncisão (que aconteceu ainda na aldeia e um ou dois anos antes do rapto). Mende foi sujeita a infibulação, a forma mais grave e que consiste na costura dos lábios ou do clítoris, impedindo a menstruação e frequentemente levando a mulher à morte. E isto por volta das 10/11 anos de idade... Simplesmente pavoroso pensar o que as crianças sofrem, a sangue frio, em nome duma religião que, na realidade, não o exige.

Seria bom que mais pessoas lessem este livro, que políticos o lessem e que percebessem que esta história não aconteceu no século XIV ou XI. Passou-se em 1994 e Mende só se conseguiu libertar no ano 2001. E que ainda há imensas crianças escravas no Sudão e na Somália que precisam de ser libertas. Crianças tratadas como lixo, como objectos e que não se conseguem libertar.

Se calhar valia a pena pensar nisto...

 

 

 

 

 
 

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