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Como eu...

por Magda L Pais, em 10.11.17

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Todos os dias (ou pelo menos uma grande maioria dos dias) quando passo nesta esquina, lá pelas 17h, este jovem está ali sentado. Sempre com um livro na mão, embrenhado na leitura de tal modo que nem se apercebe de quem passa.

Não sei se é um sem-abrigo ou se alguém que gosta apenas de se sentar na rua. Não sei se é português ou estrangeiro. Se trabalha ou estuda. Dele apenas sei uma coisa… que gosta tanto de ler como eu.

E isso faz com que, sempre que ele ali está, eu olhe e, automaticamente, simpatize com ele. Sem que nunca tivéssemos trocado uma palavra que seja. Ou que ele, alguma vez, tenha reparado em mim já que nunca o vi tirar os olhos do livro. Tal e qual como eu faço quando estou a ler.

 

(e se ele algum dia ler isto, espero que não se importe que o tenha fotografado num momento tão intimo como é a leitura dum livro)

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O Último dos Nossos

por Magda L Pais, em 07.11.17

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O Último dos Nossos de Adélaïde de Clarmont-Tonnerre

ISBN: 9789897243981

Editado em 2017 pelo Clube do Autor

Sinopse

Dresden, 1945: sob um dilúvio de bombas, uma mãe agoniza para dar à luz o seu filho. Manhattan, 1969: um homem encontra a mulher da sua vida no coração da Big Apple.

Do inferno da Europa, em 1945, à Nova Iorque hippie. Neste romance premiado com o Grande Prémio do romance da Academia Francesa, Adélaïde de Clarmont-Tonnerre conta a história dos anos loucos vividos na pele por dois genuínos filhos do século XX: Werner Zilch, nascido na Alemanha no estertor da Segunda Guerra Mundial, e Rebecca Lynch, herdeira de um homem de negócios e de uma mulher que logrou escapar com vida ao campo de concentração de Auschwitz. Uma paixão louca e proibida num cenário histórico repleto de reviravoltas e marcado pelo suspense.

Werner Zilch é um jovem carismático e empreendedor. Adotado desde tenra idade, vê-se confrontado com a descoberta das suas origens, tudo menos gloriosas. Aos olhos dos outros, pode ser considerado responsável pelos erros cometidos pelos seus antepassados? Como aceitar que o seu progenitor estivesse ligado ao nazismo?

A par das personagens, surgem nomes que os leitores por certo reconhecerão, todos eles figuras marcantes do seu tempo. A saber: Andy Warhol, Truman Capote, tom Wolfe, Joan Baez, Patti Smith, Bob Dylan...

Uma complexa história de amor que é, ao mesmo tempo, um capítulo ficcionado da nossa História. O leitor não conseguirá pousar o livro enquanto não descobrir quem é, na verdade, «o último dos nossos». No fim, fica a pergunta: estaremos condenados a responder pelos crimes e pelo sofrimento dos nossos pais e avós?

A minha opinião

Desta vez começo a minha crítica a este livro pelo fim. Este é, muito provavelmente, o melhor livro que li em 2017. E digo muito provavelmente porque faltam quase dois meses e alguns livros para ler. De qualquer maneira, está, seguramente, no top 5 dos livros lidos em 2017.

O último dos nossos fala-nos do depois. Depois da segunda grande guerra, dos filhos de quem sofreu horrores nos campos de concentração mas também dos filhos de quem os perpetuou. De como a personalidade dos filhos pode estar condicionado pelo que os pais fizeram ou sofreram e como podem, os filhos de ambos se relacionar entre si.

É, acima de tudo, um livro que nos obriga a reflectir.

O livro está dividido em vários capítulos, cada um passado num determinado momento do tempo, intercalando o passado distante (final da segunda grande guerra) e com o presente (finais da década de 60) com alguns interlúdios num passado mais próximo. Obriga, por isso, a alguma atenção aos títulos dos capítulos (coisa que, confesso, eu estava tão embrenhada na leitura que só me apercebi mais tarde).

Aliás, esse foi o problema ao longo de todo o livro. Estava sempre tão embrenhada na leitura, que quase que não me ia apercebendo do que se passava à minha volta. Gosto de livros que me envolvem desta maneira, que me prendem a atenção da primeira à última página, que me levam a ler o último parágrafo com um misto de alegria e tristeza. Gosto de livros com uma escrita simples, que fluem, que contam histórias, que surpreendem e que não são previsíveis. O Último dos Nossos tem isso tudo, além duma bonita história de amor, dum cão amoroso (Shakespeare), aventuras e desventuras, raiva e reconciliação, e, por fim, o perdão.

Mas, por favor, não confiem só em mim. Confirmem por vós. Leiam este livro, deliciem-se nas suas páginas. Chorem de alegria e tristeza com O Último dos Nossos. Vivam estas páginas, como eu as vivi e vão ver que, tal como eu, vão chegar ao fim encantados com a história mas, ao mesmo tempo, tristes por terminar tão depressa.

Classificação:

(este livro foi-me oferecido pelo Clube do Autor em troca duma opinião honesta e sincera)

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Fim do Ano 2017 – o que falta?

por Magda L Pais, em 06.11.17

Roubei esta tag – criada pela Ariel Bissett – à Sandra, sendo que a Cláudia  e a Sónia  já responderam. Quem a quiser roubar daqui, faça de conta que está em casa que nenhuma de nós irá chamar a polícia.

Ora então vamos lá: 

Um livro que começaste este ano e que precisas terminar?

Winston Churchill: Uma vida de Martin Gilbert. Não é tanto o preciso é mais o quero. O problema deste livro é que são 958 páginas, tamanho quase A4 e capa muito grossa. Não é exactamente o tipo de livro que se leva para a praia ou que anda connosco nos transportes públicos. A menos que o queiramos usar como arma de arremesso ou queiramos ficar de baixa médica por causa dos ombros. Estou a gostar bastante de o ler, ao fim de semana, em casa. Só que, de vez em quando, estou tão embrenhada no livro que anda comigo durante a semana que acabo por me esquecer deste.

Tens algum livro outonal para fazer a transição para o final do ano?

Não tenho livros para cada estação do ano. Para mim todos os livros podem – e devem – ser lidos em qualquer altura do ano, seja na praia ou ao pé da lareira, com calor ou com frio, enquanto lanchamos ou almoçamos. Em vez duma ida ao cinema ou enquanto se anda nos transportes públicos.

Existe uma nova edição / lançamento que ainda estás à espera? 

Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho. Será editado no dia 21 de Novembro e vai ser a minha prenda de aniversário para mim própria. Não que eu precise de desculpas para comprar livros mas como faço anos a dia 26 do mesmo mês, calha mesmo bem.

Quais os três livros que queres muito ler antes do fim do ano?

Obviamente Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho. Mulheres Perigosas, uma coletânea de contos que foi organizada por George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, e que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson.

Para além destes dois, descobri ontem que me emprestaram um livro em Junho (vejam lá que estava ainda no envelope em que me mandaram o livro. Abri o envelope para tirar o livro que me estavam a devolver mas, estupidamente, não reparei que vinha outro que tínhamos combinado que me iam emprestar) e ainda tenho mais cinco livros que me foram emprestados. Quero lê-los a todos antes do ano terminar. Para além dos livros que me vão chegando às mãos através da segunda edição do livro secreto, claro.

Existe algum livro que ainda pode surpreender e vir a ser um favorito do ano? 

2017 está a ser um ano de excelentes colheitas. Tenho lido livros fabulosos, sem dúvida. E espero sempre que o próximo livro seja ainda melhor que o anterior. Não quero, por isso, fazer previsões. Vou esperar continuar a ser surpreendida pelos livros que vou lendo.

Já começaste a fazer planos de leitura para 2018?

O meu plano de leitura para 2018 é exactamente o mesmo que tive para 2017, 2016 e todos os outros anteriores. O meu único plano é manter a minha participação no livro secreto e ir lendo livros conforme me apetece, onde me apetece, dos autores que me apetece e dos géneros que me apetecem. Não traço metas, não faço concursos e não leio por causa dos números. Leio para meu prazer e porque gosto.

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Lei & Corrupção

por Magda L Pais, em 05.11.17

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Lei & Corrupção de Mike Papantonio

ISBN: 9789897243868

Editado em 2017 pelo Clube do Autor

Sinopse

Escrita por um dos mais reputados advogados dos Estados Unidos, é uma história reveladora sobre os meandros do sistema judicial e as manobras, lícitas e menos lícitas, que podem definir o desfecho de um julgamento.

O impetuoso advogado Nicholas Deketomis construiu uma carreira de sucesso a proteger os direitos dos inocentes, enfrentando grandes empresas. Deke tem agora em mãos um caso polémico e milionário, defendendo uma jovem de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva da Bekmeyer, uma grande farmacêutica. Numa audiência prévia, o advogado pretende que seja aceite como prova um exame de toxicologia. Pouco depois de o juiz anunciar que não aceita a conclusão do relatório, a jovem desfalece e morre, vítima de um grande coágulo de sangue.

Ao procurar justiça para Annica, Deke vê-se de repente do outro lado da lei e descobre que tem mais inimigos do que imaginava, dispostos a tudo para proteger os seus segredos e interesses. Decididos a afastar o advogado incómodo, um pregador fundamentalista, o procurador distrital e os donos de uma das maiores petrolíferas juntam-se numa conspiração infame. Falsamente acusado de homicídio, Deke enfrenta o julgamento da sua vida. Mas este homem que não tem medo de dizer o que pensa não vai desistir sem dar luta.

A minha opinião

Já iniciei várias vezes esta minha opinião mas não sei bem por onde começar. Podia começar por dizer que sou apaixonada por livros que retratem casos de advogados, livros em que aprendemos enquanto estamos entretidos. Ou que adoro livros que me prendem, que nos fazem torcer pelos bons e desejar que os maus sejam apanhados. Ou que sou fã incondicional de John Grisham. Só que depois teria a resposta habitual: tu és apaixonada por livros e pronto, escusas de dizer mais. E é verdade, totalmente verdade.

A questão é que, realmente, gosto de livros que se passam nos tribunais (pena não haver livros destes passados em Portugal, com a nossa realidade judicial), que nos fazem ter fé que a justiça realmente funciona (vá, pronto, a maior parte das vezes funciona) e que nos fazem acreditar que, às vezes, as formigas podem incomodar os elefantes (nem que seja só na ficção).

Lei & Corrupção fala-nos precisamente nisso. Na capacidade de se vencer batalhas judiciais sem que se tenha de ser um elefante. É um livro escrito por alguém que percebe bem o sistema judicial americano, e que o retrata de forma muito próxima - ou não fosse o autor um advogado conhecidíssima nas terras do tio Sam.

Sem entrar demasiado em linguagem técnica - um erro comum quando os autores são especialistas em alguma matéria - Mike Papantonio leva-nos (quase ao colo) por uma série de acontecimentos interligados na vida de Deke, um advogado sem medos, enquanto prepara três julgamentos, sendo um deles o dele próprio, por ter assassinado uma pessoa.

Tive alguma dificuldade em largar este livro (mesmo enquanto estava a fazer a manicura), quer pela estrutura das histórias, da forma brilhante como os três casos se intercalaram mas também pelas personagens - as boas e as vilãs - que estavam muito bem construidas e consistentes com o que seria expectável de cada uma delas.

Agora, terminado o livro, restam-me duas perguntas: para quando um livro deste género passado em Portugal e, mais importante ainda, para quando mais livros deste autor para eu ler?

Leia aqui as primeiras páginas

Classificação:

(este livro foi-me oferecido pelo Clube do Autor em troca duma opinião honesta e sincera)

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A Filha do Pântano

por Magda L Pais, em 03.11.17

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A Filha do Pântano de Karen Dionne

ISBN: 9788491391340

Editado em 2017 pela Harper Collins

Sinopse

Finalmente, Helena tem a vida que merece. Um marido dedicado, duas filhas lindas, um negócio que preenche os seus dias. Mas, quando um presidiário se evade violentamente de uma prisão vizinha, apercebe-se de que foi ingénua ao pensar que poderia deixar para trás os seus piores momentos. Helena tem um segredo: é o resultado de um rapto. O seu pai sequestrou a sua mãe quando esta era adolescente e manteve-a em cativeiro numa cabana remota nos pântanos da Península Superior do Michigan. Sem electricidade, sem aquecimento, sem água canalizada, Helena, nascida dois anos depois do rapto, adorava a sua infância. E, apesar do comportamento por vezes brutal do pai, amava-o... até descobrir exactamente até que ponto uma pessoa podia ser selvagem.

Vinte anos depois, enterrou o passado tão profundamente que nem sequer o marido sabe a verdade. Mas, agora, o seu pai matou dois guardas prisionais e desapareceu num pântano que conhece melhor do que ninguém. A polícia começa a caça ao homem, mas Helena sabe que os agentes não têm qualquer hipótese de o apanhar. Sabe que há apenas uma pessoa que conta com as estratégias necessárias para encontrar alguém preparado para sobreviver a uma catástrofe e a quem o mundo chama «o rei do pântano»... porque há apenas uma pessoa que ele próprio treinou: a sua filha.

A minha opinião

Tenho alguma dificuldade - eu, que sou uma fala barato - em dizer alguma coisa de jeito sobre este livro que mexeu comigo na qualidade de mãe, filha ou mulher. Este é um livro intenso - pouco mais de 24 horas em cerca de 320 páginas, lidas quase de uma penada. Comecei ontem de manhã, acabei hoje ao almoço. Violei a minha regra sagrada de não ler depois de jantar para evitar ficar agarrada ao livro até o acabar. Este é um dos poucos livros que me fez quebrar essa regra com quase 20 anos de existência.

A intensidade deste livro não se mede apenas pelo presente - quando o pai de Helena foge da cadeia e Helena tem de o caçar para não ser, ela própria, a caça. Mede-se também pelas pesadas recordações duma infância diferente, e de um despertar de consciência, quando Helena se apercebe que a sua situação familiar é atípica e fruto dum pai violento e duma mãe forçada.

A Filha do Pântano é também um livro sobre sobrevivência, sobre violência - física e psicológica - sem ser demasiado gráfica, que nos mostra o pior que um ser humano é capaz de fazer a outro, ainda que em nome do amor.

É Helena que narra este livro, a história dela e do pai - porque a história da mãe é dela própria - o que nos ajuda a entrar na mente da personagem, acompanhando as suas dúvidas, o seu crescimento, as dificuldades que teve na integração da sociedade após sair do pântano, enquanto vamos, também, tentando caçar Jacob, o perigoso prisioneiro que é também o pai que Helena amou na infância, que ainda ama, e que, ao mesmo tempo, odeia por tudo o que descobriu que o seu pai fez.

A Filha do Pântano é um livro negro - mas em bom. Em muito bom. Um livro que não se larga sem chegar ao fim, que nos deixa a pensar muito para lá da leitura. Em bom. Em muito bom. 

 

Classificação:

(este livro foi-me oferecido pela Harper Collins em troca duma opinião honesta e sincera)

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