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A Revelação do Bobo

por Magda L Pais, em 23.03.18

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A Revelação do Bobo de Robin Hobb

Saga Assassino e o Bobo nº 2

ISBN: 9789897730931

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Após os acontecimentos de O Assassino do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz. Depois de garantir que nunca mais a deixaria só ou negligenciada, Fitz abandonou a sua filha Abelha para correr para Torre do Cervo a fim de tentar salvar a vida do velho amigo Bobo. A consequência foi a mais terrível: um ataque à sua casa e o rapto da pequena, que desaparece sem deixar rasto.

Encontramo-lo neste volume dilacerado entre as obrigações para com o Bobo e o que a consciência lhe exige que faça para tentar recuperar a filha. Mesmo o regresso a Torre do Cervo traz grandes perigos, pois no local onde nasceu e viveu durante muitos anos ainda perdura a sua má fama de Bastardo Manhoso e assassino. O que poderá Fitz fazer para trazer a paz de novo ao seu mundo?

A minha opinião

Dois pontos prévios.

O primeiro e o principal é: quando é que é editado o terceiro volume desta saga? 

O segundo, também importante mas não tanto, é um spoiler alert. É impossível falar deste livro sem desvendar algumas coisas do livro anterior ou mesmo das colecções anteriores relativas a Fitz, Breu, Bobo e a família Visionário. Por isso avancem por vossa conta e risco.

Nas últimas páginas d'O Assassino do Bobo, Abelha foi raptada enquanto o seu pai ia, pelos pilares de Talento com Bobo, numa tentativa desesperada para lhe salvar a vida que ele próprio lhe ia retirando.

(um breve intervalo apenas para vos dizer que, em alguns momentos do primeiro livro e em muitos momentos deste livro, me apeteceu espancar violentamente FitzCavalaria. Tantas pistas, tanta coisa nas entrelinhas, nas frases soltas que, ainda antes do Bobo fazer a sua revelação no final do livro, já eu tinha percebido o que escapou a FitzCavalaria)

Não me entendam mal. Eu adoro o Fitz. Adoro a personagem e a sua magia (mais a Manha que o Talento), tanto que baptizei o gato duma grande amiga com esse nome (na realidade era para se chamar Molly mas tivemos de lhe mudar o nome porque era um gato e não uma gata) mas a verdade é que, às vezes, consegue ser mais obtuso que o próprio Obtuso. Ou só vê o que quer ver.

Esta é uma característica extraordinária de Robin Hobb que já me tinha encantado nos outros livros. Consegue que nos sintamos tão envolvidos com as personagens, na cadência dos acontecimentos e no ambiente que se vive que nos esquecemos, a cada passo, que é só um livro, só uma história de fantasia e que nada daquilo é real. 

A Revelação do Bobo é, realmente, um livro de revelações. São alguns capítulos que se fecham, reconhecimento de outros e, por fim, a certeza. Abelha será fundamental no próximo volume, o catalisador de outras mudanças que se iniciaram quando Fitz evitou que o Amado Bobo fosse morto (tudo para o tentar matar de seguida mas isso é outro assunto).

A Revelação do Bobo é, também, e para quem acompanha Fitz desde as primeiras páginas do primeiro volume da primeira colecção, um livro emotivo (não vos direi porquê, deixo que descubram por vós) e de reconciliação. 

Basicamente - e como toda esta colecção - este é um livro a ler. E apressem-se. Porque a autora vai estar em Portugal no Festival Bang 2018 e de certeza que também não vão querer perder esse momento. Eu sei que vou lá estar!

(leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

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As Sombras de Leonardo da Vinci

por Magda L Pais, em 20.03.18

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As Sombras de Leonardo da Vinci de Christian Gálvez

ISBN: 9789897243677

Editado em 2018 pelo Clube do Autor

Sinopse

Século XVI. Os conflitos pelo poder nos Estados Italianos crescem ao mesmo tempo que as artes prosperam. A Igreja e famílias como os Médici e os Sforza detêm o domínio do território e das riquezas. Savonarola ganha seguidores. Verrocchio, Botticelli, Miguel Ângelo e Rafael são artistas respeitados.

Florença é casa dos Médici e berço desta ebulição cultural. O criativo e genial Leonardo da Vinci finalmente começa a criar nome, tem o seu próprio ateliê e clientes e liberdade para desenvolver a sua arte e as suas invenções. Mas uma acusação anónima de sodomia obriga-o a abandonar os seus planos e a cidade das artes.

Invejas e medos, ignorância e corrupção, sofrimento e perseguição. Quando Leonardo percebe que nada do que parece ser é e que os inimigos podem estar em qualquer lugar, debate-se entre a vontade de triunfar e o desejo de vingança, entre o homem pecador e o génio inventivo, entre o passado e o futuro.

Este é um romance histórico com uma extensa pesquisa por trás, em que as descrições e os grandes nomes da época criam o ambiente perfeito para conhecermos melhor o homem por trás de toda a genialidade.

A minha opinião

Sou fã incondicional de livros históricos, de livros que, ao mesmo tempo que entretêm, também ensinam (e até parece que estou a ver, desse lado, o pensamento a formar-se: tu és fã incondicional de livros e pronto. O que não deixa de ver verdade, mas avancemos nesta linha de raciocínio).

Romances históricos, biografias, histórias reais. Mesmo quando têm alguma ficção à mistura, são livros com os quais podemos aprender ainda mais (ainda que as aulas de história sejam, normalmente, uma seca, a realidade é que só conhecendo o passado podemos compreender melhor o presente e prepararmos-nos para o futuro). E sendo Leonardo da Vinci uma das personagens históricas mais relevantes, uma pessoa muito à frente do seu tempo e com o seu multitask a funcionar em pleno, um livro sobre a sua história teria de valer a pena.

Spoiler Alert... As Sombras de Leonardo da Vinci é o livro que vale a pena ler sobre essa extraordinária figura. Fiquei a conhecer muito bem a história da vida do homem de Vinci, um bastardo nascido duma escrava, criado mais pelo avó e pelo tio do que pelo pai. Traído por quem achava que era o seu melhor amigo. Um homem à frente do seu tempo, que não se ficava pelo "é assim" mas que queria entender o quê e porquê de cada coisa. 

As Sombras de Leonardo da Vinci fala-nos de como Leonardo quis estudar anatomia para melhor pintar as pessoas e de como quis estudar o movimento das ondas para melhor pintar os cabelos das pessoas. E fala-nos das razões pela quais Leonardo nunca se casou nem se conheceu paixão alguma.

As Sombras de Leonardo da Vinci resultam dum trabalho extraordinário de investigação, levantando o véu sobre a personalidade do homem de Vinci, com as suas sombras, os seus medos e dúvidas mas, acima de tudo, a sua ânsia de sossego, de poder viver em paz consigo e com os outros.

Falha talvez um bocadinho na interligação entre os capítulos. Houve momentos em que me perdi e tive de voltar atrás um bocadinho na leitura para me reencontrar. Mas nada de mais, nada que impeça de desfrutar em pleno dum livro fabuloso e que recomendo. 

Leia aqui as primeiras páginas

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pelo Clube do Autor em troca duma opinião honesta e sincera)

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Matar o Presidente

por Magda L Pais, em 12.03.18

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Matar o Presidente de Sam Bourne

ISBN: 9789897730962

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Se um presidente ficar fora de controlo, quem dará o passo decisivo?

O impensável aconteceu. Os Estados Unidos elegeram um demagogo como presidente, cuja instabilidade emocional, passado nebuloso e políticas perigosas deixam o mundo à beira de um ataque de nervos.

Quando uma guerra de palavras com o regime norte‑coreano se descontrola e o presidente fica a um passo de lançar um ataque nuclear, torna‑se claro que alguém tem de agir, ou o mundo ficará reduzido a cinzas.

É então que Maggie Costello, uma assumida liberal, e funcionária temporária de Washington, descobre uma conspiração interna para matar o presidente. O dilema moral que enfrenta é terrível: deve salvar o presidente e deixar o mundo livre à mercê de um potencial tirano cada vez mais louco, ou cometer traição contra o seu Comandante e arriscar mergulhar o país numa guerra civil?

A minha opinião

Matar o Presidente é um livro de ficção. Foi a isto que me agarrei durante as suas 350 páginas. É um livro de ficção e os Estados Unidos não têm um presidente louco, tirano, instável e, no mínimo, demente. A guerra nuclear - que pode aniquilar toda a vida no nosso planeta - não está ao alcance de uma pessoa assim. Só que, quando pousava o livro e olhava para os jornais ou ouvia as noticias, a realidade surgia. Donald Trump, um louco, tirano, instável e demente é presidente dos Estados Unidos e tem, ao seu dispor, o arsenal nuclear americano. 

Será que este livro de ficção - Matar o Presidente - está assim tão próximo da realidade?

A resposta a esta questão é só uma: sim! todo o livro retrata, na perfeição (e sem nunca mencionar Donald Trump) o actual presidente dos Estados Unidos e o risco que todos - americanos e não só - corremos por um demente estar à frente da maior potência nuclear.

Sam Bourne retrata, com um realismo assustador, o actual residente na Casa Branca. E deixa-nos a pensar se a morte dele não seria a solução. Deixa-nos a pensar o que faríamos se, como Maggie, descobríssemos uma conspiração para matar um louco. Será justo e correcto trocar uma vida - a do Presidente - pela sobrevivência do Mundo como o conhecemos?

Se para mim, que vivo noutro continente, esta questão se coloca (assim como a esperança que, um dia, consigam correr com ele da Presidência antes que ele corra connosco do planeta) imagino para quem vive, no dia a dia, nesta realidade.

Matar o Presidente agarra-nos da primeira à última página. Tem - como merece um bom livro - algumas reviravoltas e surpresas, o que o tornam ainda mais interessante. Ainda que desejemos que não fosse tão real...

(leia aqui as primeiras páginas)

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Papéis Diferentes

por Magda L Pais, em 08.03.18

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Papéis Diferentes – Algumas histórias de Tom Hanks

ISBN: 9789897760150

Editado em 2017 pela IN

Sinopse

Um romance febril e divertido entre dois melhores amigos. Um veterano da II Guerra Mundial cura as suas cicatrizes físicas e emocionais. Um actor de segunda categoria que é atirado para o estrelato e de repente encontra-se no meio de uma estreia tempestuosa. Um colunista do jornal de uma pequena cidade com perspectivas do mundo moderno bastante antiquadas. Uma mulher a adaptar-se à sua vida no novo bairro depois do divórcio. Quatro amigos que vão à Lua e voltam numa nave construída no quintal das traseiras. Um surfista adolescente que tropeça na vida secreta do próprio pai.

Estas são apenas algumas personagens e enredos que Tom Hanks cria no seu primeiro livro de ficção, uma recolha de histórias que explora com grande ternura, humor e perspicácia a condição humana e algumas das suas particularidades. Todas têm uma coisa em comum: uma máquina de escrever desempenha um papel em cada história, umas vezes menor, outras vezes fulcral. Para muitos, as máquinas de escrever representam uma perícia e beleza cada vez mais difíceis de encontrar. Hanks alcança-as facilmente.

A minha opinião

Tom Hanks será, para mim, sempre o Walter. A cada filme que vejo dele - e apesar de ter deixado as comédias há séculos - eu encontro um sorriso, um olhar, uma expressão que me lembra a primeira personagem do primeiro filme que vi dele. Curiosamente em Papéis Diferentes aconteceu-me exactamente o mesmo, Walter andava por ali, a rondar cada uma das histórias.

Como qualquer livro de contos, há alguns que nos atraem mais, que nos apetecem, enquanto outros nos são mais indiferentes. Outros que achamos que mereciam mais umas páginas (ou mesmo um livro inteiro) e outros que demoram a acabar. Mas todos com o sentido de humor, o carinho, a ternura e a credibilidade que, vá-se lá saber porquê, Tom Hanks me inspira. Ou será Walter?

Nestes Papéis Diferentes Tom Hanks mostra que a sua genialidade não se fica pela representação. Desconfio que ainda vamos ouvir (ou mais, exactamente, ler) sobre esta nova faceta deste versátil actor (e autor). E venha eles (os livros dele) que eu pelo menos cá estarei.

(leia aqui as primeiras páginas)

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