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Leitura Alheia: Capitães da Areia

por Magda L Pais, em 22.10.18

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Capitães da Areia de Jorge Amado

Sinopse

Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro.

Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema.

Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza, dramatismo e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia.

Dividido em três partes, o livro atinge um clímax inesquecível no capítulo: Canção da Bahía, Canção da Liberdade., em que é narrada a emocionante despedida de um dos personagens da história, que se afasta dos seus queridos Capitães da Areia na noite misteriosa das macumbas, enquanto os atabaques ressoam como clarins de guerra.

A opinião do David

Que história!

Os Capitães da Areia são crianças abandonadas que tiveram que sobreviver, literalmente, de qualquer maneira. Este livro foi a prova viva de que o amor vence tudo, e era amor o que sentiam entre eles, de intensa proteção pelo grupo, de comunhão pelo grupo, que  fê-los vencer sempre, mesmo que a polícia os apanhasse. Fugiram sempre.

Engraçado compreender, independentemente do facto de serem criminosos, a profunda falta que o carinho por uma mãe ou por um pai provocou neles e que, de tempos a tempos, lá descobriam por via de outras pessoas, que acabavam por furtavam, porque não sabiam viver de outra forma.

Havia neles uma necessidade tremenda de sair daquela vida, de liberdade, de amor. Pecavam constantemente, ora pelo crime, ora pelas necessidades juvenis da sexualidade, mesmo sabendo que eles tinham essa noção e estavam dispostos a limparem-se disso.

A parte final entristeceu-me.

A despedida, o cheiro constante a perigo e a morte, o continuar de uma história que apesar de assombrar Salvador da Bahia, era a  única vida que os Capitães podiam ter.

Indo mais longe, este livro faz pensar. A educação e o amor são valores altamente fundamentais para o crescimento de qualquer criança e adulto, e que sem isso, viveremos em constante sobressalto, sem saber o que é certo ou o que é errado.

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Leitura alheia: Os Demónios

por Magda L Pais, em 15.10.18

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Os Demónios de Fiódor Dostoiévski 

ISBN: 9789896411534

Editado em 2010 pela Relógio D'Água

 

Sinopse

Verkhovenski e Stavróguin são os líderes de uma célula revolucionária russa. O seu objectivo é derrubar o governo, destruir a sociedade e tomar o poder. Mas quando o grupo está prestes a ser descoberto uma questão se coloca. Estarão os seus elementos dispostos a matar-se uns aos outros para encobrir o seu rasto? O romance baseia-se, em parte, na história de um estudante assassinado pelos seus colegas revolucionários. Mas é também uma descrição da Rússia do século XIX e uma acusação contra os que usam a violência em nome dos seus princípios.

Tolerado por Lenine, banido por Estaline, cujo regime parece ter antecipadamente previsto, Dostoievski só seria redescoberto na URSS a partir dos anos 60 do século XX. É que a extrema atenção com que o autor de Os Demónios seguia os acontecimentos da sua época permitiu-lhe prever os excessos e sofrimentos para que o seu país caminhava.

«Os romances de Dostoievski representam graus sucessivos de uma busca da existência de Deus; neles é elaborada uma profunda e radical filosofia da acção humana. Os heróis de Dostoievski estão embriagados de ideias e consomem-se no fogo da linguagem.»

A opinião d'Miss F

Dostoiévski, não diminuindo a genialidade de outros escritores russos, é o que mais me completa como leitora. A sua escrita é um caleidoscópio do ser humano. Todas as perspectivas estão correctas, até os paradoxos, como a aparente impossibilidade moral desta narrativa.

Quando comecei a ler Os Demónios assustei-me com o título. Para além disso, a edição que me acompanhou para todo o lado tinha capa vermelho vivo com o título impresso a letras douradas. Senti-me a carregar a bíblia do diabo.

Mas aquietem-se as mentes mais supersticiosas que este livro nada tem de sobrenatural. De sobrenatural apenas a genialidade de quem o escreveu, como eu não me canso de repetir.

Nas primeiras páginas, tudo e todos parecem inofensivos. Os acontecimentos sucedem-se a um ritmo alucinante, envoltos numa neblina gótica, qual tragédia grega, que de loucura em loucura, encaminha tudo e todos para um clímax demoníaco.

É tudo tão absurdo, mas ao mesmo tempo tão penosamente real, que queremos rir, porque tudo aquilo nos diverte. Um riso trágico deveras, que o mundo pesa-nos por ser assim, pouco ou nada havendo a fazer.

Sob a batuta de uma escrita muito mais fluida do que aquela que adornou as páginas de Crime e Castigo, não conseguimos parar de o ler e queremos sempre mais.

Mais e mais páginas se outras tantas houvessem.

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Leitura Alheia: Rugas

por Magda L Pais, em 08.10.18

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Rugas de Pablo Roca

ISBN: 9789722525992

Editado pela Bertrand Editora em 2013

Sinopse:

Emílio, um bancário reformado, sofre da doença de Alzheimer e é internado num lar de terceira idade. Rodeado de vários outros idosos, cada um com um quadro «clínico» distinto e com uma personalidade bem vincada, vai aprendendo as diversas estratégias para combater o tédio e a erosão da rotina. Ao mesmo tempo, Emílio e os seus companheiros vão tentando introduzir, num quotidiano marcado por medicamentos, refeições, «terapias ocupacionais» e sestas de duração indefinida, alguns vislumbres de encanto e alegria de viver.

A opinião da Isaura (que podem acompanhar neste canal do Youtube)  

Opinião:

O blogue deu-me a conhecer novos autores, novos géneros de leitura. E este foi um deles. Até então desconhecia as graphic novels e, confesso, que até fui um pouco conservadora nesse aspecto. Mas arrisquei. Estou cada vez mais a gostar de ler Gaphic Novels. Já li algumas e têm sido leituras muito agradáveis.

Já tinha visto este livro pelo Goodreads e fiquei curiosa pela temática abordada: o envelhecimento. Até que o descobri na biblioteca da minha zona e veio comigo. Tinha mesmo que o ler. Já me tinham recomendado várias vezes este livro e soube logo que acertei nesta escolha.

E acertei mesmo. É um livro fantástico, com uma história maravilhosa. É certo que ainda só li 4 graphic novels, mas este é de longe o melhor que já li. Aborda o envelhecimento, a solidão, e amizade e o amor no seu estado mais puro.

Emílio tem a doença de Alzheimer e é internado num lar de terceira idade. Contudo, Emílio não se revê muito naquilo que encontra. Idosos envoltos em solidão e acções mecânicas (comer, dormir), ambiente sombrio. Contudo, Emílio conhece algumas pessoas que o ajudam a ultrapassar a monotonia.

É fantástico como vemos a amizade entre personagens crescer e evoluir de uma forma bonita. Miguel, o companheiro que é um pouco aproveitador e oportunista. Um casal em que o marido tem Alzeimer e a sua esposa lhe conta uma história da altura de namoro apenas para o fazer sorrir. Uma senhora que não ia sozinha a lado nenhum pois tinha medo de ser raptada por marcianos, entre muitas outras.

Não há mais palavras. Há que ler e reler.

Recomendo.

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Leitura Alheia: O Maior Amor do Mundo

por Magda L Pais, em 01.10.18

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O Maior Amor do Mundo de Seré Prince Halverson

ISBN: 978-972-0-04586-7

Editado em 2013 pela Porto Editora, S.A.

Sinopse

Ella Beene vive uma vida idílica numa pacata cidade americana, com o marido, Joe, e os dois filhos do primeiro casamento deste. Certo dia, porém, infringindo uma regra de ouro, Joe vira costas ao mar e uma onda arrasta-o para o fundo, levando consigo os seus muitos segredos.

Convencida de que a mãe biológica dos filhos, Paige, os tinha abandonado, é com grande surpresa que Ella a vê aparecer no funeral, decidida a recuperar a custódia.

À medida que os segredos emergem, Ella vê a sua vida perfeita ruir como um castelo de cartas. Mas há duas crianças que precisam de si mais do que nunca e pelas quais está disposta a enfrentar todas as adversidades...

A opinião da Marta

O maior amor do mundo retrata a luta entre uma mãe biológica – Paige - que, três anos antes, abandonou o marido Joe, e os filhos – Annie, na altura com três anos, e Zach, com apenas alguns meses – sem nunca mais ter dado notícias, e uma madrasta - Ella, que surgiu na vida de Joe e das crianças nessa mesma altura, e os criou como se fossem seus.

Tudo começa após a morte de Joe.

Paige surge, para reivindicar os seus direitos de mãe. E Ella vê-se obrigada a lutar, desesperadamente, para que não lhe levem os “seus” meninos sobre os quais, legalmente, não tem direito algum.

À medida que a trama se vai desenrolando e embora, à primeira vista, Paige seja a “má da fita”, muitos segredos vão sendo desvendados, e Ella percebe que, afinal, nem tudo é o que parece, e as coisas podem não ter acontecido exactamente da forma como lhe foram contadas.

Ainda assim, embora consiga compreender, até certo ponto, como Paige se sente, considero que as suas actuais atitudes não são, de todo, as mais correctas. Já Ella, mostrou honestidade e generosidade revelando, em tribunal, e quando já tinha a certeza de que a guarda lhe seria concedida, uma verdade que muda por completo o rumo da história.

Apesar da raiva, dos ciúmes, dos segredos e do sentimento de injustiça, por estar a perder tudo o que tinha na vida, Ella consegue fazer o que mais ninguém foi capaz – dá um novo impulso ao negócio da família de Joe, quebra todos os “muros” erguidos pelas diversas personagens que durante anos as impediram de falar dos seus medos e das suas histórias, e consegue ter a coragem para tentar perceber o que aconteceu a Paige, para chegar até ela, e voltar a ter nos seus braços a sua Banannie e o seu Zachossaurus, como carinhosamente os apelida!

E a pergunta que todos fazemos é: quem vencerá, no final, esta batalha? Qual será, de facto, o maior amor do mundo? A resposta, terão que a encontrar vocês…

Uma excelente história que eu recomendo!

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Leitura Alheia: Crónica dos Bons Malandros

por Magda L Pais, em 24.09.18

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Crónica dos Bons Malandros de Mário Zambujal

ISBN: 9789898452320

Editado em 2011 pelo Clube do Autor

Sinopse

Sinto-me sequestrado por estes bons malandros". Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. "Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino."

A opinião do Silent Man

Antes de mais, queria agradecer à Magda o convite para esta magnífica rubrica. Fico sempre lisonjeado quando me convidam para estas coisas e arranjo sempre um tempinho para participar da melhor forma possível.

O livro que vos venho falar é um clássico da literatura contemporânea portuguesa. É provavelmente o livro mais conhecido do Mário Zambujal e é de certeza o livro que já li mais vezes na vida. Volta que não vira, quando preciso de me rir um bocado, pego nele e leio-o.

É um livro pequeno, que se lê em duas horinhas a bom ritmo ou, se quisermos mesmo desfrutar, numa viagem de comboio para o Porto. E cada página promete muitas e boas gargalhadas! Isto digo-vos eu que não percebo nada disto.

O livro fala de uma quadrilha de ladrões que, nos anos 70 a 80, resolve fazer um assalto completamente “fora da caixa” a uma exposição de jóias René Lalique, na Gulbenkian. É assim que começa. Mas depois, vem a parte mesmo gira, que é a descrição mais ou menos pormenorizada e extremamente engraçada, diria mesmo hilariante, de como cada elemento da quadrilha cresceu e tomou contacto com Renato “Pacífico”, o líder carismático da mesma.

Renato “Pacífico”, Silvino “Bitoque”, Marlene “do Renato”, Adelaide “Magrinha”, Flávio “O Doutor”, Pedro “O Justiceiro” e Arnaldo “Figurante” são as personagens principais do livro, que tem participações especiais de nomes como Tomé “Caga D’Alto”, Valdemar “Jazebandista” e Lucien “Obelix”. Para quem não gosta assim tanto de ler, é um livro que aconselho vivamente, uma vez que é levezinho, dá para rir e é pequenino, o que permite ler rapidinho e pode motivar para leituras mais complexas. Para os leitores mais hardcore, é a certeza de uma tarde bem passada, garantia de Silent Man.

Mais uma vez obrigado. Espero que gostem tanto como eu!

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