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Estação Onze

por Magda L Pais, em 23.08.19

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Estação Onze de Emily St John Mandel

Tradução de Rita Figueiredo 

ISBN: 9789722356329

Editado em 2015 pela Editorial Presença

Sinopse

Estação Onze conta-nos a cativante história de um grupo de pessoas que arriscam tudo em nome da arte e da sociedade humana após um acontecimento que abalou o mundo. Kirsten Raymonde nunca esqueceu a noite em que teve início uma pandemia de gripe que veio a destruir, quase por completo, a humanidade.

Vinte anos depois, Kirsten é uma atriz de uma pequena trupe que se desloca por entre as comunidades dispersas de sobreviventes. No entanto, tudo irá mudar quando a trupe chega a St. Deborah by the Water. Um romance repleto de suspense e emoção que nos confronta com os estranhos acasos do destino que ligam os seus personagens.

A minha opinião

Oh não, mais uma distopia - estão vocês a pensar. Calma, que Estação Onze não é uma distopia normal.

Num ano qualquer da nossa era, uma pandemia de gripe mata mais de 90% da população terrestre em muito pouco tempo. As televisões deixam de transmitir, a água deixa de correr nas torneiras, a electricidade deixa de funcionar assim como as redes de telemóvel e de internet. Os poucos que sobrevivem, espalhados por todo o planeta, tem de descobrir novas formas de sobreviver quanto tudo o resto se desmorona e pelo meio dos cadáveres dos que faleceram.

Ok, até aqui quase que é uma distopia normal. 

Só que não.

Porque Estação Onze leva-nos em viagens entre vários passados e o presente. Fala-nos da noite em que a pandemia começou a espalhar-se, conta-nos as histórias de vida de alguns dos que morreram nesses primeiros dias e como foi sobreviver sem saber como enquanto outros morriam. Acompanhamos, ao mesmo tempo, alguns desses sobreviventes, 20 anos depois da pandemia assim como crianças que nasceram depois.

Como se explica a internet a quem não a conhece? Como se explica o voo de um avião a quem está habituado a vê-lo apenas parado num campo de milho? Como se explica os antibióticos que deixaram de existir e como se aceita que a esperança de vida desça para os 40/50 anos?

Será uma pandemia deste género um cenário assim tão descabido? Infelizmente não creio, até porque o livro é bastante fiel neste aspecto: esta gripe mortal espalha-se pelo mundo por causa das viagens aéreas.

Estação Onze, ao contrário da maioria das distopias, não é feito de guerras, intrigas, tormentos ou cataclismos. Ainda assim não o conseguimos largar porque a escrita é simples, atractiva e subtil. Não queremos saber o fim da história mas queremos entender como se sobrevive ao fim de todas as mordomias a que estamos habituados. 

Porque sobreviver não é suficiente

Esta frase, lema da Sinfonia Itinerante* e uma das tatuagens de Kirsten*, retirada da série Star Trek, é, talvez, a lição principal a retirar deste livro. 

Estação Onze, ao mesmo tempo que é sombrio e negro, também é elegante e encantador, com personagens resilientes, que nos tocam e das quais nos custa despedir quando fechamos o livro.

Sem dúvida um livro extraordinário.

* no livro, a Sinfonia Itinerante é uma trupe de actores e músicos que vão passeando de lugarejo em lugarejo, apresentando peças de teatro de Shakespeare e recitais de música 

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Crueldade a Nu

por Magda L Pais, em 21.08.19

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Crueldade a Nu de Colleen McCullough

Carmine Delmonico #3

ISBN: 9789722524360

Editado em 2012 pela Bertrand Editora

Sinopse

Carmine Delmonico regressa em mais um thriller de leitura compulsiva. Em 1968, a América é um país em convulsão e o subúrbio de Carew está a ser aterrorizado por uma série de violações sistemáticas. Quando uma vítima arranja finalmente a coragem para falar e se dirige à polícia, o violador passa a matar as vítimas seguintes. Para Carmine, parece ser um caso sem nenhumas pistas. Além de que o departamento de polícia de Holloman está com problemas. Enquanto o assassino traça os seus planos, Carmine e a sua equipa têm de usar todos os recursos ao seu dispor para conseguirem desvendar este caso.

A minha opinião

Décimo sexto livro a contar para o bookbingo 2019, correspondente a: 

8. Pede a uma pessoa que viva contigo para escolher um livro para leres 

Vamos hoje testar uma nova forma de dar a minha opinião sobre um livro (não que a vá seguir religiosamente mas parece-me que, neste caso, faz sentido).

Ora bem...

Pontos negativos: demasiado confuso, demasiadas histórias cruzadas (sem que, na realidade, se cruzassem assim tanto), muitas personagens em simultâneo, um caso principal que se desenrola ao longo das páginas para ser resolvido nas últimas páginas e um caso secundário que fica sem solução. Personagens com nomes semelhantes que acabam por tornar difícil perceber quem diz o quê. Um pouco previsível, pelo menos em relação ao caso principal.

Pontos positivos: a proximidade com a vida real (vá lá, ninguém acredita que uma esquadra de polícia tenha apenas um crime para investigar de cada vez, pois não?), a escrita que nos envolve, a exploração da importância das chefias perceberem o que se passa à sua volta e os dramas a que os próprios policias estão sujeitos. A última página, onde se percebe o titulo, com uma reviravolta extraordinária.

No geral, Crueldade a Nu não é um mau livro. Lê-se relativamente bem (algumas partes são mais aborrecidas mas não são a maioria) mas esperava mais e melhor, confesso.

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Uma Casa no Fim do Mundo

por Magda L Pais, em 20.08.19

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Uma Casa no Fim do Mundo de Michael Cunningham

ISBN: 9789726628170

Editado em 2001 pela Gradiva

Sinopse

O aclamado romance de Michael Cunningham, agora levado ao cinema, conta a história de dois amigos: Jonathan, solitário, inseguro e introspectivo; e Bobby, sombrio e silencioso. Depois de uma adolescência na modorra e desolação de uma cidade do interior, a relação encontra em Nova Iorque um novo espaço de crescimento com a cumplicidade de Clare, uma veterana das guerras eróticas da cidade. Jonathan, Bobby e Clare são os três vértices de um triângulo em desequilíbrio. Juntos procurarão construir um novo tipo de família, testando os limites da amizade e do amor, enfrentando os riscos da desilusão e do abandono.

Com a precisão e vivacidade que caracterizam a sua escrita, Michael Cunningham, autor de "As Horas" e "Sangue do Meu Sangue", descreve magistralmente a fragilidade e tensão das relações afectivas no mundo urbano do nosso tempo.

Com a precisão e vivacidade que caracterizam a sua escrita, Michael Cunningham descreve magistralmente a fragilidade e tensão das relações afectivas no mundo urbano do nosso tempo.

A minha opinião

Décimo quinto livro a contar para o bookbingo 2019, correspondente a: 

13. Um livro que se passe num local onde já passaste férias

Nova Iorque em 1998, últimas férias grandes passadas com os meus pais e as minhas irmãs. Uma semana e pouco onde fomos - os cinco - felizes, com histórias que ficam para uma vida, incluindo uma visita às Torres Gémeas que, uns anos depois, seriam alvo de um ataque terrorista sem precedentes.

Adiante...

Uma Casa no Fim do Mundo não é um livro que se leia com sofreguidão. É um livro para saborear calmamente, sem pressas, enquanto vamos conhecendo a vida de Jonathan, Bobby, Alice e Clare da sua infância, passando pela adolescência, até à idade adulta, pelos seus sonhos, conquistas, desilusões, dúvidas, perdas, amores, família e amizades.. tudo o que a vida tem de bom e mau, contado a quatro vozes, deixando-nos enredar, suavemente, nos seus pensamentos.

Uma Casa no Fim do Mundo é uma ode à família, aos amigos que importam. Ao amor e à amizade, em todas as suas facetas e intensidades, onde a única regra é ser feliz e sem que as convenções importem.

O fim... bem, o fim do livro pode ser discutível. Por um lado o livro parece inacabado, ficamos sem saber ao certo o que se irá passar depois, como termina a história. Mas, por outro, de uma forma brilhante (tenho de o reconhecer), Michael Cunningham deixa que sejamos nós a decidir o que acontece ás personagens por quem nos encantamos e que sentimos conhecer.

A ler e a meditar, sem dúvida.

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À Solta na Noite

por Magda L Pais, em 19.08.19

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À Solta na Noite de Sherrilyn Kenyon

Predadores na noite #9

Tradução de Eduardo Fernandes

ISBN: 9789897100178

Editado em 2011 pelas Edições Chá das Cinco

Sinopse

É um mundo cruel para os Predadores. O perigo espreita em cada esquina. Não há ninguém em quem possam confiar. Ninguém que possam amar. Não se quiserem continuar vivos...

Wren Tigarian era apenas uma cria órfã quando foi levado para o Santuário. Muitos veem-no como uma aberração - uma mistura proibida de duas espécies, pelo que se tornou um solitário, isolando-se tanto do contacto com os Predadores do Homem como com os humanos. Até conhecer Marguerite Goudeau. Filha de um notável senador dos EUA, Marguerite detesta a farsa social em que é obrigada a viver. Contudo, não tem outra opção senão tentar adaptar-se a um mundo onde se sente uma estranha. O mundo dos humanos nunca devia contactar com o dos Predadores do Homem, que habitam a seu lado, invisíveis, desconhecidos, indecifráveis. Mas para que possa proteger Marguerite, Wren terá de combater não apenas os humanos que nunca aceitarão a sua natureza animal, como também os Predadores do Homem que o querem ver morto. É uma corrida contra o tempo num mundo de magia sem fronteiras que lhes poderá custar não apenas a vida, mas a alma...

A minha opinião

Décimo quarto livro a contar para o bookbingo 2019, correspondente a

11. Um livro que se passe num local onde gostarias de passar férias

Não encontrei - cá em casa - nenhum livro que ainda não tivesse lido que se passasse na Sibéria, e como a ideia do desafio não passava por comprar livros, optei por outro destino que, não sendo preferencial, também gostava de conhecer: Nova Orleães.

Sherrilyn Kenyon é sempre uma aposta ganha para os fãs de fantasia, erotismo, romance. Em conjunto ou em separado, a saga Predadores na Noite é fabulosa em qualquer uma destas categorias. A escrita é sempre bem conseguida, prende-nos da primeira à última página mesmo naqueles momentos em que há repetição de outros livros da saga - e percebe-se, já que cada um dos livros pode ser lido em separado dos restantes, não havendo uma ordem especial para a leitura (apesar de haver uma ordem de publicação que podemos ou não seguir).

Esta é uma saga que vou lendo a espaços, com alguns livros de intervalo, dado que, sendo uma das minhas sagas favoritas, não a quero esgotar duma só vez. Aconselho-vos a fazerem o mesmo.

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Enquanto Houver Estrelas no Céu

por Magda L Pais, em 18.08.19

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Enquanto Houver Estrelas no Céu de Kristin Harmel

Tradução de José Lima Ferreira

ISBN: 978-972-0-04426-6

Editado em 2014 pela Porto Editora

Sinopse

Desde sempre, Rose, ao entardecer, olhava o céu em busca da estrela da tarde. Era aquela estrela, agora que a sua memória a estava a abandonar, que lhe permitia recordar-se de quem era e de onde vinha; que a transportava para os seus dezassete anos, para uma confeitaria nas margens do Sena. Ninguém conhecia a sua história nem sequer a sua neta, Hope. Num dos seus raros momentos de lucidez sente que é importante falar-lhe de um passado longínquo, que manteve em segredo durante setenta anos e que em breve ficará perdido para sempre.

Munida de uma lista de nomes e de fragmentos de uma vida, Hope parte para Paris em busca de respostas.

Para Hope esta será também uma viagem de descoberta: de tradições religiosas há muito diluídas, de histórias vividas numa Paris ocupada onde o amor sobrevive e, sobretudo, da sua capacidade de recomeçar e acreditar em si mesma.

A minha opinião

Décimo terceiro livro a contar para o bookbingo 2019, correspondente a

14. Um livro recomendado por booktuber, blogger ou instagrammer 

Enquanto Houver Estrelas no Céu foi-me recomendado pela Just aqui há uns tempos largos (três anos e pouco para ser mais precisa) e tem estado ali, na estante da vergonha, a olhar para mim desde então. É efectivamente uma vergonha que não o tenha lido antes porque este é um daqueles livros que vale a pena ler (mesmo que esteja calor e estejamos à beira da piscina). Enquanto Houver Estrelas no Céu é um livro que não queremos poisar enquanto não percebemos toda a história de Rose, que se vai desenrolando aos nossos olhos enquanto Hope descobre a verdade sobre a sua avó.

Enquanto Houver Estrelas no Céu fala-nos de segundas oportunidades, de como o amor é importante na nossa vida e da importância de sabermos as nossas origens, a história da nossa família. Encanta-nos da primeira à última página, não só pela forma como a história é contada - através das vozes de Rose e Hope - mas também pelas receitas que são partilhadas (e não fosse eu gordinha, iria fazer um drive test a todas).

A empatia que sentimos pelas personagens é extraordinária, a escrita é irrepreensível - apesar de, por uma ou duas vezes, me ter apetecido dar dois berros a Hope para que percebesse que o amor que ela queria estava ali mesmo à frente...

Querem um conselho? se ainda não leram... leiam. Deliciem-se com este livro que vale realmente a pena.

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