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No Limiar da Eternidade

por Magda L Pais, em 26.01.16

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No Limiar da Eternidade de Ken Follett 

Trilogia O Século - Livro 3 

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722353717

Lido em 2014

Sinopse

Enquanto as decisões tomadas nos corredores do poder ameaçam extremar os antagonismos e originar uma guerra nuclear, as cinco famílias de diferentes nacionalidades que têm estado no centro desta trilogia O Século voltam a entrecruzar-se numa inesquecível narrativa de paixões e conflitos durante a Guerra Fria.

Quando Rebecca Hoffmann, uma professora que vive na Alemanha de Leste, descobre que anda a ser seguida pela polícia secreta, conclui que toda a sua vida é uma mentira. O seu irmão mais novo, Walli, entretanto, anseia por conseguir transpor o Muro de Berlim e ir para Londres, uma cidade onde uma nova vaga de bandas musicais está a contagiar as novas gerações. Nos Estados Unidos, Georges Jakes, um jovem advogado da administração Kennedy, é um activo defensor do movimento dos Direitos Civis, tal como a jovem por quem está apaixonado, Verena, que colabora com Martin Luther King. Juntos partem de Washington num autocarro em direcção ao Sul, numa arriscada viagem de protesto contra a discriminação racial. Na Rússia, a activista Tania Dvornik escapa milagrosamente à prisão por distribuir um jornal ilegal. Enquanto estas arriscadas acções decorrem, o irmão, Dimka Dvornik, torna-se uma figura em ascensão no seio do Partido Comunista, no Kremlin.

Nesta saga empolgante que agora se conclui, Ken Follett conduz-nos, em No Limiar da Eternidade, através de um mundo que pensávamos conhecer, mas que agora nunca mais nos parecerá o mesmo. 

A minha opinião

Numa nota da Editorial Presença sobre este livro pode-se ler

Começa em 1961, com a construção do Muro de Berlim, já em plena Guerra Fria. As personagens estão de alguma forma envolvidas na Crise dos Mísseis de Cuba, na luta pelos direitos civis, nos assassinatos do presidente Kennedy e do seu irmão Robert e de Martin Luther King. A partir dos anos 60 assistem ao nascimento da música pop e à difusão do rock. Um volume final que termina com a queda do Muro de Berlim.

Na realidade, o epilogo deste livro é o dia da tomada de posse do primeiro mandato do presidente Barack Obama, o primeiro negro a ser eleito para presidente dos Estados Unidos da América.

1024 páginas separam a construção do muro de Berlim, a que assistimos pela voz de Rebbeca, a terceira geração da família Von Ulrich na Alemanha e a luta pelos direitos civis no estados Unidos, na década de 60 e a eleição de Obama, em 2008.

São 1024 páginas que nos ajudam a compreender (mas não a aceitar) a crise dos mísseis em Cuba, a guerra fria, a construção do muro de Berlim, o nascimento da União Soviética, a luta dos negros pelos seus direitos, o nascimento do movimento Hippie, a ascensão e queda de Nixon e o efeito dominó que teve o fim do comunismo na Rússia.

Pelas mãos da terceira geração das famílias que conhecemos no primeiro volume, estamos nos locais onde as décadas de 60, 70 e 80 aconteceram. Conhecemos Kennedy pela voz de uma das muitas amantes que teve, Martim Luther King por uma das suas assistentes, Gorbachov pelo seu secretário. O nascimento do Solidariedade, a Polónia e a ascensão dum electricista sem formação – Lech Walesa – a primeiro-ministro é outro dos temas tratados neste livro.

As últimas páginas antes do epílogo passam-se no dia 9 de Novembro de 1989. Depois da dissolução do Bloco de Leste, e com a realização de eleições livres em vários dos países que constituíam esse bloco, Berlim de Leste é o último reduto comunista fora da URSS. Depois de semanas de contestação e de manifestações contra a Stasi e o regime, o governo anuncia, nesse dia, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental e Berlim Ocidental. Rebecca e Walli estão em Berlim Ocidental e os pais, Carla e Wenner, em Berlim de Leste.

Após esse anúncio, milhares de alemães orientais dirigiram-se ao muro. Dum lado, os berlinenses fartos da Stasi e da opressão comunista gritam “deixem-nos passar” e do outro, os berlinenses ocidentais gritam “venham”. Sem a oposição da polícia, já enfraquecida, os alemães orientais começam a subir o muro enquanto são aplaudidos e incentivados pelos alemães ocidentais. Finalmente termina esta aberração que foi o muro de Berlim, juntam-se famílias, amigos e desconhecidos numa atmosfera de celebração que contagia quem está, deste lado, a ler – da mesma forma como fui contagiada com as imagens, nessa noite, há quase 25 anos. Confesso (não digam a ninguém) que me vieram as lágrimas aos olhos ao relembrar as imagens da televisão.

Ken Follet é, sem sombra de dúvida, o meu escritor favorito. Mas nessa trilogia supera-se a si próprio. Ao interligar situações/personagens reais com situações/personagens fictícias, consegue que o leitor, apesar de saber como terminam as situações reais, sofra com as personagens fictícias. Foi, sem dúvida, um projecto ambicioso do autor, o de retratar o século XX, século em que aconteceram tantas, mas tantas coisas, que alteraram o curso da humanidade para sempre. Duas guerras mundiais, a guerra fria, os direitos civis… coube tanta coisa nas 2784 páginas que compõem esta trilogia que só um autor com a excelência de Ken Follet nos poderia trazer um romance histórico com esta qualidade. São 2784 páginas divididas em três volumes que nos deixam um vazio grande quando acabam. Que nos ensinam mais história da actualidade que muitos manuais escolares – mais uma vez, e como disse aqui na crítica ao primeiro volume, o autor teve a preocupação de não deturpar os acontecimentos reais e de, nas situações fictícias, não colocar as personagens reais sem ter a certeza que podia ter sido assim.

Quando fechei este último livro, fechei também a leitura por dois ou três dias. É o tempo que prevejo que vou precisar para fazer o luto desta trilogia. A qualidade do que li não pode, não deve, ser manchada por outros livros. Tenho de digerir bem e que abrir a mente para o próximo.

Mais tarde, daqui a uns dois ou três anos, quero voltar a ler estes livros. E isso, a releitura, está guardada para os melhores entre os melhores – que é onde esta trilogia se encontra.

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O Inverno do Mundo

por Magda L Pais, em 25.01.16

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O Inverno do Mundo de Ken Follett

Trilogia O Século - Livro 2

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722348768

Lido em 2014 

Sinopse

Depois do extraordinário êxito de repercussão internacional alcançado pelo primeiro livro desta trilogia, A Queda dos Gigantes, retomamos a história no ponto onde a deixámos. A segunda geração das cinco famílias cujas vidas acompanhámos no primeiro volume assume pouco a pouco o protagonismo, a par de figuras históricas e no contexto das situações reais, desde a ascensão do Terceiro Reich, através da Guerra Civil de Espanha, durante a luta feroz entre os Aliados e as potências do Eixo, o Holocausto, o começo da era atómica inaugurada em Hiroxima e Nagasáqui, até ao início da Guerra Fria. Como no volume anterior, a totalidade do quadro é-nos oferecido como um vasto fresco que evolui a um ritmo de complexidade sempre crescente.

A minha opinião

Ken Follett, mais uma vez, não me desiludiu (já nem o espero deste autor).

Neste volume (e que volume, são 832 páginas), continuamos a acompanhar as mesmas 5 famílias, os Williams da Escócia, os ingleses Fitzherberts, os Von Ulrich da Alemanha e Áustria, os russos Peshkov e os americanos Dewar, mas os personagens do primeiro livro começam, aos poucos, a dar lugar aos seus filhos.

É difícil falar neste livro sem levantar mais um pouco do véu do primeiro, mas prometo que vou tentar.

Estamos em 1933 e a Alemanha, por ter perdido a primeira guerra, está a passar por muitas dificuldades económicas. Hitler apresenta os seus planos para tornar a Alemanha o centro do mundo e começa a ganhar apoiantes.

No parlamento, Hitler consegue convencer (a mal) os deputados a assinar a Lei da Concessão de Plenos Poderes, que acaba por abrir a porta a todas as atrocidades cometidas pelos Nazis antes e durante a segunda guerra mundial. Carla Von Ulrich e muitos outros alemães conseguem ter uma visão clara do que será a Alemanha com Hitler no poder, mas outros, como Erick Von Ulrich tornam-se, aos poucos, fervorosos apoiantes dos nazis e nem a morte de familiares e amigos, após uma sessão de tortura da Gestapo, os fazem mudar.

É pelas mãos de Carla, em Berlim e de Erick nos palcos de guerra, que acompanhamos a ascensão e queda de Hitler e as brutalidades cometidas pelo regime Nazi fora dos campos de concentração. Na verdade, em momento algum deste livro, “entramos” num campo de concentração - o que, quando a mim, não é importante, essa triste parte da segunda guerra mundial já foi tão explorada que, quando, neste livro em concreto, se fala no regime nazi, inconscientemente, associamos logo aos campos de concentração.

Na Rússia, e através de  Volódia Peshkov, acompanhamos o crescimento do regime comunista, a ditadura de Estaline, e o inicio do fim da liberdade de expressão. Confesso que, em alguns momentos, tive vontade de bater quer a Volódia, quer a outros russos, próximos de Estaline que, apesar de terem os dados todos à sua frente, todas as informações correctas e confirmadas várias vezes e, ainda assim, não acreditaram que era possível a Alemanha invadir a Rússia, levando a que milhares de soldados morressem nessa guerra.

Na América, encontramos mais dois irmãos que nos vão levar numa viagem pelo tempo. Chuck Dewar prefere entrar para a Marinha a seguir a carreira diplomática que a família esperava. É com Chuck que estamos quando acontece o ataque japonês a Pearl Harbour que vai ditar a entrada da América na segunda guerra mundial. Woody Dewar segue as pisadas do pai, Gus, tentando, ao máximo, que a Liga das Nações (actual ONU) saia do papel.

Na Inglaterra o fascismo começa a querer a aparecer, havendo, inclusivamente, uma tentativa de marcha de apoio que, rapidamente, é impedida pelos ingleses de classes mais baixas - em maior número e, seguramente, mais organizados. Em Espanha a guerra já estalou e muitos ingleses oferecem-se como voluntários. Infelizmente - e mais uma vez - a desorganização e a falta de formação dos superiores - leva centenas de soldados a caminhar para a morte.

Já vai longa a crítica, como foi longo o livro. Não querendo levantar mais o véu sobre o seu conteúdo, resta-me dizer que esta leitura é quase um mergulhar, de cabeça, nos anos de 1933 a 1949. Literalmente. Qualquer um dos personagens fictícios do livro está nos lugares chaves, onde aconteceu alguma coisa de relevante - no parlamento alemão aquando da eleição de Hitler, nos bombardeamentos de Londres, a criação da bomba atómica, a criação do Plano Marshal e a sua aplicação, a eleição e a derrota de Churchil, a criação da rede de espiões da Rússia, etc. Nunca fui uma aluna excelente a história, é verdade, mas gosto destes romances que misturam a realidade com a ficção e que nos permitem aprender mais um pouco sobre o passado, como forma de entendermos o presente.

Este livro termina com Berlim, ainda sem o muro, mas dividida em duas - uma parte controlada pelos Russos, que mantêm a brutalidade e a forma de agir dos nazis, que eles próprios combateram; e a outra parte, controlada pelos restantes aliados, onde a prosperidade começa a notar-se. 

Mais uma vez, e tal como no primeiro volume, Ken Follett teve o cuidado de conciliar as personagens reais com as fictícias em situações que, efectivamente, aconteceram ou tiveram uma grande probabilidade de acontecer. Há quem alegue que seria quase impossível que estas famílias se cruzassem, eu entendo que não, afinal vivemos numa Aldeia Global.

Se bem que, no fim de cada um destes volumes da trilogia (o primeiro e o segundo), não há pontas soltas, ou seja, todas as histórias tem um fim, podendo, por isso, cada um deles ser lido individualmente, eu confesso que estava ansiosa por iniciar o terceiro e último volume desta trilogia - no limiar da eternidade. Já o comecei, em breve falarei dele.

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A Queda dos Gigantes

por Magda L Pais, em 21.01.16

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A Queda dos Gigantes de Ken Follett

Trilogia O Século - Livro 1 

Editor: Editorial Presença

ISBN: 9789722344289

Lido em 2014

Sinopse

Em A Queda dos Gigantes, o primeiro volume da trilogia "O Século", as vidas de 5 famílias – americana, alemã, russa, inglesa e escocesa – cruzam-se durante o período tumultuoso da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do Movimento Sufragista. 

Neste primeiro volume, que começa em 1911 e termina em 1925, travamos conhecimento com as cinco famílias que nas suas sucessivas gerações virão a ser as grandes protagonistas desta trilogia. Os membros destas famílias não esgotam porém a vasta galeria de personagens, incluindo mesmo figuras reais como Winston Churchill, Lenine e Trotsky, o general Joffreou ou Artur Zimmermann, e irão entretecer uma complexidade de relações entre paixões contrariadas, rivalidades e intrigas, jogos de poder, traições, no agitado quadro da Primeira Grande Guerra, da Revolução Russa e do movimento sufragista feminino.

Um extraordinário fresco, excepcional no rigor da investigação e brilhante na reconstrução dos tempos e das mentalidades da época.

A minha opinião

Estava ansiosa por começar a ler esta trilogia. Optei por comprar os três em conjunto, quando saisse o último, porque os queria ler de seguida. Da experiência que tenho com este autor, esta é a melhor opção porque, quando acabamos um volume, queremos logo continuar. E, mais uma vez, as minhas expectativas não saíram goradas

Pela mão de cinco famílias de cinco nacionalidades diferentes, acompanhamos o período de conturbado da primeira guerra mundial – antes, durante e depois.

A família Williams é uma família de mineiros no País de Gales. O pai é sindicalista, a mãe dona de casa. O filho, Billy é mineiro e a filha Ethel, é a governanta na casa dos nobres da região, a família Fitzherberts.

O Conde Fritz Fitzherberts é irmão de Maud e casado com Bea, uma princesa russa.

Walter Von Ulrich é alemão e vive em Londres como adido na embaixada alemã. É primo de Robert Von Ulrich, austríaco, que também vive em Londres como adido da embaixada austríaca.

Na Rússia conhecemos os Peshkov, Grigori e Lev. Bem como Katherina.

Ficamos também a conhecer Gus Dewar de Buffalo, assistente do Presidente norte‑americano.

Estas famílias estão, de uma forma ou de outra interligadas ao longo do livro.

O livro começa em 1911, com a entrada de Billy na mina. Os filhos dos mineiros tinham, à partida e a menos que fossem inválidos, lugar garantido nas minas de carvão, até à sua morte – por acidente ou doença. Poucos são os mineiros que morrem de velhice. Ethel, a irmã, é uma jovem que, pela sua inteligência e presença, sobe na hierarquia dos criados de uma forma vertiginosa tornando-se a governanta da mansão na altura em que Fitz reúne, nessa mesma mansão, vários jovens diplomatas e aristocráticos, com o Rei George que quer conhecer a opinião dos jovens que vivem em Londres sobre politica. É neste jantar que se começa a ouvir falar nos conflitos de opinião entre diversos países e que, mais tarde, dará origem à I Guerra Mundial.

Maud e Fitz não podiam ser mais diferentes. Enquanto Fitz, pela sua educação e formação, é um verdadeiro aristocrata, defensor da divisão de classes e de sexos – as mulheres, nesta altura, eram consideradas como “propriedade dos homens”, só com deveres e sem direitos, Maud luta pela igualdade das mulheres, pelo direito ao voto e pelo direito à assistência em qualquer circunstância e pelos mesmos direitos para todas as classes. Aliás, é precisamente por isso que Ethel e Maud se tornam amigas e até confidentes.

Walter, Robert e Gus são alguns dos convidados para o encontro com o Rei em casa de Fritz. Mais tarde, Gus, Fritz e Bea vão visitar uma fábrica na Rússia onde Grigori e Lev trabalham.

Estamos na Rússia dos Czares, onde a desigualdade entre as classes é ainda mais notória. Grigori e Lev juntam todo o dinheiro que podem para que possam comprar um bilhete para viajarem, na clandestinidade, para a América, terra dos sonhos para muitos russos. Grigori é uma pessoa responsável, que teve de criar o irmão, Lev, quando a mãe foi barbaramente assassinada pela polícia numa das muitas tentativas de revolução que tiveram lugar na Rússia. O pai tinha sido enforcado pelo avó de Bea por ter levado os animais esfomeados a pastar num terreno que pertencia à família de Bea. Lev é o oposto do irmão. Irresponsável, vigarista e, ao mesmo tempo, encantador e charmoso.

Katherina é uma jovem órfã que, na noite em que chega à Rússia, Grigori e Gus salvam de ser violada e morta pela polícia local, tornando-se, com isso, um alvo a abater pelo chefe da polícia. Mas enquanto Gus regressa ao seu país de origem, os Estados Unidos, Grigori, para salvar Lev de mais uma asneira, entrega o bilhete do barco a Lev e fica a viver com Katherina em Moscovo.

O assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria é a gota de água que alguns países precisavam para iniciar uma guerra que começa em Agosto de 1914 e só vai terminar em 11 de Novembro de 1918, depois de milhares de mortos de todos os países envolvidos. Com o início da guerra, separam-se famílias e amigos. Todas as personagens masculinas acima mencionadas são obrigadas a ir para as trincheiras para defender os seus países, apesar de, muitas vezes, porem a sua amizade em primeiro lugar – e aqui recordo o encontro, em lados opostos das trincheiras, de Fritz e Walter, numa noite de Natal.

Ao mesmo tempo que os homens travam a guerra nas trincheiras, Ethel e Maud travam uma guerra contra os preconceitos masculinos, tentando, por todos os meios, que as mulheres tivessem os mesmos direitos que os homens - em termos de salário, voto, saúde, etc.

Grigori, na Rússia, também trava uma outra luta – contra os czares e contra um sistema cruel que mata discriminadamente e que deixa o povo com fome e frio, e sem alento para lutar numa guerra para os quais não tem qualquer preparação. Quando os generais os mandam matar os seus vizinhos e amigos, apenas por querem comer, os soldados revoltam-se dando início à revolução russa.

Já no final da guerra, acompanhamos os primeiros passos da Liga das Nações que, mais tarde, daria origem à ONU.

Já vai longa esta opinião, o que é normal, considerando que o livro tem “apenas!” 928 páginas. Na verdade, são 928 páginas que se leem com muita facilidade, atento o modo como Ken Follet nos apresenta cada uma das situações e a forma como entrelaça as vivências das cinco famílias que acompanhamos ao longo de todo o volume.

Fechado este longo capítulo é altura de iniciar, sem demoras, o segundo – o Inverno do Mundo. Felizmente para mim, que estava no barco quando acabei o primeiro livro, o primeiro capítulo do segundo livro está disponível no final da Queda dos Gigantes, o que me permitiu não esperar mais.

É importante ainda fazer referência às personagens reais que, neste livro, convivem com as personagens imaginadas por Ken Follet. Do Rei George a Lenine, de Troski a Artur Zimmermann, do Kaiser Guilherme a Woodrow Wilson, passando por Winston Churchill e o general Joffreou. E aqui o autor dá cartas, seguramente. Ken Follet teve o cuidado, como o próprio explica numa nota final, de colocar as personagens reais em situações que poderiam efectivamente ter acontecido. Tem o cuidado de as colocar em cenários imaginários em alturas em que poderiam ter estado num local em tudo semelhante - Winston Churchill, por exemplo, viajava muitas vezes para o campo. Pois que a sua visita à mansão de Fritz, no campo, acontece precisamente numa altura, em que está registada uma visita ao campo. Este cuidado acaba por tornar todo o livro bastante realista, deixando-nos com a pergunta – será que estamos a ler uma obra de ficção ou será uma história real?

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