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O Meu Nome é Alice

por Magda L Pais, em 25.04.18

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O Meu Nome é Alice de Lisa Genova

ISBN: 9789892330211

Editado em 2013 pela Lua de Papel

Sinopse

O mundo de Alice é quase perfeito. É professora em Harvard, vive com o marido uma relação que resiste à passagem dos anos, às exigências da carreira, à partida dos filhos. E tem também uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal, o primeiro, de que o mundo de Alice começa a ruir.

Seguem-se as idas ao médico, as perguntas, os exames e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, quase sem dar por isso, Alice vê a vida a fugir-lhe das mãos. Ama o marido intensamente, ama os filhos, e todos eles estão ali, à sua volta. Ela é que já não está, é ela que se afasta, suavemente embalada pelo esquecimento, levada pela doença de Alzheimer.

O Meu Nome É Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo. É o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória da sua vida, à memória de um amor imenso.

A minha opinião

Já sabem, não sou de modas. Não leio o livro que todos estão a ler e não vejo o filme que todos viram. Nem sequer me visto com as roupas mais modernas. Por isso, só este ano comprei este livro e só ontem é que o li. E sim, leram bem, li ontem. Comecei de manhã, no caminho para o trabalho, li à hora de almoço e enquanto estava nas Finanças e depois, quando cheguei a casa, sentei-me neste meu cantinho

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e só o fechei quando li a última página...

O Meu Nome é Alice é um livro que surpreende. Não pelo final, que é desenhado logo que o diagnóstico acontece mas porque acompanhamos a degradação pelo lado do doente com Alzheimer. A angústia, a noção do futuro, a perda de capacidades. O Meu Nome é Alice deixa-nos angustiados porque nos identificamos com Alice. Queremos, como Alice

Mais dias soalheiros com vinte graus e cones de gelado.

Mesmo que não estejamos doentes...

O Meu Nome é Alice mostra-nos que, infelizmente, a doença de Alzheimer é um doença silenciosa, que não é exclusiva de velhotes e não pode ser prevenida, combatida ou vencida. E, apesar de ser uma doença diagnosticada, é uma doença que envergonha.

Desejou ter cancro em vez de Alzheimer. Trocaria a Alzheimer por um cancro sem hesitar. (...) Com cancro, ela teria algo que podia combater. Havia cirurgia, radiação e quimioterapia. Havia a possibilidade de poder vencer. A sua família e a comunidade de Harvard unir-se-iam no apoio à sua batalha, que seria considerada nobre. E, mesmo que acabasse por ser derrotada, poderia olhá-los nos olhos, conscientemente, e despedir-se antes de partir.

(...)

Quem tinha cancro podia esperar o apoio da comunidade. Alice esperava ser marginalizada. (...) Ela não queria ser alguém que as pessoas evitavam e a quem temiam.

O Meu Nome é Alice também nos transmite a importância da família, principalmente da família, no diagnóstico. Aquilo que a nós pode passar por um esquecimento pontual, pode significar algo mais sério. Afinal, convenhamos, se estamos a ficar esquecidos, não somos exactamente a fonte mais fiável dos esquecimentos que tivemos.

Curiosamente, este livro mexe com as nossas emoções sem que, no entanto, seja emotivo ou lamechas. A empatia que criamos com Alice e a sua família é conseguida de forma fabulosa precisamente porque acompanhamos Alice e não os seus filhos ou o seu marido. Confesso que a parte que mais custou ler foi quando todos vão ver a peça que Lydia, a filha mais nova, protagoniza. Após a peça, quando Lydia chega ao pé da família, Alice não a reconhece e é preciso que Anna, a filha mais velha lhe diga:

- Mamã, esta é a Lydia, a tua filha

Este é o maior receio de Alice. Perder a capacidade de reconhecer quem mais ama. E não será também o meu e o vosso? Quem somos nós sem os que amamos? Este livro é brilhante na capacidade de nos obrigar a pensar como Alice, a por-nos no seu lugar. Os seus medos e receios, a sua luta, acaba por ser a nossa também. Naquele momento e nos momentos que se seguem. Porque O Meu Nome é Alice é, sem dúvida, um livro que marca, que irá resistir na mente de quem o leu. Que nos prepara para o que nos poderá acontecer se um dia, tal como Alice, formos diagnosticados com a doença de Alzheimer. E, nessa altura, para além de tudo o resto, quereremos também:

ler todos os livros que conseguisse antes de deixar de saber ler

(leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

Entretanto...

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2 comentários

De Maria João Machado a 30.04.2018 às 14:52

Tenho uma palavra para o assunto: assustador e outra para o livro: arrebatador. Não li ainda, mas fiquei com vontade de ler.

De Magda L Pais a 30.04.2018 às 15:09

Duas palavras com as quais concordo em absoluto.

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