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A Relíquia

por Magda L Pais, em 21.09.16

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A Relíquia de Eça de Queirós

Sinopse

Romance saído em folhetins na Gazeta de Notícias, cuja epígrafe se tornou célebre - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" - por sintetizar a aliança entre realismo e imaginação, naturalismo e fantástico, patente na obra.

Da intriga central - a viagem de Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo, Dr. Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus.

A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos setores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo.

 

A minha opinião

Houve quem dissesse que A Relíquia era a minha cara. E depois um colega de trabalho confirmou e emprestou-me o livro para que eu pudesse também confirmar essa informação. E eu, que sou bem-mandada, venho aqui publicamente dizer que sim, que A Relíquia é a minha cara e que tenho pena de não o ter lido antes.

Li o livro e diverti-me imenso com ele, até porque imaginei sempre que o Teodorico seria o Vasco (da Canção de Lisboa). E porque esta comparação? Por causa das tias e da titi! Nem imaginam o que me ia divertindo enquanto avançava na leitura. Mas confesso também que, a determinada altura achei que Eça de Queiroz teria fumado umas coisas que fazem rir. Aquele sonho que Teodorico tem quando está a chegar a Jerusalém é a prova disso mesmo!

Este livro deu para rir, para sorrir e para reflectir. Eça no seu melhor? Se calhar sim, apesar de não conhecer bem a sua obra (grande falha que estou a tentar mitigar). No fim, a lição fica – a honestidade dá os seus frutos.

Tenho mesmo de recomendar a leitura deste livro. E de outros de Eça de Queiroz que tanto assusta na escola mas que, no fim, se lê muito bem, sem grandes desesperos e arrufos.

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A Tragédia da Rua das Flores

por Magda L Pais, em 22.08.16

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A Tragédia da Rua das Flores de Eça de Queirós

 

Sinopse

Joaquina da Ega (que mais tarde se virá a saber chamar-se Genoveva), natural da Guarda, casada com Pedro da Ega, vivia em Lisboa. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol. Em Espanha, torna-se cortesã. Entretanto, Pedro da Ega morre em Angola. Joaquina casa-se depois com M. de Molineux, um velho senador, com quem vive em Paris. Mas a queda do bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com Gomes, um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por Mme. de Molineux. Em Lisboa, instala-se na Rua das Flores. Logo se envolve com Dâmaso de Mavião, a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por Vítor, um jovem de 23 anos, bacharel em Direito. Quando faz 40 anos repele Dâmaso, planeando voltar para Paris com Vítor. O tio de Vítor, Timóteo, o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a Genoveva.
Ao saber que era amante do seu próprio filho, Genoveva atira-se da varanda de sua casa, na presença de Vítor, que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.

 

A minha opinião

E, aos 46 (ou será 47?) tenho a minha primeira experiência com Eça. Uma tragédia. Ou teria sido uma tragédia se eu não tivesse adorado ler A Tragédia da Rua das Flores. Percebi, com esta leitura, que afinal a minha impressão da adolescência, de quando somos obrigados a ler Os Maias, de que não iria gostar de ler Eça de Queiroz, era completamente errada e, com isto, fiquei com vontade de ler mais deste autor português. Talvez não Os Maias, para já, uma vez que este livro é o primeiro esboço do autor daquele livro e, por isso, estaria a ler a mesma história. Com mais escrita, talvez melhor, mas a mesma história.

A Tragédia chegou às minhas mãos, pela primeira vez, no âmbito do livro secreto. Aliás, ao que parece, e nas palavras da MJ

lembro-me que pensei na coisa quando percebi que havia alguém que ainda não tinha lido eça. na minha cabeça não se ler eça, lendo-se outros mil autores, mesmo aqueles muita fraquitos, é mais ou menos como adorar porco, comer-se até os tintins do dito em cebolada, mas nunca se ter provado leitão à bairrada.

Sim, era eu. Eu, aquela que lê imenso e nunca tinha lido Eça.

Mas acontece que o livro que chegou às minhas mãos era uma das primeiras edições (de 1980) dos Livros do Brasil, com um grafismo péssimo, folhas demasiado finas, letras mal impressas... E eu lia uma ou duas páginas e ficava com dores de cabeça intensas. Acabei por não o ler mas comprometi-me - comigo e com as outras participantes - que iria procurar uma edição melhor que me permitisse cumprir o objectivo. Ler o meu primeiro Eça. Ler a Tragédia da Rua das Flores.

Foi o que fiz. E em boa hora o fiz.

A escrita de Eça é sedutora e habilidosa. As figuras de estilo e as descrições (algumas demasiado extensas, é verdade) são fabulosas e levam-nos numa viagem pelo tempo, a uma Lisboa do século XIX, com intrigas e paixões, numa sociedade hipócrita e fútil. Aliás, este livro é uma crítica social acérrima a essa mesma sociedade (e até, em parte, à actual sociedade).

É também este o encanto de Eça. Apesar de ter vivido há mais de 100 anos, as suas críticas sociais são intemporais, assim como as paixões e intrigas. E, se hoje choca que uma mãe e um filho se apaixonem (apesar de não se conhecerem como tal), imaginem em 1877 (data em que este livro terá sido escrito). Avançado para a época em que viveu, ainda actual mais de 100 anos depois.

Não vos quero obrigar a ler este ou outro livro de Eça. Não me parece que ler por obrigação seja o melhor. Mas que vos aconselho vivamente a experimentar este autor, sem dúvida. Comecem pela Tragédia da Rua das Flores. É mais pequeno que Os Maias e lê muito bem. Vão ver que não se arrependem. Eu não me arrependi!

 

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