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Escrever é um acto de contínua aprendizagem. E falo aqui escrever nas vertentes criativas, seja como blogger (é assim que se escreve?), como autor dum livro (ou de vários) ou como jornalista. Enfim, em todas as vertentes.
É precisamente por isso, porque também a escrever se aprende todos os dias, que me faz tanta confusão ver por ai autores/escritores/bloggers que agem de forma arrogante, achando‑se superior a todos os outros. Que não aceitam críticas e não reconhecem que, por melhores que sejam (e alguns nem sequer o são), podem sempre melhorar se ouvirem as opiniões de quem os rodeia.
Escrever é – ou devia ser – um acto de partilha. Escrever sem egoísmo, com humildade e com respeito. Respeito e consideração por quem lê e por quem se dá ao trabalho de nos dar a sua opinião.
Pena é que nem todos pensam assim. E mesmo que não os vejamos pessoalmente, basta ler o que escrevem para perceber que a arrogância com que o fazem não os deixa crescer e serem tão grandes quanto julgam que são.
Há quem tenha uma necessidade extrema de escrever e há quem tenha uma necessidade extrema de ler. Ambos, escritor e leitor, são pessoas. Únicas. Com defeitos, virtudes, capacidades que fazem com que a sua forma de ler ou escrever seja, também ela única, porque é reflexo da sua forma de estar e de ser.
Mas há um laço que os une – a palavra, os textos. Escritos por uns, lidos pelos outros.
Saber escrever é ter preocupações com a ortografia e a gramática. É respeitar a língua na qual escrevemos, é ter o cuidado de nos aperfeiçoarmos. É saber transmitir, em palavras, histórias e sentimentos. É aceitar críticas construtivas. E é ler. Ler muito. É saber ler.
E saber ler não é passar os olhos na diagonal, chegar ao fim e dizer que o título diz tudo. Saber ler é ler com espírito crítico, ler nas linhas e nas entrelinhas. Saber ler é apreender tudo o que está no texto. É ler uma frase e pensar que ficaria melhor de uma ou doutra maneira, ou pensar que é uma frase perfeita e que gostaria de ter sido o próprio a escrevê-la. Ler é também viajar. Pelas imagens que outros construíram. Viver as vidas que outros imaginaram.
Muita da minha aprendizagem saiu dos livros e dos textos que vou lendo. Hoje, quando escrevo alguma coisa, não perco de vista autores que me influenciam, de forma positiva ou negativa. É nos textos deles que encontro as lições que preciso para escrever (e tanto que ainda tenho para aprender…).
Enquanto houver quem saiba ler terá de haver quem saiba escrever (ou vice-versa). A leitura não existe sem a escrita, mas a escrita também não existe sem a leitura. São duas faces da mesma moeda – os textos – que se devem respeitar e entreajudar.
E como funciona essa entreajuda? Simples. O escritor deve corresponder às expectativas do seu leitor, continuando a escrever, melhorando a sua escrita e publicando-a. E o leitor deve ler com o respeito que qualquer texto merece, fazendo, críticas construtivas que ajudem o autor a melhorar. E é essa a função do leitor. Ajudar o autor a encontrar as suas falhas, para que, no texto seguinte, possa melhorar.
Num intercâmbio perfeito em que todos beneficiam.
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