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Sangue Asteca

por Magda L Pais, em 16.11.18

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Sangue Asteca - Vol. 2 de Gary Jennings

Editado em 2008 pela Saída de Emergência

ISBN: 9789728839949

Lido em 2015

Sinopse

Em 1530, depois de Hernán Cortés quase extinguir o povo Asteca, o Rei de Espanha, ordena ao bispo do México que lhe faculte informação acerca dos costumes do povo Asteca. O bispo, Frei Juan de Zumárraga, redige um documento baseado no testemunho de um ancião. Um homem humilde e submisso que vai chocar a moralidade e os preconceitos do mundo civilizado. O nome dele é Mixtli – Nuvem Obscura.

Após Orgulho Asteca, Mixtli, o mais robusto e memorável de todos os Astecas, continua o relato da sua vida em Sangue Asteca. Mixtli já não é um jovem inocente. A sua infância, as suas viagens e batalhas, a perversidade da corte e os amores perdidos fizeram de Mixtli um homem marcado pelas cicatrizes de uma vida atribulada e muitas vezes trágica. O realismo e o desfecho deste maravilhoso livro, contam uma história que o leitor jamais irá esquecer.

A História de Mixtli é, em grande parte a história do próprio povo Asteca: épica e de uma dignidade heroica. Este é o princípio e o fim de uma colossal civilização.

A minha opinião

Depois de ler Orgulho Asteca as expectativas estavam bastante elevadas para o Sangue Asteca, onde continuei a acompanhar a vida de Mixtli e, ao mesmo tempo, a ascensão e queda dos Astecas, essa mítica e avançada civilização que foi esmagada – literalmente – pelos espanhóis, fosse através da brutalidade de Cortés, da estupidez de Moctezuma ou (mais importante) pelas doenças do chamado mundo civilizado para as quais os Astecas não tinham qualquer defesa.

Não me desiludi. Este segundo livro, tão intenso como o primeiro, é igualmente sangrento, violento e escabroso como primeiro. E igualmente fabuloso. Tanto que ambos – primeiro e segundo volume – saltaram para o topo dos topos das minhas preferências.

Mixtli conta-nos, neste volume, como foi o seu início de vida de casado com a mulher Chachapoya por quem se apaixonou, à revelia do Povo Belo – que não aceitavam o casamento de membros da sua raça com pessoas de outra raça porque isso podia levar a que nascessem crianças feias – e a viagem que ambos fizeram de regresso a casa, à capital do Mundo Único.

É pelos olhos de Mixtli que conhecemos as diversas tribos e civilizações que viveram na época dos Astecas já que ele viaja por todo o lado a pedido de Moctezuma. E é por conhecer tão bem todas as tribos e várias linguagens que Mixtli é enviado para conhecer os homens brancos que aparecem perto dos Maias, até para perceber se seriam homens ou Deuses.

Ao longo de todo este volume vamos percebendo que, se calhar, o mundo civilizado não conquistou o México aos Astecas, mas que se passou mais ao contrário. Sim, é verdade que os Astecas faziam sacrifícios humanos, mas talvez fosse esse o único ponto em que eram menos civilizados. E digo isto porque uma das coisas que os espanhóis mais estranharam quando lá chegaram foram… os sanitários. Sim, os Astecas já tinham sanitários, quer nas casas dos nobres quer nas praças para que todos pudessem utilizar. E eram bastante asseados, ao contrário dos “conquistadores” que tomavam banho… quando chovia e mesmo assim porque eram obrigados.

Percebemos também, com este romance, que a conquista não aconteceu apenas porque os espanhóis tinham armamento superior mas sim por inépcia de Moctzuma II que, ao arrepio dos conselhos dos seus nobres, sempre quis honrar a amizade que achava que o Cortez tinha para com ele. E porque uma asteca, Malinche, uma escrava que tinha sido oferecida a Cortez como prova de boa vontade, lhe denunciava todas as tentativas dos Astecas se revoltarem

E foi essa inépcia, a traição de Malinche bem como a cólera, o sarampo, a varicela, e outras doenças que tais, que levaram ao quase extermínio dos astecas. Sobreviveram aqueles que se converteram ao cristianismo (muitos sem o perceberem), mas as suas fantásticas cidades foram todas arrasadas pela armada espanhola, nuns casos por vingança noutros em busca do lendário ouro dos Astecas.

O livro termina, ironicamente, com a morte de Mixtli às mãos da Igreja Católica, como herege, sendo a forma escolhida para a sua morte muito mais violenta que qualquer um dos sacrifícios humanos que os astecas praticavam. É o próprio Mixtli que a descreve quando conta como morreram os primeiros astecas que tinham desafiado Cortez, o que nos deixa a pensar, afinal quem era mais selvagens?

Até à leitura destes dois livros, Gary Jennings era um perfeito desconhecido para mim. Hoje é um autor que quero continuar a descobrir.

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Orgulho Asteca

por Magda L Pais, em 09.11.18

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Orgulho Asteca de Gary Jennings

Editado em 2007 pela Saída de Emergência

ISBN: 9789728839932
Lido em 2015
 
Sinopse
Era uma vez... a mais poderosa e fascinante civilização...
Este é considerado pela crítica mundial, como o melhor romance histórico sobre a desaparecida civilização Asteca e um dos melhores romances históricos do Séc.XX. Gary Jennings, mudou-se para o México e durante 12 anos investigou e viveu apenas para a sua criação: o Asteca, deixando-nos uma obra inesquecível. Gary era famoso por ser um dos escritores mais rigorosos e com mais trabalho de pesquisa por trás dos seus romances. Em 1530, depois de quase extinguir o povo Asteca pelas mãos de Hernán Cortés, o Imperador Carlos, Rei de Espanha, pede ao bispo do México que lhe faculte informação acerca da vida e dos costumes do povo Asteca. O bispo, frei Juan de Zumárraga, decide redigir um documento, baseado no testemunho de um ancião. Um homem humilde e submisso que vai chocar a moralidade e os preconceitos do mundo civilizado. O seu nome é Mixtli - Nuvem Obscura. Mixtli, um dos mais robustos e memoráveis astecas, relata com detalhe toda uma vida: a sua infância, a mentalidade e os costumes do seu povo, o sexo e a religião, a sua formação e os seus amores, sempre tormentosos e trágicos. Esta é a sua empolgante e maravilhosa história, que representa o choque entre civilizações com formas inconciliáveis de ver o Mundo. A História de Mixtli é, em grande parte, a história do próprio povo Asteca: épica e de uma dignidade heróica. Este é o princípio e o fim de uma colossal civilização.
 

A minha opinião

Há coisa de dois anos, na Feira do Livro de Lisboa, não resisti a uma promoção da Saída de Emergência e comprei um pack com este livro e a continuação, Sangue Asteca. Não me perguntem porquê, mas fui deixando os dois livros por ali sem lhes pegar. Cheguei a olhar para os dois e pensar que talvez tivesse feito asneira em os comprar porque não conhecia o autor. Mas há vinte dias atrás, e no meio dos quase 40 que tenho em fila de espera para ler, fiquei presa na lombada da capa deste livro e resolvi que tinha chegado o momento. Vinte dias depois posso dizer que estou muito arrependida de não o ter lido logo que cheguei a casa com eles.

Sempre senti um grande fascínio pelas civilizações Asteca e Maia - aliás, entre outras razões, a minha opção pela altura em que fiz a viagem de finalistas da faculdade, foi que a viagem ia ser a Cancún, o que me permitiria - a bem ou a mal - visitar algumas cidades maias.

Sobre o livro terei de dizer que não é para ser lido de animo leve nem por quem espera uma leitura soft. A civilização asteca tinha tradições deveras violentas, descritas, ao pormenor neste volume. É preciso entender um pouco do espírito dos Astecas para entender que, para eles, nenhuma daquelas tradições era violenta. Para os Astecas (assim como para os Maias) a morte não era um castigo, era um prémio dado aos melhores. Na sua grande maioria, as pessoas sacrificadas nas cerimónias, eram-no voluntariamente. E sabiam que, após a sua morte, seriam o alimento dos sacerdotes e de quem tinha assistido. Essa era a forma de continuarem vivas. Quanto os sacrificados eram os soldados inimigos capturados nas guerras, o primeiro a ser sacrificado era o que detinha o posto mais alto ou o que tivesse combatido mais ferozmente - era esse o prémio e que aceitavam com alegria. Quando era necessário o sacrifício de crianças, estas eram compradas a famílias escravas e tratadas, nas semanas antes, com todos os mimos dados aos filhos dos nobres, e só depois eram sacrificadas. Enfim, não vou entrar em mais detalhes sob pena de vos afastar da leitura deste meu texto, como, em certos momentos, tive de o fazer em relação ao livro. Sim, porque este livro é escabroso, violento, sangrento e muito realista. 

Neste primeiro livro ficamos ainda a saber que há muitas semelhanças entre partes da religião asteca e a religião católica. O Primeiro Casal - nos astecas - poderá ser Adão e Eva para os católicos, por exemplo. De uma forma ainda indelével, até porque este livro retrata a vida de Mixtli antes da ocupação espanhola, ficamos ainda a conhecer a destruição que os espanhóis espalharam por todo o México - destruição de templos, cidades e duma civilização.

Se me pedirem que vos defina este livro numa só palavra, terei de inventar uma - fabulástico! é mesmo a única forma de o descrever. Dos livros que li este ano é, seguramente, o melhor (até agora). E agora desculpem a saída brusca mas vou já pegar no Sangue Asteca, o segundo volume.

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Uma paixão chamada livros 24/40

por Magda L Pais, em 03.03.16

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Top 5 dos escritores favoritos

Ken Follett

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Porque este escritor não se limita a imaginar e escrever. Todos os seus livros tem um trabalho fantástico de investigação por detrás. É o próprio que explica como, em cada livro, traça a linha divisória entre a história e a ficção:

A regra que aplico é a seguinte: Ou a cena aconteceu, ou poderia ter acontecido; ou as afirmações foram feitas, ou poderiam ter sido feitas. E se encontrar alguma razão que impeça que a cena tivesse ocorrido na vida real, ou que uma dada afirmação tivesse sido feita - se, por exemplo, uma personagem se encontrava no estrangeiro nesse momento - elimino-a.

E é esta regra simples, conjugada com a qualidade da escrita que já me habituei com Ken Follett que o tornam num dos meus escritores favoritos.

John Grisham

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Descoberto por recomendação dum vendedor na Feira do Livro de Sesimbra. Por norma não ligo nenhuma às pseudorecomendações que aparecem de outros autores ou na contra capa, feitas por outros autores ou jornais. Mas num dos livros que li deste escritor dizia assim "tenha cuidado se for a ler Os Litigantes no autocarro, pois poderá perder a sua paragem" - Independent. Bem, na verdade, não perdi a paragem do autocarro. Mas perdi a do metro...

 

João Pinto Coelho

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Finalista do prémio Leya com o seu romance de estreia Perguntem a Sarah Gross, conseguiu, com apenas este livro, entrar para o meu rol de autores favoritos. Venham de lá mais livros, arranjarei, com certeza, espaço nas mui ocupadas estantes lá de casa para o ter. É um autor que me apetece!

Gary Jennings

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Com apenas dois livros editados no nosso país (o que é lamentável) Gary Jennings é um autor que subiu rapidamente ao topo das minhas preferências com O asteca. Aliás, este livro (dividido em dois volumes em Portugal) é considerado como uma obra de referência para quem quer entender o Povo Asteca e a sua ascensão e queda. Espero, sinceramente, que um dia alguma editora opte por editar os outros livros que escreveu porque os seus leitores o merecem.

José Rodrigues dos Santos

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José Rodrigues dos Santos tem o dom de saber explicar, nos seus livros, coisas complicadas de forma simples e perceptível ao comum dos mortais. Um dos últimos livros que li dele, A Mão do Diabo, é dado, ao leitor, a possibilidade de perceber os meandros e as razões da crise económica que teima em passar e cuja responsabilidade é de todos nós.

E sim, tenho mesmo mesmo de acrescentar um sexto autor...

Gabriel García Márquez

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Por Cem anos de Solidão, Ninguém Escreve ao Coronel, Amor nos Tempos de Cólera, Crónica de uma Morte Anunciada, os Contos completos, e O Outono do Patriarca.

 

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Uma paixão chamada livros 21/40

por Magda L Pais, em 29.02.16

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 Melhor citação (diálogo)

Esta é, talvez, uma das perguntas mais difíceis de responder neste desafio. O melhor diálogo. É difícil porque, depois de acabarmos um livro, o que fica é a história e não o que foi dito entre as personagens.

Há, no entanto, este diálogo que já o trouxe aqui e que está num dos meus livros favoritos de sempre e que achei, na altura, intemporal.

Acocorei-me para fazer o gesto de beijar a terra e ainda ajoelhado disse:

- Mestre Glutão de Sangue, sabe que a minha vista é má. (...) se estas marcas fossem feridas reais, há muito que estaria morto.

- E então? - disse ele friamente. (...) - Perdido no Nevoeiro vou falar-te de um homem que uma vez conheci em Quautemálan. (...) Esse homem fugia ao menor sinal de perigo; evitava os riscos mais naturais da existência. Refugiava-se como um pequeno animal na sua toca, abrigado e protegido. Rodeava-se de sacerdotes, médicos e bruxos. Comia apenas os alimentos mais nutritivos e todas as poções mais nutritivas de que tivesse ouvido falar. Nunca antes homem algum tinha tido tanto cuidado com a sua vida. Vivia, unicamente, para continuar a viver.

Esperei que ele continuasse a falar, mas não disse mais nada, pelo que lhe perguntei:

- O que lhe aconteceu, Mestre Cuachic?

- Morreu.

- E isso é tudo?

- Que mais se pode passar com um homem? Nem sequer me lembro do nome dele. Ninguém sabe nada sobre ele, excepto que viveu e que, por fim, morreu.

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Uma paixão chamada livros 19/40

por Magda L Pais, em 25.02.16

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Colecção (saga) favorita

Neste desafio tenho sido uma batoteira e toda a gente sabe disso... É suposto escolher apenas um livro e raramente o faço. A batota começou logo no primeiro dia. Era para escolher cinco livros e eu, pelo meio, meti três sagas. Volta a acontecer o mesmo hoje (vá, batam-me que eu deixo...)

Aqui ficam as minhas sagas favorias

As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley

 

trilogia O Século - Ken Follett

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O Asteca - Gary Jennings 

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