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A Cidade dos Espelhos

por Magda L Pais, em 02.11.19

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A Cidade dos Espelhos de Justin Cronin

A passagem #3

Sinopse

Num futuro em que todas as regras foram mudadas, é hora de cada um encontrar o próprio destino. Ano 100 D.V.: após a destruição dos Doze e de seus Muitos, nenhum viral foi visto nos últimos três anos. As fortalezas que protegiam os últimos humanos dos infectados começam a parecer desnecessárias.

Na República do Texas, as vigílias constantes já não encontram inimigos e o controle de natalidade se mostra um contrassenso quando há todo um continente vazio à espera de ser repovoado.

Com novas demandas do povo surgindo a cada dia, o presidente Peter Jaxon decide levar adiante a ideia de abrir os portões da cidade fortificada e dar início à reconstrução do que um dia foi um país de milhões de habitantes.

Mas a atmosfera de calmaria é apenas parte de um plano maligno. Fanning, o Zero, aquele que deu início ao caos, esteve pacientemente aguardando em sua eternidade pelo momento em que as vítimas finais baixariam a guarda. Seu exército está pronto e, em suas fileiras, as armas são garras e presas e a motivação é a sede de sangue.

Para fechar essa tão esperada trilogia, Justin Cronin construiu um conto de sobrevivência e fé, em que os limites entre o bem e mal são postos à prova e um questionamento inquietante permeia cada página: o que nos torna humanos, afinal?

Amy Harper Bellafonte. A Garota de Lugar Nenhum. Para derrotar os Doze e salvar as pessoas que amava, ela abriu mão de sua humanidade e se transformou num viral, uma criatura sedenta por sangue. Depois disso, ninguém sabe o que aconteceu com ela.

Porém seu sacrifício pode não ter sido suficiente. Anos se foram e antigos perigos estão de volta.

Sem Amy e a força de sua bondade, como será possível resistir aos ataques do inimigo?

Neste fim emocionante de uma saga épica que percorre continentes e narra um milénio da história de uma humanidade diante da destruição e da redenção, Justin Cronin nos mostra o mundo que temos e um que poderíamos ter e nos põe diante do desafio de permanecer humano quando ceder ao mal se mostra a opção mais fácil.

A minha opinião

Já todos ouvimos aquela velha expressão: o que é demais enjoa, não é verdade? pois que me lembrei dela várias vezes enquanto lia este livro que termina a trilogia iniciada com A Passagem e cujo segundo livro é Os Doze.

Infelizmente a qualidade dos livros seguiu a ordem inversa. O primeiro é fabuloso, o segundo é bom e mais de metade do terceiro era dispensável.

Demasiada informação dispersa e dispensável. Esta é a razão principal para este terceiro livro não ser excelente, até porque o final é simplesmente perfeito - Spoiler alert: a humanidade sobrevive! Aliás, tive muita dificuldade em largar o livro nas partes finais. Mas noutras partes... tive dificuldade em ler.

Gosto da forma como o passado, o presente e o futuro se misturam, da forma como sofremos com Amy e as restantes personagens e como o fim escolhido para cada um é exactamente o que merecem ao longo do livro. Gosto da forma como tudo se encaixa.

Amy, Peter, Alicia, Michael, Sara e Hollis. Calleb e Prim. Carter e Zero. Personagens profundas e complexas que sentimos como nossas.

Nota: livro não editado em Portugal

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Os Doze

por Magda L Pais, em 24.10.19

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Os Doze de Justin Cronin

A Passagem #2

Sinopse

Os Doze é a sequela de A Passagem, um bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo infernal por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado...

A uma distância de 100 anos do futuro, Amy e os outros sobreviventes continuam a lutar pela salvação da humanidade... sem se aperceberem de que as regras foram alteradas. O inimigo evoluiu, e surgiu uma nova ordem negra com uma perspectiva do futuro infinitamente mais terrífica do que a da própria extinção humana. 

A minha opinião

Começado há quase dois meses, Os Doze é a continuação do livro A Passagem. Mas calma, não demorou dois meses a ser lido porque é mau. Demorou porque o Kobo avariou e tive de esperar um mês para que fosse devolvido. E depois, quando voltou, tive de o recomeçar do principio porque, naturalmente, já havia muita coisa que me tinha esquecido.

N'Os Doze viajamos entre o passado e o presente. Entre o período imediatamente antes da epidemia se alastrar e os anos após A Passagem. Conhecemos novas personagens (algumas delas apenas para nos despedirmos rapidamente) e revemos as que sobreviveram. Poderia tornar-se muito confuso (e sim, de facto em alguns momentos, foi confuso) mas acabamos por perceber bem estas viagens.

Confesso que houve algo que me desagradou neste livro. A parte mística. Ok, é estranho - eu própria o assumo - mas se estou a ler uma distopia, um livro sobre algo que correu mal com a humanidade (e, neste caso, algo correu bastante mal) não espero encontrar mundos paralelos ou viagens no tempo. Cada macaco no seu galho, não é o que se costuma dizer?

Ainda assim, e apesar desta questão (que poderá estar melhor explicada no terceiro volume que nem sequer foi editado em Portugal), Os Doze são um bom livro para ler, já que o autor escreve de forma despretensiosa, agradável e cria personagens que amamos/odiamos com a mesma intensidade, conseguindo reviravoltas inesperadas, quer no enredo quer no destino das personagens.

 

Leia aqui as primeiras páginas

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A Passagem

por Magda L Pais, em 06.09.19

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A Passagem de Justin Cronin

A passagem #1

Sinopse

Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos vestígios de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue.

Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior.

Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao Apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilómetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado.

A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que reacende a morte.

A minha opinião

(sim, é verdade, a sinopse está em brasileiro... a sinopse da edição portuguesa é muito fraquinha e esta, em brasileiro, explica melhor o livro)

Meta o dedo no ar quem gosta de distopias. De imaginar como seria a humanidade em determinados cenários apocalípticos, criados (ou não) por nós próprios, quando se está mesmo a ver que vai dar asneira. 

Estação Onze é, talvez, dos um dos expoentes máximos desse género literário, principalmente pela ausência dos heróis, aqueles que salvam a humanidade (ou o que sobra dela). Já n'A Passagem temos as personagens dos costume: os bons, os maus, os heróis e o salvador (neste caso Amy, a criança). Não é mau, a sério que não.

Entre o thrilher e o suspense, A Passagem está partido em várias partes. O antes, o durante e o depois. O durante é - neste primeiro volume - apenas explorado parcialmente (e isso percebe-se quando se começa a ler o segundo volume), sendo mais focado no depois, muito depois. 90 anos depois do acontecimento, do inicio da epidemia.

Mais um livro que mostra a humanidade como ela é: estúpida, idiota, ignorante e a única que é capaz de criar a sua própria destruição. Mas, ao mesmo tempo, resiliente e sobrevivente e, nalguns casos, merecedora duma segunda oportunidade.

A escrita prende-nos. Da primeira à última página (e olhem que, este primeiro volume, tem 810 páginas...). Odiamos e amamos algumas personagens, queremos gritar: não sejam idiotas, não vão por ai, não façam isso, confiem em vós, acreditem. Sentimos que eles nos ouvem, que estamos ali com eles. Gosto quando um livro me faz sentir que posso falar com as personagens e que elas nos ouvem

Agora... bem, agora estou já lançada na leitura do segundo volume e é até lá que vou.

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