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Uma Terra Chamada Liberdade

por Magda L Pais, em 19.09.19

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Uma Terra Chamada Liberdade de Ken Follett

ISBN: 9789722357715

Editado em 2016 pela Editorial Presença

Sinopse

Condenado à nascença a uma vida de escravidão, Mack McAsh vê-se forçado a trabalhar nas minas de carvão da Escócia, no ano conturbado de 1766. Porém, Mack não perde a esperança de ser livre. Inesperadamente, encontra uma aliada. Lizzie Hallim é a bonita aristocrata rebelde e determinada que, apesar da sua condição, também se encontra aprisionada em intrigas e jogos de poder. Devido às ideias progressistas de Mack, Sir George, senhor das terras e dono da mina, dificulta-lhe a vida, obrigando-o a fugir. Num volte-face é Lizzie quem o ajuda.

Os dois jovens não sabem que em breve a paixão será tão avassaladora no velho mundo como no novo.

Das minas de carvão da Escócia às sujas ruas da Londres, passando pelas plantações de tabaco na Virgínia, os dois enamorados querem apenas conquistar algo para as suas vidas: a liberdade.

A minha opinião

Estava com saudades de ler Ken Follett, um dos meus autores favoritos, principalmente na categoria romance histórico. Uma Terra Chamada Liberdade não desiludiu e permitiu mitigar algumas das saudades.

Cada livro de Ken Follett é uma viagem no tempo, envolvendo-nos de tal modo que, por algumas páginas, descemos às minas de carvão e sentimos o medo na pele. Por algumas páginas somos Mack. E somos Lizzie quando entra na água do rio para salvar Mack. Noutras páginas somos outras personagens, envolvidas na leitura de tal modo que nos esquecemos de olhar em volta e de perceber que não estamos ali, na Escócia ou em Londres. 

Numa escrita sempre intensa e envolvente, Ken Follett consegue que amemos e odiemos a mesma personagem - Jay - dando-nos, a determinada altura, vontade de sermos nós a espanca-lo (quase literalmente).

Sempre que leio Ken Follett consigo embrenhar-me na história de uma forma que poucos autores conseguem. Mesmo quando os livros não são muito grandes (e este não chega às 500 páginas) é como se o mundo inteiro estivesse lá dentro.

E que bem que sabe ler um livro assim.

Leia aqui as primeiras páginas

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Triplo

por Magda L Pais, em 29.03.19

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Triplo de Ken Follett

Editado em 2013 pela Editorial Presença

ISBN: 9789722350334

Lido em 2015

Sinopse

No ano de 1968, Israel esteve por detrás do desaparecimento de 200 toneladas de urânio, material destinado a dotar o Egito da bomba atómica com a ajuda da União Soviética. Contudo nunca se conseguiu determinar como é que um carregamento daquele minério, suficiente para produzir 30 armas nucleares, desapareceu no mar alto sem deixar provas que comprometessem Israel. Follett pegou nesta enigmática ocorrência e criou a partir dela um thriller único, onde um suspense de alta voltagem se combina com factos históricos. 

A minha opinião

Mais uma vez, a história real mistura-se com a ficção. KF pegou num acontecimento histórico – o desaparecimento de 200 toneladas de urânio, provocado por Israel – e romanceou o resto, a forma como tal aconteceu.

Nathaniel é um judeu que sofreu horrores nos campos de concentração. Quando a segunda guerra mundial termina, Nathaniel vai estudar para Oxford, e conhece a mulher do professor Ashford por quem se apaixona. Cortone, um mafioso italiano que deve a sua vida a Nat visita-o na Universidade tendo a oportunidade de conhecer Eila, acabando, ambos, por descobrir que Eila é amante de Yasif Hassan.

Uns anos mais tarde, Nat pertence aos serviços secretos Israelitas e é incumbindo de roubar urânio para que Israel possa construir uma bomba atómica para que fique em pé de igualdade com o Egipto. Ao fazê-lo, acaba por reencontrar Hassan e Rostov, que conheceu em Oxford bem como Suza, a filha de Eila e Ashford.

O roubo do urânio terá de acontecer sem que a Eurotron – a entidade que controla a circulação de urânio na europa – se aperceber mas também sem por a vida de Nat em risco. Será que é possível?

Uma trama bem ao jeito de Follet – espiões de dupla face, espiões rígidos e o amor que tudo vence – ingredientes que, mais uma vez, fazem deste livro uma leitura bastante aprazível, sendo certo que o assalto (não interessa ao quê) é um dos momentos mais intensos e que me obrigou a quase me escaldar ao sol porque não consegui interromper a leitura enquanto o dito não acabou. Quando tal acontece… é porque o livro vale mesmo a pena, mesmo quando o final é previsível.

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Um mundo sem fim

por Magda L Pais, em 19.10.18
 

Um mundo Sem Fim - Ken Follett

Dois volumes

Editado em 2008 pela Editorial Presença

Lidos em 2013

Sinopse

À semelhança de Os Pilares da Terra, Ken Follett volta ao registo do romance histórico, numa obra dividida em duas partes graças às quase mil páginas que a compõem. A Presença publica agora o primeiro volume de Um Mundo Sem Fim, que se prevê repetir o sucesso de Os Pilares da Terra. O autor sentiu-se bastante motivado a escrever este novo livro já que desde Os Pilares da Terra, publicado em 1989, os leitores de todo o mundo clamavam insistentemente por uma sequela. Finalmente Follett inspirado e com coragem e determinação, sem esquecer uma enorme dedicação, lançou-se na escrita de Um Mundo Sem Fim, a continuação de Os Pilares da Terra, onde recorre a elementos comuns do primeiro livro e dá vida a descendentes de algumas personagens. Recuperando a mesma cidade Kingsbridge, o cenário é ambientado dois séculos mais tarde onde nos transporta até 1327. Aí iremos ao encontro de quatro crianças que presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. Três delas fogem com medo, ao passo que uma se mantém no local e ajuda o cavaleiro ferido a recompor-se e a esconder uma carta que contém informação secreta que não pode ser revelada enquanto ele for vivo. Estas crianças quando chegam à idade adulta viverão sempre na sombra daquelas mortes inexplicáveis que presenciaram naquele dia fatídico. Uma obra de fôlego com a marca assinalável e absolutamente incontornável de Ken Follett.

A minha opinião

Ken Follett é um dos meus autores favoritos desde que li Os Pilares da Terra. Um Mundo Sem Fim é, supostamente, a sequela d’Os Pilares da Terra mas, na verdade, o que une estes livros é o local da acção, Kingsbridge e uma das famílias que é descendente muito afastado de Tom Pedreiro, mais exactamente de Martha, a filha mais nova de Tom.

O primeiro volume inicia-se em 1 de Novembro de 1327, altura da Feira do Velo no priorado. Gwenda, Caris, Ralph e Merthin são quatro crianças, com idades muito próximas e que não se conhecem. Nesse dia as suas vidas vão-se cruzar com Thomas, um cavaleiro que esconde um segredo, o que terá efeitos que se irão sentir para o resto das suas vidas.

Kingsbridge continua a estar ligada ao priorado cujo prior falece em sequência dum acidente. Nessa altura começam os jogos de poder dentro do priorado o que acaba por afectar toda a cidade. Aliás, o forte deste livro são mesmo as lutas por poder, dentro do priorado, entre o priorado e o convento de freiras que nasceu ao lado da catedral construída por Tom e Jack nos Pilares da Terra, assim como entre a Guilda Paroquial e o priorado.

Acompanhamos o crescimento destas crianças num ambiente medieval, com todas as nuances próprias dessa época, com a caça às bruxas, o rebaixamento das mulheres que eram consideradas abaixo dos homens.

Este primeiro volume termina em Maio de 1339

Escrito com a qualidade a que o autor nos habituou, é, sem dúvida, um livro a ler e a reler. Comecei o segundo volume de imediato porque a ânsia de saber o que o futuro reserva a todos os personagens, sejam eles bons ou maus, é imensa.

No segundo volume d’Um Mundo sem Fim continuamos a acompanhar a vida de Gwenda, Caris, Ralph e Merthin, as quatro crianças que conhecemos no primeiro volume. O volume inicia-se com o princípio da peste negra que tanta gente ceifou na idade média. Percebemos, conforme vamos avançando na leitura, como é que a peste matou tanta gente, porque é que se espalhou com tanta facilidade e, acima de tudo, sentimos a impotência que foi lutar contra uma doença bastante mortal que muitos acreditavam ser um castigo de Deus.

Assistimos ainda à mudança de mentalidades, quer da Igreja quer dos populares, quer aceitando melhor a intervenção das mulheres – que, até essa altura, eram descriminadas e quase que ignoradas pela sociedade em geral – quer em termos de higiene.

A peste vai matar algumas das personagens que nos acompanharam no primeiro livro e algumas das novas que são introduzidas neste volume. Leva alguns dos “bons” mas também dos “maus” provando, mais uma vez, que a morte, seja ela induzida da forma que for, é democrática e não escolhe quem quer levar.

Quando lemos a última página e fechamos o livro, fica uma sensação de vazio. Aliás como na maior parte dos livros deste autor, cada livro sabe-nos a pouco, apesar das histórias ficarem terminadas e não haver pontas soltas.

Leia aqui as primeiras páginas do primeiro volume e aqui as primeiras páginas do segundo volume

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A Chave Para Rebecca

por Magda L Pais, em 21.09.18

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A Chave Para Rebecca de Ken Follett

Editado em 2010 pela Bertrand Editora

ISBN: 9789722520973

Lido em 2015

Sinopse

Norte de África, Verão de 1942. Rommel parece imbatível: as suas armas secretas são Alex Wolff, espião exímio, e um código fatal enterrado nas páginas do romance de Daphne de Maurier, Rebecca. Wolf cruza o Sara escaldante e entra no Cairo para roubar os planos militares britânicos. O major Vandam, no seu encalço, encarrega a encantadora Elene de o seduzir. À medida que as tropas de Rommel se aproximam da vitória, a perseguição desenrola-se no deserto até chegar a um confronto impressionante e explosivo.

A minha opinião

Baseado numa história verídica, A Chave para Rebecca foi a minha reconciliação com Ken Follet depois da desilusão que tinha sido o livro dele lido anteriormente. E que reconciliação... Um excelente livro que se lê duma penada, tentando não se perder uma palavra.

Estamos no Cairo em plena segunda guerra mundial. A Esfinge (Alex Wolff) tenta, a todo o custo, descobrir quais os planos de guerra dos ingleses para que os possa passar aos alemães. Primeiro céptico mas depois convicto, Rommel segue as instruções recebidas, por rádio, da Esfinge e consegue conquistar terreno aos ingleses.

Vandam tenta, de todas as formas, chegar a Wolff mas a Esfinge foge-lhe sempre no último momento. Até que contrata Elene para o ajudar a descobrir onde encontrar Alex, nunca esperando que ela viesse a representar algo mais. Mas será que Elene conseguirá encontrar o fugidio Wolff? E a que custo? E que papel terá Billy, o filho de Vandam, a representar no futuro do Cairo e dos egípcios?

Rebecca é o livro que serve de código para que as mensagens encriptadas passem entre a Esfinge e os alemães. Este sistema de encriptação foi muito usado na segunda guerra mundial. Emissor e receptor têm o mesmo livro e a mesma chave. Por exemplo, uma transmissão feita no dia 28 de Maio de 1942 implicava a utilização da página 70 do livro (somava-se o dia 28 ao ano 42). Como Maio é o quinto mês do ano, era descontada cada quinta letra da página. Depois era só procurar, nessa página, a letra necessária para a mensagem que se queria transmitir.

Aventura, romance, perseguição, espionagem e um pouco de história. Neste livro encontramos tudo isto. Apesar de sabermos, historicamente, como acaba a segunda guerra e a invasão do Cairo pelos alemães, estamos sempre à espera de saber se Vandam e Elene serão, ou não, capazes de deter Wolff e, com isso, salvar o Cairo e os seus residentes.

Leia aqui as primeiras páginas

 

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Uma Coluna de Fogo

por Magda L Pais, em 28.05.18

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Uma Coluna de Fogo de Ken Follett

ISBN: 9789722360845

Editado em 2017 pela Editorial Presença

Sinopse

Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge e descobre que o seu mundo mudou. As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar, Margery Fitzgerald.

Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá-la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão. Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel.

Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos, então como hoje, não são as religiões rivais. A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo.

A minha opinião

Creio que não é segredo. Ken Follett é um dos meus escritores favoritos e os seus livros são, para mim, sinónimo de horas de prazer. Principalmente no que respeita a romances históricos e ao seu cuidado em conciliar as personagens reais com as fictícias em situações que, efectivamente, aconteceram ou tiveram uma grande probabilidade de acontecer. Não acredito que seja uma tarefa fácil. E não sendo, é seguramente uma tarefa à altura de Ken Follett.

Uma Coluna de Fogo mata-nos algumas saudades de Kingsbridge, local onde decorreu a acção d'Os Pilares da Terra e de Um Mundo Sem Fim (duas das melhores trilogias que alguma vez li). Mas não as mata todas, uma vez que, ao contrário dessas, Uma Coluna de Fogo leva-nos numa fabulosa viagem por Inglaterra, Escócia, França, Espanha e Países Baixos, no inicio duma globalização que se virá a concretizar uns séculos mais tarde.

E a catedral que vimos nascer n'Os Pilares da Terra é agora um edifício abandonado... estranho como podemos sentir alguma nostalgia dum monumento que sabemos que não existe. É que foi precisamente isso ao longo do livro, como se a luta de Tom para a erguer tivesse sido a nossa própria luta. Como se Tom estivesse ali, ao nosso lado, e nos dissesse - ora gaita, tanto que sofri para que esta catedral fosse erigida e agora está assim, ao abandono.

(e se me perguntam: Tom, quem é o Tom? dir-vos-ei que devem ler Os Pilares da Terra para perceberem)

Uma Coluna de Fogo é, alem dum excelente entretém, uma lição de história. Entretém porque tem várias histórias de amor, tem vilões (Pierre Aumande é, sem dúvida, um vilão extraordinariamente bem construido, de quem começamos por gostar mas que, depois, rejubilamos com o seu fim), e uma estrutura apaixonante, acompanhando quase 80 anos da vida da Europa (e não tanto em Kingsbridge como os livros anteriores). Em momento algum me senti numa aula de história ou que o livro estaria a ser aborrecido (apesar das suas 768 páginas...)

Claro que haveria margem para mais. Há sempre margem para mais em livros que misturam realidade com ficção. Haverá quem ache que deveria ter mais história, outros que acham que devia ter mais ficção.

E eu?

Bem, eu só quero que Ken Follett continue a escrever... 

 

Classificação: 

Entretanto...

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