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Os 100

por Magda L Pais, em 23.07.18

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Os 100 de Kass Morgan

100 #1

ISBN: 9789898491992

Editado em 2015 pela TopSeller

Sinopse

Há muito tempo, a superfície da Terra foi arrasada por uma guerra nuclear. Os poucos sortudos que conseguiram sobreviver refugiaram-se a bordo da Colónia, uma estação espacial que orbita o planeta.

Cem anos após ter sido a salvação da Humanidade, a Colónia está em perigo. Os aparelhos que garantem a renovação do oxigénio na estação espacial estão a falhar, e não há como os substituir. A última esperança da Humanidade reside em 100 jovens selecionados entre criminosos, para regressar à superfície da Terra e descobrir se o planeta pode de novo ser habitado.

Depois de tanto tempo, estes serão os primeiros humanos a pisar a Terra. Mas estarão na verdade sozinhos? Terão todos os seres vivos perecido durante o longo inverno nuclear, ou será que algo se esconde nas sombras das grandes florestas que agora cobrem toda a Terra?

A minha opinião

Com certeza que já todos ouviram falar nesta série de televisão que, cá por casa, começamos a ver nestas férias. Mais uma distopia juvenil (aparentemente), desta vez adaptada para uma série que já vai com cinco temporadas.

Obviamente, estando a seguir a série e a gostar bastante, teria de ler os livros (oh, vá lá, isto não é surpresa, certo? eu prefiro sempre os livros).

O que será uma surpresa completa - principalmente para mim - é que a série televisiva é muito melhor que os livros. E parte da culpa são as diferenças: nas personagens, na história, na intensidade... tirando meia dúzia de detalhes, a sensação que temos é que estamos a ler uma historia que nada tem a ver com o que vemos na televisão.

Na série televisiva, a mãe de Clarke é a médica a bordo da Arca e o pai foi ejectado por quer alertar a população para as avarias no sistema de oxigénio da arca. No livro, ambos os pais de Clarke foram ejectados por terem feito experiencias em humanos com a radiação.

Wells é morto nos primeiros dias na Terra na série, mas nos livros é ele (e não Bellamy) quem toma as rédeas dos 100 e os organiza.

Clarke e Octávia, na série, são duas adolescentes corajosas, inteligentes e fortes. No livro quase que diria que são tontas.

Glass e Luke existem no livro mas não na série. Raven e Finn existem na série mas não nos livros.

Portanto... às 50 páginas decidi que deixaria de comparar a série e o livro para não me baralhar mais e foi o melhor que fiz.

Não sendo exactamente Os Jogos da Fome ou Divergente, Os 100 parte duma premissa bastante interessante: depois duma guerra nuclear, a raça humana desapareceu da face da terra, tendo apenas sobrevivido quem conseguiu chegar à estação espacial denominada A Arca. 300 anos depois, a Arca tem diversos problemas e não pode continuar no espaço sendo necessário experimentar o regresso à Terra. Optam então por enviar 100 delinquentes juvenis, pessoas que podem ser dispensadas caso morram.

Contada a quatro vozes - três no solo e uma na Arca - e a vários tempos - presente e o passado de cada narrador - conseguimos ir tendo noção da história, do que os levou a serem considerados delinquentes e o que cada um sente sobre a situação actual, dando-nos uma visão mais global da história.

Ainda assim, há partes que ficam por explicar. Tudo bem que é uma série de livros e é provável que as explicações ainda surjam mas algumas deveriam ter sido dadas de inicio (e não no fim). Por exemplo, porque é que a Arca está dividida em populações, umas mais ricas que outras?

Seja como for, a leitura é interessante desde que nos desliguemos da série. O que não é nada mas mesmo nada fácil...

Leia aqui as primeiras páginas

Classificação: 

Entretanto...

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A Rainha Branca

por Magda L Pais, em 07.08.17

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A Rainha Branca de Philippa Gregory

A Guerra dos Primos - Volume I

ISBN: 9789722630122

Editado em 2010 pela Livraria Civilização Editora

Sinopse

A história do primeiro volume de uma nova trilogia notável desenrola-se em plena Guerra das Rosas, agitada por tumultos e intrigas. A Rainha Branca é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.

A minha opinião

Mais uma autora que me andava a tentar já a algum tempo e que, finalmente, teve direito a me acompanhar à praia para uma leitura atenta.

Gosto de ler por prazer e gosto de aprender enquanto leio. É tão bom quando posso dizer que aprendi enquanto lia por prazer e foi exactamente isso que aconteceu enquanto lia A Rainha Branca. Claro que descontando parte da fantasia ou, mais exactamente, da magia que a mãe da Rainha achava que podia fazer.

A Rainha Branca lembrou-me outros livros que li de Isabel Stilwell. Baseados num excelente trabalho de investigação, em que os lapsos preenchidos com alguma fantasia e contados duma forma simples, atractiva e coerente. Os detalhes são extraordinários, transportando-nos, quase por magia, ao século XV, à guerra das Rosas (ou dos primos) (e não, não se trata do filme do Michael Douglas).

Este livro, como já disse, foi a minha primeira experiência com Philippa Gregory. Uma excelente experiência, terei de dizer, e a repetir logo que possível com o segundo volume desta série. 

(leia aqui as primeiras páginas)

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Filha da Noite

por Magda L Pais, em 18.08.16

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Filha da Noite de Marion Zimmer Bradley
Editado em 2008 pela Difel
ISBN: 9789722909112
Lido em 2014
 
Sinopse
Ao longo de quase duzentos anos, audiências de todo o mundo vibraram com a Flauta Mágica, de Mozart. O prazer que sentiam com a música era igualado pelo fascínio exercido pela beleza e magia da história de Papageno, o homem-pássaro, pela assustadora e ameaçadora Rainha da Noite, pelo amor e aventuras do Príncipe Tamino e da Princesa Pamina que enfrentavam os tremendos testes mágicos do Tribunal da Sabedoria. Filha da Noite é uma história de amor, de coragem e de perseverança, mas é também uma viagem pela fantasia e pelo mundo dos sonhos, para além de ser uma versão diferente desta história há muito conhecida. Marion Zimmer Bradley usa a sua própria magia para dar às personagens eternas uma nova vida na página impressa. Tudo aquilo que tivera de ser comprimido no formato da ópera e do palco, pode agora expandir-se. E é ao som da melodia dos sonhos, dos arquétipos e da fantasia que, de palavra em palavra, as personagens encontram finalmente toda a sua plenitude e os grandes testes assumem o brilho mágico que só poderia ser conferido por uma mestra da fantasia moderna como é Mário Zimmer Bradley.
 
A minha opinião
Marion Zimmer Bradley é uma das minhas escritoras favoritas, na área em que é mestra - literatura do fantástico. A filha da noite era um dos livros dela que me faltava e que tive oportunidade de ler esta semana que passou (ajudou ter passado cinco horas e meia na sala de espera dum hospital como contei aqui).
Atlas-Alamesios é povoado pelos humanos e pelos híbridos (meio animais e meio humanos) e tem duas casas reais - O grande templo da mãe negra e a casa real do Sol.
No reino da Noite e das Estrelas, governado pelo templo da mãe negra são tratados como escravos e usados como sacrifício para apaziguar os deuses. A Rainha da Noite e das Estrelas trata os híbridos (e não só) de forma malvada e cruel. Já no Reino da Luz, Sarasto, o sacerdote da Luz e o Grande Atlas, tenta ajudar os híbridos a ganharem confiança em si próprios. 
Pamina é a filha mais nova da Rainha da Noite e das Estrelas e sua herdeira. O seu pai é Sarasto e, como sua filha única, Pamina é também a herdeira da casa real do Sol. Pamina terá de perceber, por si, a que casa pertence o seu coração, dado que os seus pais são tão diferentes como a água e o vinho, o dia e a noite.
Tamino é o mimado filho mais novo do Imperador do Ocidente e é enviado, pelo pai, ao Templo da Sabedoria para se submeter às provações. As provações são as provas a que todos se tem de submeter na sua passagem da adolescência para a idade adulta.
Os caminhos de Pamina e Tamino acabam por se cruzar, assim como se cruzam os sentimentos entre eles. O amor que vivem, desde o primeiro momento em que se vêem, acaba por os levar a submeterem-se às provações em conjunto.
Sendo eu fã de literatura do fantástico e de Marion Zimmer Bradley, fiquei desiludida com este livro. A história é previsível, os personagens pouco construídos e os diálogos incipientes.
No entanto, uma frase - a exigência que é feita a quem se vai submeter às provações - marcou-me pela positiva. Podia, devia, ser um lema de vida para todos nós:
 
Nada te será exigido a não ser que dês o teu melhor em todas as ocasiões.  

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Literatura

por Magda L Pais, em 25.09.15

Dizia uma professora que apenas uma obra que fale da sociedade, politica ou economia, enfim qualquer assunto real, pode ser considerado literatura.

Não sendo professora, dessa ou de qualquer outra área, a verdade é que recuso liminarmente fechar a literatura num conceito tão simples.

A literatura não tem de se cingir aos assuntos reais. Cinge-se à imaginação do autor, à forma como consegue passar para o papel o que lhe vai na alma, seja fingimento ou seja real. Um texto literário tem um efeito estético, as palavras são escolhidas com preocupação com a beleza e o efeito emocional.

Quando escreve, o autor dum texto literário, não quer ensinar nada ao leitor, quer apenas dar a conhecer uma história, o seu desabafo ou a sua ideia sobre determinado tema.

Qualquer livro, seja ele de que género literário for, é literatura. Pode ter mais valor para mim, menos para ti, pode ensinar, pode distrair ou pode obrigar a pensar. Um livro é literatura, seja ela de cordel, fantástica, romanceada, erótica, histórica, filosófica ou sem classificação. É para ser lido, apreendido (seja pela positiva ou pela negativa).

Quem tem gosto pela literatura, quem lê, por norma, é quem escreve melhor, quem tem mais facilidade de expressar o que pensa. E não é por ler só aqueles livros que a dita professora considera que são de literatura. É lendo todos os tipos de livros.

Estas são apenas algumas das razões que me levam a não concordar com o espartilhar da literatura como obras reais. Quando muito acho que podemos dizer que livros sobre a realidade (sociedade, politica, economia) são uma ínfima parte desse universo tão amplo que é a literatura.

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Erotismo na literatura

por Magda L Pais, em 24.09.15

Por nenhuma razão especial, lembrei-me de falar sobre a questão dos livros eróticos. Não, descansem as mentes, não li as sombras e, com tanto bom livro que ainda tenho para ler, quase que posso afirmar que não os irei ler alguma vez.

Essa minha aversão às sombras não tem muito a ver com a questão do erotismo lá presente. Confesso que as partes do livro que li (e sim, podem estar retiradas do contexto) me parecem mais pornografia que erotismo - e nem vou aqui falar do aparente endeusamento da violência psicológica que o livro vende (é o que me parece, mais uma vez, do que li e do que ouvi).

Voltemos ao erotismo. Quando a descrição de actos sexuais aparece nalgum livro não sou aquela menina pudica que avança umas páginas. Leio, gosto e aprecio. Erotismo e literatura combinam na perfeição. Não precisam de recorrer a calão e é desnecessário descrever cruamente o acto. Porque é aqui que reside a grande diferença entre erotismo e pornografia.

Para mim, e ressalvo que se trata apenas da minha opinião enquanto leitora, desde que os livros ou os excertos sejam eróticos, não tem qualquer problema. Eu, como leitora, quero é encontrar algo que possa ler, com qualidade e que seja uma mais valia para mim, independentemente do tema que se aborde.

Não será assim para todos leitores?

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