Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Coração Negro

por Magda L Pais, em 06.09.18

40651714.jpg

Coração Negro de Naomi Novik

ISBN: 9789897731198

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

O nosso Dragão não devora as raparigas que leva, independentemente das histórias que possam ser contadas fora do nosso vale. Ouvimo-las, por vezes, de viajantes que por aqui passam. Falam como se estivéssemos a fazer sacrifícios humanos e como se ele fosse um dragão verdadeiro. Claro que isso não é verdade: ele pode ser um mago imortal, mas não deixa de ser um homem, e os nossos pais juntar-se-iam e matá-lo-iam se ele quisesse devorar uma de nós a cada dez anos. Ele protege-nos contra o Bosque e nós estamos-lhe gratos, mas não assim tão gratos.

Agnieszka adora a sua pacata aldeia no vale, as florestas e o rio cintilante. Mas o maléfico Bosque permanece na fronteira e a sua sombra ameaçadora paira sobre a vida da jovem.

O povo depende do feiticeiro conhecido apenas por Dragão para manter os poderes de Bosque afastados. Mas o Dragão exige um terrível preço pela sua ajuda: uma jovem deve servi-lo durante dez anos, um destino quase tão terrível como perecer a Bosque.

A próxima escolha aproxima-se e Agnieszka tem medo. Todos sabem que o Dragão irá levar a bela, graciosa e corajosa Kasia, tudo aquilo que Agnieszka não é, e a sua melhor amiga no mundo. E não há forma de a salvar.

Mas Agnieszka teme as coisas erradas. Porque quando o Dragão chega, a sua escolha surpreende todos...

Vencedor do prémio Nebula para melhor romance e do prémio Locus para melhor romance de fantasia

A minha opinião

Sabem aqueles livros que nos transportam para os tempos antigos, para as histórias contadas à lareira (ou ao redor da fogueira), pelos mais velhos? Aquelas lendas antigas transmitidas de pais para filhos, para os netos?

Coração Negro levou-me, por magia, para uma sala aconchegante, com a lareira acesa, um chá na mão, uma mantinha nas pernas e uma velhota ou um velhote a contar-me a história de Agnieszka e o Dragão. Quase que podia fechar os olhos (vá, pronto, não dava mesmo para fechar senão não conseguia ler, não é?) e ver tudo a acontecer à minha frente. Simplesmente fabuloso, simplesmente maravilhosa a capacidade de Naomi Novik fazer tudo isto acontecer com meras palavras conjugadas em frases mais ou menos longas, com personagens com nomes difíceis de pronunciar mas que, até por isso, se tornam mais familiares.

Tenho para mim que um livro, por mais dramático que seja, fica a ganhar com uma ou outra pontinha de humor. Coração Negro tem várias pontinhas de humor que não o desprestigiam, antes o tornam ainda mais credível, mais fácil de ler. Houve até momentos que achei que me os meus companheiros de viagem no comboio me iam internar por estar a rir para um livro... (enfim, a avaliar pelas caras que me vão fazendo, não deve faltar muito para isso acontecer).

Claro que nada disto importa se as personagens forem destituídas de qualquer interesse. Em Coração Negro, houve um cuidado extraordinário na construção das personagens, que se tornam fortes, interessantes, charmosas e atraentes, com doses variadas de mistério. Até nas relações entre si, levando o leitor a viajar entre sentimentos vários, entre o amor e a amizade, o ódio e a compaixão e, por fim, o entendimento e aceitação. 

Um livro praticamente perfeito, em suma (só gostava mesmo que tivesse mais páginas porque acabou demasiado depressa).

Leia aqui as primeiras páginas

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

May we meet again

Conheces o meu blog generalista?

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Destemida

por Magda L Pais, em 16.07.18

  40782105.jpg

Destemida de Lesley Livingston

ISBN: 9789897731150

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Fallon é a filha mais nova de um orgulhoso rei celta e sempre viveu na sombra da lendária reputação da guerreira de Sorcha, a sua irmã mais velha, que morreu em combate quando os exércitos de Júlio César invadiram a ilha da Bretanha.

Na véspera do seu 17.º aniversário, Fallon está ansiosa por seguir os passos da irmã e conquistar o seu legítimo lugar entre os guerreiros reais. Mas ela nunca terá essa oportunidade, já que é capturada e vendida a uma escola de elite que treina mulheres gladiadoras — e cujo patrono é o próprio Júlio César. Numa cruel reviravolta do destino, o homem que destruiu a família da jovem poderá ser a sua única hipótese de sobrevivência.

Agora, Fallon terá de ultrapassar rivalidades perversas e combates mortais — dentro e fora da arena. E talvez a maior ameaça de todas: os seus sentimentos proibidos, porém irresistíveis, por Cai, um jovem soldado romano.

A minha opinião

Acho que já vos falei da minha aversão a levar livros para o quarto. Adoro ler, todos sabem disso, leio em todo o lado mas nunca (ou quase nunca) no quarto. A razão? é simples, se começo a ler não me apercebo das horas a passar e depois passo a noite a ler em vez de dormir (e todos sabem o quanto eu preciso de dormir). São, por isso, raros, muito raros, os livros que levo comigo. Só mesmo quando não os consigo largar, quando preciso mesmo mesmo de os acabar é que acontece irem comigo para a cama.

Destemida foi comigo até ao quarto. Deitou-se na cama comigo enquanto lia as últimas páginas. Foi impossível de largar. Aliás... na realidade foi impossível de largar quase desde que o comecei. Destemida prende a nossa atenção da primeira à última página, enquanto acompanhamos Fallon desde o dia em que comemora os seus 17 anos e acaba cativa dum mercador de escravos até aos combates na arena.

Lesley Livingston consegue transportar-nos até Roma antiga, até aos combates dos gladiadores mas pelo lado das mulheres. Terão existido mulheres gladiadoras? aparentemente sim, há indícios (mas nenhuma certeza histórica), mas isso não torna Destemida menos apetecível. Antes pelo contrário. Numa sociedade onde as mulheres tinham um papel secundário (ou terciário), onde a escravatura era normal, Lesley Livingston traz-nos mulheres fortes, com carácter, capazes, numa história muito bem sucedida, com descrições que nos elevam os sentidos e nos levam até à arena. Sentimos o cheiro a suor e a sangue, quase vomitamos com uma das descrições (curiosamente não da arena nem de um combate) e, tal como os romanos, aplaudimos as vitórias de Fallon. E de Elka, claro.

A escrita de Lesley Livingston é simplesmente absorvente. Sentimo-nos parte do livro, parte da história.

Confesso que não esperava grandes reviravoltas num livro sobre gladiadoras. Mas, na realidade, Lesley Livingston consegue surpreender-nos também nesse campo, mostrando-nos que o improvável também pode acontecer.

Resumindo. Destemida é o primeiro volume duma trilogia que eu espero, sinceramente, que seja editada na totalidade em Portugal. Senão desconfio que é desta que me metem a ler em inglês...

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

Entretanto...

Conheces o meu blog generalista?

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um Estranho Numa Terra Estranha

por Magda L Pais, em 15.07.18

40612750.jpg

Um Estranho Numa Terra Estranha de Robert A. Heinlein

Volume II

ISBN: 9789897731143

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Há vinte e cinco anos, a primeira missão a Marte terminou em tragédia e todos os tripulantes morreram. Mas, na verdade, houve um sobrevivente. Valentine Michael Smith encontra na Terra uma realidade muito diferente da que experienciou em Marte. As crenças e os rituais sagrados que aprendeu em Marte em nada se assemelham aos que encontra na Terra. A própria existência de Valentine torna-o alvo de uma intriga política.

Neste 2.º volume de Um Estranho numa Terra Estranha, Robert A. Heinlein continua a apresentar-nos a história de Valentine e do seu processo de integração numa cultura marcada pela anarquia, partilha, amor livre e vida comunitária. Este clássico da ficção científica ainda hoje nos leva a questionar as nossas aspirações mais profundas e continua a despertar sentimentos fortes - por vezes contraditórios - nos leitores.

A minha opinião

Obviamente depois de ler o primeiro volume, teria de ler o segundo e continuar a deleitar-me com esta história que me encantou na adolescência e que me volta a encantar uns anitos (poucos, vá) depois.

Robert A. Heinlein é, sem dúvida, o mestre da ficção cientifica, até por nos fazer questionar os seus pressupostos. Humanos a fazerem levitar copos e afins? Humanos a gerir o seu organismo de modo a não terem fome ou frio? (por favor, ensinem-me como que me daria muito jeito).

Um Estranho numa Terra Estranha fala-nos de Mike, um humano criado por marcianos, numa sociedade totalmente dispare da nossa e capaz de fazer coisas que nós apenas poderemos imaginar. E quando Mike regressa à Terra e começa a grocar os seres humanos quer ensiná-los a serem mais felizes e mais capazes. Mas fazê-lo é ir contra as convicções dos seres humanos que não estão preparados para ver a verdade como Mike a apresenta.

Robert A. Heinlein põe em causa, neste livro, a religião e a forma como esta regula a vida dos fieis. Mas não só. Numa abertura muito pouco própria para a altura em que foi escrito (o livro foi apresentado, pela primeira vez, em 1961), Um Estranho numa Terra Estranha fala-nos também na liberdade sexual e na homossexualidade. Não posso, ainda assim, concordar - nem sequer de perto - com uma das frases do livro: Nove em cada dez violações, a culpa é da mulher. Não, Robert A. Heinlein, não é de todo verdade. Dez em cada dez violações, a culpa é exclusivamente do violador.

Tirando este pequeno "detalhe" Um Estranho numa Terra Estranha é um livro a ler com calma, com serenidade e com a mente aberta para as criticas à nossa sociedade. Tão actuais hoje como em 1961, o que o torna um livro intemporal.

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

Entretanto...

Conheces o meu blog generalista?

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Demanda do Bobo

por Magda L Pais, em 27.06.18

demanda.jpg

A Demanda do Bobo de Robin Hobb

Assassino e o Bobo Nº: 3

ISBN: 9789897731075

Editado pela Saída de Emergência em 2018

Sinopse

Após os acontecimentos de A Revelação do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz.

Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.

Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.

Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?

A minha opinião

Apesar de perceber (e agradecer!) quando as editoras decidem dividir os livros em duas partes, a realidade é que isso faz com que eu fique muito irritada quando fico a meio dos acontecimentos e não tenho o livro seguinte logo ali à mão para o ler. Digam-me lá como é que vou viver sem saber o que acontece a Bobo, Fitz e Abelha? Ninguém merece!

Robin Hobb mais uma vez supera-se. E faz-nos pensar em nós próprios, nos nossos medos e nos nossos fantasmas enquanto lemos os seus livros. Sim, são livros, são fantasias, passam-se em mundos paralelos, a Manha e o Talento não existem, Bobo, Fitz, Breu, Abelha, Respeitador e Kettricken (entre outros) só vivem ali, no papel mas são personagens tão credíveis, tão bem construidas, tão ricas que, mesmo ausentes, pensamos nelas. Assim como pensamos nos amigos e na família, mesmo que não estejam connosco.

É disto que são feitos os grandes livros, os livros memoráveis, brilhantes. A história, as personagens, o encadeamento de acontecimentos. Tudo, mas mesmo tudo, nos livros escritos por Robin Hobb, os tornam memoráveis, familiares, presentes. De tal modo que os anos passam e as recordações do que lemos ficam connosco.

Outubro está quase ai. Robin Hobb vai cá estar no Festival Bang. E eu vou lá estar. Porque, tal como Anne Bishop, esta é uma autora que venero.

leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

Entretanto...

Conheces o meu blog generalista?

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Poder

por Magda L Pais, em 21.05.18

o poder.jpg

O Poder de Naomi Alderman

ISBN: 9789897731044

Editado em 2018 pela Saída de Emergência

Sinopse

Quando as raparigas ganham o poder de causar sofrimento e morte, quais serão as consequências?

E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite.

Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

A minha opinião

E se o mundo fosse governado pelas mulheres e os homens fossem o sexo mais fraco? Seria um mundo mais ou menos violento? mais ou menos igualitário? O Poder parte precisamente dessa premissa. Um dia - na sociedade de hoje - as mulheres começam a ter uma meada eléctrica que lhes dá um poder nunca antes visto. E, num mundo de homens, elas começam a impor-se e a vingar-se de anos (séculos) em que foram consideradas as mais fracas, as que se tinham de vergar à vontade dos homens. E um dia, mais de 5000 anos depois das primeiras mulheres descobrirem que tinham a meada, como seria a nossa sociedade?

Intrigante... Creio que esta é a palavra que melhor descreve este livro que está com uma concepção muito interessante, como se fosse um manuscrito dum livro de história, enviado por um homem a uma mulher. Uma espécie de conversa entre amigos (as cartas entre ambos estão no inicio e no fim do livro). Curioso como, no fim, percebemos que a nova ordem da sociedade é totalmente inversa à actual, como a história seria reescrita (terão alguma vez as mulheres sido o sexo fraco e oprimido?).

Mas não podemos ficar por ai. Porque O Poder também é um livro que mexe com as nossas convicções. Não é uma leitura confortável nem sequer uma leitura aprazível. Está, seguramente, ao nível de 1984 ou Fahrenheit 451 como distopia e mostra como o poder pode corroer e destruir.

Porque O Poder também mostra como as relações de amizade, de amor ou familiares podem ser facilmente destruídas quando se é mais forte que os outros.

O Poder é, seguramente, dos livros que li recentemente, o mais perturbador, o mais violento (algumas descrições são de revoltar o estômago dos mais sensíveis), o mais intrigante e, ao mesmo tempo, um dos mais brilhantes. A reler certamente daqui a um ou dois anos para absorver melhor tudo o que nos transmite. 

(leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

(este livro foi-me oferecido pela Saída de Emergência em troca duma opinião honesta e sincera)

Entretanto...

Conheces o meu blog generalista?

Que esperam para me acompanhar no facebook e no instagram?

Autoria e outros dados (tags, etc)



Pesquisar

Pesquisar no Blog

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.