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Número Zero

por Magda L Pais, em 24.04.18

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Número Zero de Umberto Eco

ISBN: 9789896166434

Editado em 2015 pela Gradiva

Sinopse

Este é um romance que não deixa ninguém indiferente à reflexão sobre os jornais e o jornalismo. Como cenário de fundo tem uma redacção de um jornal diário, que se está a constituir de modo apressado e por razões que menos se relacionam com o objectivo de preparar boa informação e mais respeitam à criação de uma «fachada» para servir interesses próprios. Neste caso, não os interesses dos jornalistas, poucos, relativamente mal pagos e com histórias de carreira onde o sucesso não tem tido lugar, mas sim os interesses de quem tem poder, dinheiro ou ambos. Poderá um órgão de comunicação social servir para ter os inimigos na mão e chegar aonde se quer?

Um jornal que está a dar os primeiros passos muito tem para decidir. E esta obra de Umberto Eco torna-se, nesta vertente, numa espécie de «manual» de decisões onde a qualidade do produto final está mais arredada das preocupações do que seria desejável. Neste jornal, designado Amanhã, há espaço para criar notícias, reciclar notícias e encobrir notícias. Sendo esta uma obra de ficção, a leitura que pode ser feita do que lá se escreve vai além da boa leitura que a narrativa proporciona.

Poder e jornalismo associam-se aqui a teorias da conspiração. Um redactor paranóico que anda pela Milão em que a história se passa, segue atrás de pistas que remontam ao fim da Segunda Guerra Mundial e, somando factos, chega a um complexo resultado que tem tudo para convencer. Começa pelo cadáver de um pseudo-Mussolini e segue pelos meandros da política, envolvendo o Vaticano, a máfia, os juízes e os serviços secretos.

A minha opinião

"Ouvi" falar deste Número Zero pela primeira vez pela voz da Vanita, p'ra aí há dois anos. Depois, um dia, encontrei-o à venda, comprei e lá lhe calhou a vez da leitura.

Não obstante nunca ter trabalhado ou sequer me aproximado duma redacção dum jornal, consegui sentir-me dentro duma durante este livro. Ou, vá, em parte do livro. Achei este tema - o número zero dum jornal - bastante interessante e estava curiosa em saber como se faz (o mais próximo que estive disso foi quando saiu o número 1 do jornal Público e a minha tia passou dias a fio no jornal para que corresse tudo bem). A curiosidade matou o gato mas este livro não matou a minha, pelo menos não na totalidade.

Confesso que partes do livro fizeram sono. Quando Braggadocio disserta sobre a sua teoria da conspiração, por mais interessante que tal possa parecer... eu quase que adormeci e foi com custo que acabei por a ler toda. Outras partes foram mais interessantes, nomeadamente as reuniões de direcção e a forma como se fala em manipulação das noticias, em dar aos leitores aquilo que os jornalistas acham que eles querem.

Não posso, em consciência, dizer que é um bom livro. Direi antes que achei o Número Zero muito fraco para um autor da excelência de Umberto Eco. Lê-se, claro que se lê, mas esperava mais. E melhor...

(leia aqui as primeiras páginas)

Classificação: 

Entretanto...

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Confissões de um Jovem Escritor

por Magda L Pais, em 15.02.16

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Confissões de um Jovem Escritor de Umberto Eco

Editado em 2012 pelos Livros Horizonte
ISBN: 9789722417655
 
Sinopse
O brilhante escritor italiano leva-nos numa viagem aos bastidores do seu método criativo e recorda como arquitectou os seus mundos imaginários: partindo de imagens específicas, fez sucessivas escolhas ao nível da época, da localização e da caracterização do narrador - o resultado foram histórias inesquecíveis para todos os leitores.
De forma alternadamente divertida e séria, mas brilhante como sempre, Umberto Eco explora a fronteira entre a ficção e a não-ficção, afirmando que a primeira deve assentar num intricado enredo que requer ao escritor a construção, através da observação e da pesquisa, de todo um universo até ao mais ínfimo pormenor. Por fim, revela ao leitor um precioso trunfo que permite vislumbrar o infinito e alcançar o impossível.
Umberto Eco tinha quase 50 anos de idade quando a sua primeira obra de ficção, O Nome da Rosa, o catapultou para a fama mundial e se tornou um clássico moderno. Nestas "confissões", o agora octogenário faz uma retrospectiva da sua carreira, cruzando o seu percurso como teórico da linguagem com a veia romancista que descobriu mais tarde na vida.
Este "jovem escritor" é, afinal, um grande mestre e aqui partilha a sua sabedoria sobre a arte da imaginação e o poder das palavras.
 
A minha opinião
Gostava que este livro estivesse dividido em duas partes. Uma em que o autor e escritor contasse as suas aventuras e partilhasse as suas dicas e outra, mais técnica, sobre a escrita. Se assim fosse, teríamos dois livros, em que eu avaliaria o primeiro com um "muito bom e interessante" e o segundo com "seca fenomenal". Infelizmente não foi assim que aconteceu e por isso terei de o avaliar como um livro "assim assim".
Gostei bastante das histórias que o autor conta sobre como nasceram os seus livros e a atenção que dá ao detalhe. Por exemplo, quando escreveu O Nome da Rosa, teve o cuidado de passear numa abadia horas e horas a fio, com um gravador, para perceber quantas frases poderiam ser ditas num determinado trajecto. A propósito doutro livro, fez um determinado trajecto várias vezes à noite, tomando nota do que estava a ver porque uma das personagens iria fazer esse trajecto e ele queria perceber o que via ou não via. Foi também interessante perceber como as pessoas, às vezes, encontram, nos livros, o que querem encontrar e não o que autor escreve. Por exemplo, um amigo de Umberto Eco ficou bastante aborrecido por ele falar nos tios dele no livro sem que ele tivesse autorizado. Na verdade, Umberto Eco estava a falar sobre os seus próprios tios e não sobre os tios desse amigo.
Também achei interessante a dissertação sobre a frase "Clark Kent é o Super Homem" ser mais verdadeira que a frase "Hitler morreu num Bunker". Direi até que, se de inicio achei que ele não teria razão, depois acabei por concordar. De facto a primeira frase é totalmente verdadeira enquanto a segunda pode ser ou não.
Mas depois começou a falar no Autor Empírico, nas listas, no assíndeto, nas anáforas, e em sei lá que mais, com gráficos e análises e, aqui, confesso, acabei por desistir. Demasiado técnico para mim...
Dispensava, completamente, esta parte e gostava de ter lido mais sobre o processo criativo dum autor como Umberto Eco. Mas não se pode ter tudo, pois não?

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