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Vozes de Chernobyl

por Magda L Pais, em 18.12.18

chernobyl.jpg

Vozes de Chernobyl de Svetlana Aleksievitch

Tradução: Galina Mitrakhovitch

ISBN: 9789898831828

Editado em 2016 pela Elsinore

Sinopse:

Vozes de Chernobyl é a mais aclamada obra de Svetlana Alexievich, Premio Nobel de Literatura 2015, tida como o seu trabalho mais duro e impactante.

A 26 de abril de 1986, Chernobyl foi palco do pior desastre nuclear de sempre. As autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos factos da população e da comunidade internacional, e tentaram controlar os danos enviando milhares de homens mal equipados e impreparados para o vórtice radioativo em que se transformara a região. O acidente acabou por contaminar quase três quartos da Europa.

Numa prosa pungente e desarmante, Svetlana Alexievich dá voz a centenas de pessoas que viveram a tragédia: desde cidadãos comuns, bombeiros e médicos, que sentiram na pele as violentas consequências do desastre, até as forças do regime soviético que tentaram esconder o ocorrido. Os testemunhos, resultantes de mais de 500 entrevistas realizadas pela autora, são apresentados através de monólogos tecidos entre si com notável sensibilidade, apesar da disparidade e dos fortes contrastes que separam estas vozes.

Prefácio de Paulo Moura e tradução de Galina Mitrakhovich.

A minha opinião

Há livros que são murros no estômago. Que nos deixam sem palavras, que nos obrigam a interromper a leitura, que nos deixam com pesadelos. Que nos fazem pensar em como é possível haver sobreviventes ou como é que podem ter permitido que aquilo acontecesse. Que nos fazem encarar os nossos piores medos e que nos deixam embrutecidos.

Vozes de Chernobyl é um desses casos (outro foi a Lista de Schindler), com a agravante que, em 1986 - altura do acidente - eu tinha 17 anos e portanto lembro-me das noticias e das informações que foram veiculadas.

Percebo hoje, depois da leitura deste livro, que a Europa esteve em risco de desaparecer por incúria das autoridades soviéticas que não quiseram dar a importância devida ao desastre.

Não foi fácil perceber tanta coisa que foi mal feita, tanta desgraça que aconteceu (e tanta que, por um feliz acaso não aconteceu). Não foi fácil ler sobre as vidas que foram desperdiçadas e mal protegidas porque não se queria lançar o pânico. Não foi fácil conhecer quem prefira viver na zona de exclusão de Chernobyl porque prefere um inimigo que não vê (a radioactividade) a viver na meio da guerra.

Esta é a minha história... contei-a... Porque comecei a fotografar? porque não tinha palavras que chegassem...

Este é um livro que, apesar de doloroso e demasiado real, todos devíamos ler como forma de agradecer a quem se sacrificou - consciente ou inconscientemente - para que o desastre de Chernobyl não tenha tido consequências bem piores.

Por mais que nos custe a sua leitura.

Como gravar a minha alma? Se nem eu nem sempre consigo vê-la.

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3 comentários

De naomedeemouvidos a 18.12.2018 às 18:24

Li este livro há uns meses. É uma leitura que dói. Difícil de terminar.

De Magda L Pais a 18.12.2018 às 19:45

Das leituras mais difíceis que fiz nos últimos anos

De pt a 28.12.2018 às 03:58

Já vi bastantes documentários sobre e pós tragédia pelo que imagino o conteúdo do livro e por isso não tenho impetos de o ler. Deve falar, em primeiro lugar, da forma como os homens que foram lá tentar controlar a situação foram expostos à radioatividade e morreram mortes terríveis em pouco tempo. Gerações se passaram e ainda nascem crianças com graves problemas de saude e deformações físicas. A tiroide é um dos principais problemas de quem tem demasiada radioatividade no corpo. Há quem ainda vá entrando na zona proibida... Onde não se pode comer os alimentos mas há quem arrisque. O verde voltou a tomar conta, como só a natureza sabe fazer. Mas o veneno do HOMEM está lá... A natureza vai levar milenios a apagar - se apagar.

A nuvem de radioatividade percorreu a europa e chegou à "pontinha" de portugal... Ficou-se por Espanha - dizem os entendidos - o que para mim é perto demais. A chuva ácida em outros países... espalhando esse veneno por todo o lado.

Ai o inventor da bomba atómica...
Se o arrependimento matasse ou o bom senso prevalecesse, o Homem não exploraria o que conduz à destruição.

Mas é como tudo... alguém pode descobrir algo fantastico no intuito de ajudar o planeta, que outro alguém vai querer ser proprietário da patente para tirar proveito e destruir.

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